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Diferentes tipos de chocolate

Foto: Magnific

Chocolate ou ultraprocessado? Lei expõe armadilhas nos rótulos

CHOCOLATES E SAÚDE

Nutricionista alerta que teor de cacau não garante produto saudável e reforça atenção ao açúcar e aos ultraprocessados

Tempo de Leitura: 3 minutos

A aprovação da Lei 15.404/2026, que estabelece percentuais mínimos de cacau e novas regras para a composição de chocolates no Brasil, deve aumentar a transparência sobre os produtos vendidos no mercado. Além disso, a medida pode expor alimentos que, apesar da aparência semelhante ao chocolate tradicional, possuem formulações mais próximas dos ultraprocessados.

Segundo a nutricionista e professora do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Daniela Medeiros, a nova regulamentação ajuda o consumidor a diferenciar produtos que realmente contêm cacau daqueles comercializados apenas com “sabor chocolate”.

Maior teor de cacau nem sempre significa opção saudável

De acordo com a especialista, a discussão ultrapassa o paladar e envolve impactos importantes na saúde pública. Embora o cacau apresente propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o valor nutricional do chocolate depende principalmente da quantidade de açúcar e da qualidade das gorduras utilizadas na composição.

Muitas pessoas acreditam que quanto maior o teor de cacau, mais saudável é o produto. No entanto, isso nem sempre acontece. Alguns produtos podem ter 35% de cacau e, ainda assim, apresentar excesso de açúcar e perfil nutricional inadequado”, explica Daniela Medeiros.

A nutricionista destaca ainda que produtos classificados como “sabor chocolate” costumam ter baixo teor de cacau e maiores concentrações de açúcar, gordura vegetal e aromatizantes. Por isso, muitos entram na categoria dos ultraprocessados, frequentemente associada ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Esses alimentos passam por formulações industriais complexas e incluem ingredientes que não fazem parte de preparações naturais. Quando consumidos com frequência, podem favorecer processos inflamatórios e alterações metabólicas”, afirma.

Outro ponto de atenção envolve o uso de gorduras vegetais hidrogenadas em parte desses produtos. Segundo a especialista, esse tipo de ingrediente pode elevar os níveis de colesterol LDL, considerado prejudicial para a saúde cardiovascular.

Marketing pode influenciar escolhas do consumidor

Além disso, Daniela Medeiros alerta para o chamado “efeito saudável” provocado pelo marketing de produtos com maior percentual de cacau. “O consumidor vê números maiores no rótulo e acaba acreditando que o alimento está liberado para consumo sem limites. Porém, mesmo versões amargas continuam sendo alimentos calóricos e exigem moderação”, ressalta.

Apesar dos alertas, a docente reforça que o chocolate não precisa ser retirado da alimentação. A recomendação é priorizar versões com maior concentração de cacau, menos açúcar e consumo equilibrado.

Estudos indicam que o consumo moderado de 20 a 30 gramas de chocolate amargo, com mais de 70% de cacau, pode trazer benefícios cardiovasculares por causa dos flavonoides. Ainda assim, o alimento deve fazer parte de um padrão alimentar saudável”, orienta.

homem verificando rotulo no mercado
Imagem: Magnific

Fiscalização e educação alimentar serão fundamentais

Na avaliação da especialista do CEUB, a nova legislação representa um avanço importante ao exigir mais clareza na rotulagem dos produtos. Entretanto, ela ressalta que a efetividade da medida dependerá da fiscalização e do comprometimento da indústria.

A lei contribui para reduzir a diluição excessiva de cacau nos produtos. Porém, sem fiscalização rigorosa, existe o risco de que as mudanças fiquem apenas no papel, sem impacto real na qualidade dos alimentos disponíveis no mercado”, pontua.

Para Daniela Medeiros, a educação alimentar também será essencial para que os consumidores façam escolhas mais conscientes. “A rotulagem ajuda, mas a educação nutricional continua sendo decisiva. Se as pessoas não compreenderem o significado do percentual de cacau e da redução de açúcar, essas informações podem virar apenas mais uma estratégia de marketing”, conclui.

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