A Bahia confirmou 429 casos de meningite e registrou 53 mortes em 2025, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (SESAB). A doença pode evoluir rapidamente, principalmente nas formas bacterianas, e exige diagnóstico precoce e vacinação em dia.

Meningite mantém atenção no Brasil e na Bahia
No Brasil, a doença continua exigindo atenção ao longo de todo o ano. Segundo o Ministério da Saúde, as meningites bacterianas e virais concentram a maior parte dos casos e têm maior importância para a saúde pública. As crianças também estão entre as mais afetadas.
Em 2026, o Painel de Meningite do Ministério da Saúde registra 8.623 casos confirmados no país e 305 na Bahia, conforme os dados utilizados como base para esta reportagem. Como os painéis epidemiológicos podem receber atualizações, os números devem ser considerados de acordo com o período registrado na consulta. Os dados epidemiológicos oficiais são disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB) mostram que o estado confirmou 429 casos de meningite e registrou 53 mortes em 2025. O número representa uma redução de 11% nos casos e de 16% nos óbitos em comparação com 2024, quando a Bahia confirmou 480 casos e 63 mortes. O boletim estadual informa que os dados foram extraídos até a 53ª Semana Epidemiológica e estão sujeitos a alterações.
Cenário da meningite na Bahia
Ainda segundo a SESAB, a meningite bacteriana respondeu por 186 dos casos registrados em 2025, o equivalente a 43% do total. A meningite viral apareceu em seguida, com 114 casos, enquanto 94 foram classificados como meningite não especificada e 35 como meningite por outras etiologias.
No mesmo período, a Macrorregião Leste concentrou 217 casos, seguida pela Centro-Leste, com 63, e pela Sudoeste, com 49. Salvador também apresentou destaque entre os municípios baianos, com 62 casos de meningite bacteriana em 2025.
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode surgir por diferentes causas, como vírus, bactérias, fungos e parasitas. Além disso, alguns casos têm origem não infecciosa, relacionada a traumas, doenças inflamatórias ou determinados medicamentos, segundo o Ministério da Saúde.
No dia 5 de outubro, o Dia Mundial de Combate à Meningite reforça a importância da prevenção, do reconhecimento dos sintomas e da busca rápida por atendimento.
Meningite bacteriana exige atenção imediata
Entre os diferentes tipos, as meningites bacterianas estão entre as formas mais graves. Elas podem provocar complicações, sequelas e morte, principalmente quando o tratamento demora.
Os principais agentes incluem o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Segundo o infectologista Marcelo Cordeiro, médico consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, identificar a causa da doença é fundamental para compreender sua gravidade e definir a conduta.
“A causa muda tudo. A meningite bacteriana é uma emergência médica, com risco de morte e de sequelas, enquanto a viral costuma ter evolução mais branda”
A meningite viral costuma apresentar evolução mais branda. Ainda assim, o paciente precisa passar por avaliação médica para identificar a causa e definir o acompanhamento adequado.
Além disso, o Ministério da Saúde destaca que as meningites bacteriana e viral estão entre as de maior importância para a saúde pública.
Quais são os principais tipos de meningite
A meningite pode ter diferentes causas. Consequentemente, a forma de transmissão, o tratamento e as medidas de prevenção também mudam conforme o agente responsável.
Meningite meningocócica
A doença meningocócica ocorre quando a bactéria Neisseria meningitidis provoca uma infecção. A transmissão acontece por meio de secreções respiratórias, principalmente em situações de contato próximo e prolongado.
Assim, pessoas que vivem na mesma casa, frequentam o mesmo ambiente de cuidado infantil ou tiveram contato íntimo com um paciente podem ser consideradas contatos próximos, conforme a avaliação dos serviços de saúde.
Em determinadas situações, esses contatos podem receber quimioprofilaxia, ou seja, antibióticos usados de forma preventiva para reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
Além disso, a doença meningocócica pode provocar meningococcemia, quando a bactéria chega à corrente sanguínea. Nesse quadro, podem surgir manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, que exigem avaliação médica imediata, conforme orientações do Ministério da Saúde.
