Campanha reforça sinais de alerta, importância do diagnóstico precoce e chama atenção para doenças raras, como a neuromielite óptica, que podem causar perda visual rápida e irreversível. A campanha Abril Marrom, dedicada à conscientização sobre a cegueira e as deficiências visuais, reforça um alerta importante: o diagnóstico precoce pode evitar perda visual irreversível e complicações graves.
Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 7,9 milhões de brasileiros têm dificuldade para enxergar, o que torna a deficiência visual a mais comum no país. Ao todo, o Brasil soma 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o equivalente a 7,3% da população. O cenário acende um sinal de alerta para a importância do cuidado com a visão.
Além das doenças mais conhecidas, o Abril Marrom também chama atenção para condições raras e incapacitantes, como a neuromielite óptica (NMO). Trata-se de uma doença autoimune inflamatória que atinge principalmente o nervo óptico e a medula espinhal.
Por ser rara e frequentemente confundida com outras doenças neurológicas, como a esclerose múltipla, o diagnóstico costuma ser tardio, o que aumenta o risco de sequelas permanentes.
Doença rara pode causar perda visual severa
Os primeiros sinais da neuromielite óptica podem incluir dor ocular, perda súbita da visão em um ou ambos os olhos, fraqueza muscular e alterações na sensibilidade. Em muitos casos, os episódios são recorrentes e progressivos.

A psicóloga Marcela Mustefaga, que possui visão monocular, conta que inicialmente subestimou os sintomas. Segundo ela, é comum associar problemas nos olhos a algo simples. “Quando percebi meu olho ficando embaçado, com dor e a visão sumindo, imaginei que um colírio resolveria”, relata.
Com o avanço do quadro, Marcela perdeu a visão de um olho e chegou a ficar temporariamente sem enxergar. Ela destaca que o impacto vai além da limitação física, afetando também o emocional.
Diagnóstico precoce é decisivo
O neuro-oftalmologista Dr. Wander Borges explica que, em doenças como a NMO, o tempo faz toda a diferença. A perda visual pode acontecer de forma rápida e intensa. “A perda visual na neuromielite óptica ocorre de forma aguda e severa, podendo se instalar em poucas horas ou dias”, afirma.
Segundo o especialista, ao contrário de doenças oculares mais comuns, que evoluem lentamente, a NMO exige suspeita precoce. Existe uma janela terapêutica nos primeiros dias que pode evitar danos irreversíveis.
Ele também reforça que muitos casos de cegueira poderiam ser evitados com acompanhamento adequado. Mais de 60% dos casos são preveníveis, especialmente quando sintomas como visão embaçada persistente, perda de campo visual e manchas escuras são investigados rapidamente.Pessoas com diabetes e indivíduos a partir dos 40 anos devem manter acompanhamento oftalmológico regular, principalmente para rastreio do glaucoma.

Sintomas ainda são ignorados
Mesmo com sinais claros, muitos pacientes demoram a procurar atendimento. Dor nos olhos e visão embaçada costumam ser atribuídas ao cansaço ou estresse. Esse atraso pode ser decisivo, principalmente em doenças inflamatórias que atingem o nervo óptico, onde o tratamento precoce aumenta as chances de preservar a visão.
Conscientização ainda é essencial
Para especialistas e pacientes, campanhas como o Abril Marrom cumprem um papel fundamental na informação e no estímulo ao autocuidado. Marcela destaca que a conscientização também ajuda a reduzir preconceitos e ampliar a compreensão sobre deficiências visuais que nem sempre são visíveis.
“O Abril Marrom é um alerta importante para o autocuidado da visão”, afirma Marcela.
Ela lembra que, no caso da neuromielite óptica, o olho pode parecer normal, mesmo quando há perda visual significativa, o que ainda gera julgamentos e falta de compreensão no dia a dia.
