O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, é o tema da campanha Março Azul, que busca ampliar a conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da doença. Além disso, a mobilização tem como objetivo alertar a população sobre a importância do rastreamento e da adoção de hábitos saudáveis.
Segundo a estimativa 2023–2025 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 46 mil novos casos por ano. Ou seja, a doença representa aproximadamente 10% de todos os tumores malignos no país, o que reforça sua relevância como problema de saúde pública.
Nos últimos anos, casos de grande repercussão também ampliaram o debate público sobre o tema. No Brasil, a cantora Preta Gil faleceu em julho de 2025, em decorrência de complicações da doença. Já no cenário internacional, o ator Chadwick Boseman morreu em 2020, aos 43 anos, chamando atenção para o avanço do câncer em pessoas com menos de 50 anos.
De acordo com a gastroenterologista do Itaigara Memorial Gastro-Hepato Endoscopia, Dra. Luciana Leal, além da alta incidência, outro fator que preocupa os especialistas é a mudança no perfil etário dos pacientes.

“Desde a década de 1990, a incidência na faixa dos 20 aos 49 anos vem aumentando entre 2% e 4% ao ano em diversos países. Em pessoas com menos de 30 anos, esse crescimento é ainda mais expressivo. Enquanto a mortalidade acima dos 50 anos vem diminuindo graças ao rastreamento por colonoscopia, entre os mais jovens ocorre o contrário”, explica.
Sintomas podem ser silenciosos no início
Entre os sintomas mais comuns da doença estão alteração persistente do hábito intestinal, presença de sangue nas fezes, dor abdominal frequente, anemia, fraqueza e perda de peso sem causa aparente.
No entanto, especialmente nas fases iniciais, o câncer colorretal pode não apresentar sinais evidentes. Por isso, especialistas reforçam a importância do rastreamento preventivo.
Nesse sentido, a recomendação é realizar exames a partir dos 45 anos. Além disso, a investigação pode ser indicada mais cedo em pessoas que possuem histórico familiar da doença, o que aumenta o risco de desenvolvimento do tumor.
Colonoscopia é principal exame de prevenção
A colonoscopia é considerada o principal exame de rastreamento e diagnóstico do câncer colorretal. Durante o procedimento, é possível identificar inflamações, diagnosticar doenças e, principalmente, detectar e remover pólipos, que são lesões pré-malignas.
“A retirada imediata desses pólipos é uma forma de prevenção ativa, pois impede que evoluam para um tumor. Além disso, a colonoscopia possibilita diagnosticar o câncer ainda em estágio inicial, aumentando significativamente as chances de cura”, afirma Dra. Luciana.
Hábitos que ajudam a reduzir o risco da doença
Além do rastreamento, alguns hábitos de vida também podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver câncer colorretal. Entre as principais medidas estão:
• Manter alimentação rica em fibras, frutas, verduras e legumes;
• Reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessados;
• Praticar atividade física regularmente;
• Controlar o peso corporal;
• Evitar o tabagismo;
• Moderar o consumo de bebidas alcoólicas;
• Realizar exames de rastreamento conforme orientação médica.
Dessa forma, a combinação entre prevenção, diagnóstico precoce e hábitos saudáveis torna-se fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade associadas à doença.