Dados do Ministério da Saúde referentes ao primeiro semestre de 2025 mostram que, entre os casos de doença meningocócica com sorogrupo identificado, o sorogrupo B representou 54,7%, enquanto o sorogrupo C respondeu por 33,7%.
Meningite pneumocócica
A meningite pneumocócica é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae. O microrganismo pode permanecer no nariz e na garganta de pessoas saudáveis sem provocar sintomas.
Entretanto, em determinadas situações, a bactéria pode alcançar a corrente sanguínea e chegar às meninges. Além disso, a infecção pode estar associada a quadros como otite, sinusite e pneumonia.
A doença pneumocócica apresenta características epidemiológicas diferentes da doença meningocócica. Por isso, a conduta em relação aos contatos também não é a mesma e, em geral, a meningite pneumocócica não exige quimioprofilaxia dos contatos.

Meningite por Hib
A meningite causada pelo Haemophilus influenzae tipo b também pode ser transmitida por secreções respiratórias. Antes da ampla utilização da vacina, a doença atingia principalmente crianças pequenas não vacinadas.
Com a vacinação, os casos relacionados ao Hib caíram de forma expressiva. Dessa maneira, manter a imunização atualizada continua sendo uma das principais medidas de prevenção contra a doença invasiva provocada pela bactéria.
Outras causas
Além das formas bacterianas, a meningite pode apresentar origem viral, fúngica ou parasitária.
As meningites fúngicas e parasitárias são menos comuns e aparecem principalmente em pessoas com alterações no sistema imunológico. Já a meningite tuberculosa ocorre pela ação da bactéria responsável pela tuberculose.
Também existem meningites de origem não infecciosa. Entre as possíveis causas estão traumas, doenças inflamatórias e reações a medicamentos, segundo o Ministério da Saúde.
Bahia registrou 429 casos de meningite em 2025
Os dados estaduais ajudam a dimensionar o cenário da doença na Bahia.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Meningites da SESAB, o estado confirmou 429 casos e 53 óbitos em 2025. Em comparação com 2024, os registros apresentaram queda de 11% nos casos e de 16% nas mortes.
A meningite bacteriana concentrou 186 casos, enquanto a forma viral somou 114. Outros 94 registros foram classificados como meningite não especificada e 35 como meningite por outras etiologias.
A distribuição também variou entre as regiões. A Macrorregião Leste concentrou 217 casos, com coeficiente de incidência de 4,9 casos por 100 mil habitantes. A Centro-Leste registrou 63 casos, e a Sudoeste, 49.
Entre os municípios, Salvador concentrou 62 casos de meningite bacteriana, o equivalente a 33% dos registros dessa forma da doença no estado em 2025.
Já entre os casos de meningite bacteriana na Bahia, a SESAB registrou 37 óbitos em 2025, resultando em letalidade de 20%. Em 2024, foram 39 mortes entre 202 casos, com letalidade de 19%.
Os dados estaduais reforçam, portanto, a necessidade de manter a vigilância, a vacinação e o atendimento adequado diante de sintomas suspeitos.
Quem tem maior risco de desenvolver formas graves
Crianças estão entre os grupos mais afetados pela meningite, especialmente as menores de cinco anos. O Ministério da Saúde informa que crianças menores de cinco anos estão entre as mais atingidas pela doença.
Além disso, pessoas idosas e indivíduos imunocomprometidos podem apresentar maior risco de evolução grave.
No entanto, a gravidade depende de diferentes fatores. Entre eles estão o agente causador, a idade e as condições de saúde do paciente. Portanto, a presença de determinado sintoma não permite prever sozinha como a doença vai evoluir.
Vacinação ajuda a prevenir formas graves
A vacinação representa uma das principais formas de prevenção contra meningites bacterianas. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas que protegem contra diferentes agentes associados à doença, conforme o Ministério da Saúde.
Entre elas estão:
- BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa;
- pneumocócica, que previne doenças invasivas causadas por pneumococos;
- pentavalente, que inclui proteção contra o Haemophilus influenzae tipo b;
- meningocócica C, que protege contra o meningococo do sorogrupo C;
- meningocócica ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
A oferta e o esquema de vacinação variam conforme a idade e as condições de saúde. Por isso, o leitor deve consultar o Calendário Nacional de Vacinação para verificar as doses indicadas para cada faixa etária.
