A Bahia enfrenta um novo avanço da chikungunya em 2026. Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostram que, entre janeiro e meados de junho, o estado registrou 3.191 casos prováveis da doença. O número representa um aumento de 92% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 1.662 notificações. Ao todo, 141 municípios baianos, incluindo Salvador, notificaram casos.
Além do crescimento da doença, especialistas chamam atenção para uma das principais complicações da chikungunya: as dores articulares persistentes. Mesmo após o desaparecimento da febre e dos demais sintomas, muitos pacientes continuam com limitações para caminhar, dirigir, trabalhar e realizar tarefas domésticas.
Segundo a reumatologista da Clínica IBIS, Dra. Viviane Machicado, o comprometimento das articulações é uma das principais características que diferenciam a chikungunya de outras arboviroses.
“A diferenciação entre chikungunya, dengue e zika pode ser desafiadora, pois essas arboviroses apresentam diversas manifestações em comum, como febre, dor muscular e articular, manchas na pele e prostração, especialmente nos primeiros dias da doença. Todas são transmitidas principalmente pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. O que ajuda na diferenciação é observar o padrão dos sintomas, principalmente o tipo e a intensidade da dor.”

Dores podem durar meses ou anos
Embora muitas pessoas melhorem nas semanas seguintes à infecção, parte dos pacientes continua sentindo dores por longos períodos.
De acordo com a especialista, estudos mostram que entre 30% e 60% das pessoas infectadas desenvolvem sintomas articulares persistentes após a fase aguda.
“As dores articulares relacionadas à chikungunya podem persistir por um período bastante variável. Estudos de acompanhamento mostram que aproximadamente 30% a 60% dos pacientes podem apresentar sintomas articulares persistentes após a fase inicial da doença. Em um estudo que acompanhou pacientes durante 36 meses, cerca de 60% apresentaram episódios de dor articular ao longo desse período, muitas vezes alternando fases de melhora e retorno dos sintomas.“
Em alguns casos, a inflamação evolui para um quadro crônico. Ela pode apresentar características semelhantes às da artrite reumatoide. Nesses casos, o acompanhamento com um reumatologista ajuda a evitar limitações e melhora a qualidade de vida.
Quando é hora de procurar um especialista?
Sentir dores nas primeiras semanas após a infecção é comum. No entanto, quando os sintomas não melhoram ou começam a limitar a rotina, o paciente deve procurar atendimento médico.
Segundo a Dra. Viviane, a persistência da dor por mais de um mês merece investigação. O mesmo vale para casos com rigidez ou inchaço nas articulações.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- dor que não melhora ou volta após um período de alívio;
- inchaço nas articulações;
- rigidez, principalmente pela manhã;
- dificuldade para movimentar mãos, punhos, joelhos e pés;
- limitação para caminhar, trabalhar ou realizar atividades do dia a dia.
“A dor da chikungunya não deve ser normalizada quando passa a limitar a vida da pessoa. Se a dor permanece, há inchaço ou rigidez articular, é importante buscar avaliação, porque existem formas de controlar essa inflamação e melhorar a qualidade de vida.”
Quem tem maior risco?
Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver sintomas prolongados após a infecção.
Entre eles estão pacientes que tiveram um quadro agudo mais intenso, com comprometimento de várias articulações, dores fortes e inchaço durante a fase inicial.
Além disso, mulheres, pessoas com mais de 40 anos e pacientes com doenças reumatológicas ou alterações articulares prévias também apresentam maior probabilidade de desenvolver sequelas.
Tratamento depende de cada paciente
O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas e o grau de inflamação das articulações.
Inicialmente, o médico pode indicar medicamentos para aliviar a dor e controlar a inflamação. Quando a artrite pós-chikungunya persiste, o reumatologista pode recomendar terapias específicas para reduzir a inflamação e preservar a função das articulações.
Além disso, a fisioterapia e a prática de atividade física orientada ajudam na recuperação dos movimentos, fortalecem a musculatura e melhoram a qualidade de vida.
Como prevenir a chikungunya
Como ainda não existe tratamento capaz de eliminar o vírus, a prevenção continua sendo a forma mais eficaz de reduzir novos casos.
Por isso, eliminar recipientes com água parada, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e usar repelente ajudam a combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, da dengue e da zika.
Com o aumento expressivo de casos na Bahia, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado reduzem o risco de complicações e sequelas



