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Foto: Feita por IA

Sarampo volta ao radar com aumento de casos em São Paulo e acende alerta para vacinação

VACINAÇÃO

Alta de casos em São Paulo reforça a importância da imunização; sem transmissão endêmica desde 2020, Bahia mantém vigilância para evitar a reintrodução do vírus

Tempo de Leitura: 5 minutos

O aumento de casos de sarampo em São Paulo reacende o alerta sobre a importância da vacinação para impedir a propagação da doença. Altamente contagioso, o vírus pode provocar complicações graves, como pneumonia, encefalite, cegueira e até morte, principalmente entre crianças, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade.

Na Bahia, não há registro atual de transmissão endêmica do sarampo. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a circulação do vírus foi interrompida no estado em 2020, quando foram confirmados os últimos sete casos da doença. As ocorrências foram registradas em Lauro de Freitas, Paripiranga, Juazeiro, Belo Campo e Camaçari.

Em Salvador, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) também tem reforçado estratégias para ampliar o acesso à imunização. Em julho, ao comentar a abertura de um novo ponto de vacinação que inclui a oferta da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, a coordenadora de Imunização da SMS, Doiane Lemos, destacou a importância de facilitar o acesso às doses.

Levar a vacinação para espaços de grande circulação facilita o acesso e incentiva a atualização da caderneta vacinal. Quanto mais oportunidades oferecemos, maior é a proteção da população contra doenças preveníveis por vacinas”, afirmou.

A mobilização ganhou reforço em agosto com a Campanha Nacional de Multivacinação 2026, voltada à atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias. Em Salvador, a estratégia segue até 1º de setembro e conta com a participação das 162 salas de imunização da rede municipal.

Mesmo sem transmissão sustentada, o risco de novos casos permanece, principalmente diante da circulação do vírus em outras regiões. Por isso, a manutenção da vacinação e da vigilância epidemiológica continua sendo uma estratégia importante para a proteção da população baiana.

pessoa com sarampo coçando a pele
Imagem: Magnific

Bahia mantém vigilância contra o sarampo

A experiência recente do estado mostra como a vacinação e o monitoramento são importantes para evitar que casos isolados evoluam para novos surtos.

Em 2019, a Bahia enfrentou um surto de sarampo que chegou a registrar 80 casos confirmados distribuídos em 25 municípios. Naquele ano, entre os casos confirmados em Santo Amaro e Jacobina, havia pessoas que não estavam vacinadas ou que apresentavam o esquema vacinal incompleto.

O histórico reforça a importância de manter a população protegida mesmo quando a doença deixa de apresentar circulação sustentada.

Em sua página oficial sobre a doença, a Sesab destaca que o risco de importação do vírus permanece, já que o sarampo continua circulando em diferentes partes do mundo. A secretaria também orienta que viajantes com vacinação incompleta para áreas de risco procurem os serviços de saúde antes da viagem.

Queda na vacinação favorece circulação do vírus

O cenário atual também chama atenção para a cobertura vacinal. Para o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos, a redução da vacinação nos últimos anos contribuiu para o reaparecimento da doença em diferentes regiões.

“A propagação do vírus voltou devido à redução da cobertura vacinal nos últimos anos, abrindo espaço para o reaparecimento da doença, que já estava sob controle no país desde 2024”, afirma.

O Brasil recuperou, em 2024, o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. No entanto, a ocorrência de novos casos mostra que a vigilância precisa continuar, especialmente porque o vírus pode ser introduzido por pessoas infectadas em regiões onde a doença ainda circula.

Imagem; Magnific

Vacina protege contra sarampo, caxumba e rubéola

A principal forma de prevenção do sarampo é a vacinação. A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.

A primeira dose é indicada aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Pessoas que não foram vacinadas ou não conseguem comprovar a imunização devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de atualização do esquema.

Na Bahia, a vacina é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Além da rede pública, o Sabin Diagnóstico e Saúde oferece a vacina tríplice viral nas unidades das regionais de Salvador e Barreiras.

Sarampo é altamente contagioso

O vírus é transmitido principalmente pelas vias respiratórias e pode se espalhar com facilidade em ambientes fechados. Uma pessoa infectada consegue transmitir a doença para outras pessoas antes mesmo do aparecimento das manchas na pele.

Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, tosse, coriza, olhos avermelhados, mal-estar e manchas vermelhas pelo corpo.

Segundo Claudilson Bastos, pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem permanecer em isolamento para reduzir o risco de transmissão.

“O contágio do sarampo é semelhante, por exemplo, ao da tuberculose, que é transmitida diretamente de pessoa para pessoa por via aérea. Então, a pessoa contaminada deve ficar em isolamento e o contato tem que ser feito com todas as precauções para que não tenha riscos de contaminação”, explica.

O especialista também recomenda o uso de máscaras de proteção durante o contato com pessoas infectadas, como forma de reduzir o risco de transmissão do vírus.

Viagens exigem atenção

A circulação do sarampo em outros países também representa um risco para regiões que conseguiram interromper a transmissão endêmica. Por isso, pessoas que pretendem viajar para locais com registros da doença devem verificar a situação vacinal antes do embarque.

A Sesab recomenda que viajantes não vacinados ou com esquema incompleto recebam a imunização pelo menos 15 dias antes da viagem para áreas onde há circulação do vírus.

Quem retorna de regiões de risco e apresenta febre acompanhada de manchas vermelhas, tosse, coriza ou conjuntivite deve procurar atendimento médico imediatamente e informar o histórico de viagem.

vacinação
Imagem: Magnific

Diagnóstico pode ser confirmado por exame

O diagnóstico do sarampo pode ser feito inicialmente pela avaliação clínica dos sintomas. A confirmação laboratorial, entretanto, é importante para diferenciar a doença de outras infecções que também provocam febre e manchas na pele.

A sorologia pode identificar anticorpos IgM e IgG em amostras de sangue.

“A sorologia do sarampo é fundamental para confirmar infecções agudas por meio da detecção de anticorpos IgM específicos no sangue. Ela valida o diagnóstico clínico do médico em pacientes com febre e manchas vermelhas, diferenciando o sarampo de outras doenças exantemáticas”, explica Híbera Brandão, coordenadora do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin.

Em caso de suspeita de sarampo, a orientação é procurar uma unidade de saúde. Em situações de surto ou diante de sintomas compatíveis, o atendimento deve ser realizado mesmo antes da confirmação laboratorial.

A manutenção da vacinação, portanto, continua sendo uma das principais medidas para evitar que o vírus volte a circular de forma sustentada na Bahia.

O vírus da desinformação

Doiane Lemos destaca que a desinformação disseminada durante a pandemia da Covid-19 ainda influencia a percepção de muitas pessoas sobre a vacinação.

A desinformação circula com muita rapidez, enquanto a informação confiável não alcança a mesma velocidade. Por isso, os pais precisam buscar fontes seguras. A vacinação demonstra, ao longo do tempo, seu papel fundamental no controle de doenças e na promoção da longevidade. A criança recebe anticorpos da mãe, mas precisa construir a própria proteção por meio das vacinas”, explica.

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