Na rede privada, também existem vacinas contra outros sorogrupos do meningococo, incluindo a meningocócica B. A disponibilidade e a indicação podem variar conforme o serviço e a avaliação individual.
Para o infectologista Marcelo Cordeiro, a imunização representa uma das principais ferramentas para reduzir o risco das formas bacterianas.
“A imunização mudou a história das meningites bacterianas. Manter as vacinas em dia é uma das medidas mais eficazes para prevenir formas graves da doença”
Assim, manter a caderneta de vacinação atualizada continua sendo uma medida importante para a prevenção.
Quais são os sintomas da meningite
Os sintomas podem variar conforme o agente causador. Entretanto, alguns sinais aparecem com frequência nos casos de meningite.
Entre os principais estão:
- febre alta;
- dor de cabeça intensa;
- rigidez no pescoço;
- náuseas e vômitos;
- sensibilidade à luz.
Esses sinais são descritos pelo Ministério da Saúde na página oficial sobre sintomas da meningite.
Em bebês, os sinais podem mudar. Irritabilidade, choro persistente e fontanela abaulada podem aparecer e precisam de avaliação profissional.
Nos casos de doença meningocócica com disseminação da bactéria pelo sangue, também podem surgir manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele.
Além disso, outros sinais podem aparecer, como sonolência, prostração e convulsões. Por isso, diante de um conjunto de sintomas compatíveis, a pessoa deve buscar atendimento.
A presença desses sinais, isoladamente, não permite determinar qual tipo de meningite o paciente apresenta. Dessa forma, a avaliação médica continua essencial.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a avaliação clínica do paciente. Em seguida, a equipe de saúde pode solicitar exames para identificar o agente causador.
Um dos principais procedimentos é a coleta e análise do líquor, líquido que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal. Exames de sangue, cultura e testes moleculares também podem auxiliar na investigação.
A identificação do agente ajuda a equipe médica a definir o tratamento e as medidas de vigilância epidemiológica.
Na Bahia, a SESAB informa que a confirmação laboratorial pode utilizar exames como hemocultura, análise do líquor, PCR, aglutinação pelo látex e bacterioscopia, conforme o caso.

Quando procurar atendimento
Diante de febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, vômitos, sensibilidade à luz ou outros sinais compatíveis com meningite, a pessoa deve procurar atendimento médico imediatamente.
O Ministério da Saúde orienta atendimento imediato diante de sinais de gravidade, como confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.
O mesmo vale para bebês que apresentem irritabilidade incomum, choro persistente, alteração do comportamento ou fontanela abaulada.
Além disso, manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, especialmente quando aparecem junto de febre e outros sintomas, exigem avaliação imediata.
A rapidez importa porque algumas formas de meningite, principalmente as bacterianas, podem evoluir de maneira acelerada.
Como explica Marcelo Cordeiro:
“Não dá para esperar. Diante desses sintomas, a pessoa deve procurar atendimento imediatamente, porque o tratamento precoce reduz o risco de sequelas e de morte”
Por isso, o paciente não deve tentar identificar em casa se a meningite é viral ou bacteriana. Essa diferenciação depende de avaliação clínica e exames, e a equipe de saúde deve definir a conduta.
Prevenção depende de vacinação e atenção aos sinais
A meningite reúne diferentes doenças, com causas, formas de transmissão e tratamentos distintos. Ainda assim, a vacinação continua entre as principais estratégias para prevenir formas graves, especialmente aquelas provocadas por bactérias.
Além de manter o calendário vacinal atualizado, é importante reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento rapidamente diante de uma suspeita.
Em caso de dúvida sobre vacinação, sintomas ou exposição a uma pessoa diagnosticada, o paciente deve procurar um serviço de saúde. Informações atualizadas também podem ser consultadas nos canais oficiais do Ministério da Saúde e da Secretaria da Saúde da Bahia.
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