A chegada de dezembro traz, além das celebrações, um fenômeno que se repete todos os anos: a chamada “síndrome do final do ano”, também conhecida como “dezembrite”.
Embora não sejam termos médicos oficiais, a expressão descreve um conjunto de sintomas cada vez mais frequentes nesta época, como estresse, ansiedade, irritabilidade, cansaço extremo e, principalmente, insônia. Esse quadro costuma surgir devido ao acúmulo de metas, à sobrecarga de compromissos, aos balanços emocionais e à crescente privação de sono.
Por consequência, o impacto aparece de forma direta no descanso noturno. De acordo com a Academia Brasileira do Sono (ABS), o brasileiro dorme, em média, apenas 6,4 horas por noite, número inferior às 7 a 9 horas recomendadas. O dado acende um alerta importante: 73 milhões de pessoas já convivem com insônia no país.

Além disso, a ABS destaca que dormir mal provoca uma série de prejuízos físicos e mentais. No curto e longo prazo, noites ruins comprometem o humor, o manejo do estresse, o foco e a memória. Também aumentam o risco de hipertensão, arritmias e doenças cardiovasculares, alteram o metabolismo, reduzem a imunidade, favorecem ganho de peso, agravam quadros de ansiedade e depressão e elevam o risco de acidentes.
Segundo o presidente da ABS e responsável técnico pelo evento, Dr. Edilson Zancanella, dezembro potencializa esse cenário.
“Vivemos em permanente estado de alerta. O cérebro não desliga, e dezembro amplifica isso. Metas, prazos, cobranças emocionais e a hiperconectividade criam o cenário perfeito para o desastre fisiológico do sono”, afirma. Ele reforça ainda que “quando a insônia se instala, ela não apenas rouba o descanso: altera humor, pressão arterial, metabolismo e a capacidade de lidar com o estresse.”
Com isso, surge um ciclo que tende a se intensificar no fim do ano: menos sono leva a mais ansiedade, irritabilidade e impulsividade, o que, por sua vez, piora ainda mais as noites seguintes.

Salvador sedia o maior evento de Medicina do Sono do país
Neste contexto, Salvador receberá, de 3 a 6 de dezembro, o XXI Congresso Brasileiro do Sono, o maior evento da área no Brasil e um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados ao estudo do sono.
O congresso reunirá especialistas nacionais e internacionais para debater inovação, inteligência artificial, terapias emergentes e novas estratégias clínicas para enfrentar os transtornos que afetam milhões de pessoas.
Organizado pela Academia Brasileira do Sono (ABS), em parceria com a Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e a Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS), o encontro reforça a importância do tema, especialmente em um período do ano em que a saúde mental e o sono costumam ficar mais fragilizados.
A programação inclui discussões sobre:
• Como a inteligência artificial está transformando diagnósticos e tratamentos;
• Os impactos positivos e negativos do mundo digital no sono;
• Avanços no uso de canabinóides;
• Terapias emergentes, como lemborexant e neuroestimulação;
• Novas abordagens clínicas para apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e insônia associada à depressão.
Para o Dr. Zancanella, o congresso chega em um momento crucial.
“Estamos trazendo ao Brasil uma discussão de altíssimo nível, que une ciência, tecnologia e cuidado humano. Em um mundo que vive cansado, atualizar-se para tratar o sono é uma urgência de saúde pública“, afirma.
Ele complementa: “Nossa missão é ajudar os profissionais a entenderem o impacto dessa nova era tecnológica e oferecer à população caminhos reais para voltar a dormir.”

Bahia se destaca no cenário nacional do sono
A presidente do congresso na Bahia, Dra. Cristina Sales, reforça a importância da mobilização regional:
“Nós, baianos, estamos abraçando este congresso com a força, a competência e a sensibilidade que o tema exige. Este é um momento essencial para integrar evidências científicas, pesquisas e prática clínica em busca de soluções reais para quem convive com os distúrbios do sono. Nosso compromisso é claro: mostrar que é possível dormir melhor e viver melhor”.
Dra. Cristina Salles ressalta que os números reforçam a necessidade urgente de abordar os distúrbios do sono como uma questão de saúde pública, promovendo conscientização, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes.

