Prática, indolor e acessível, a depilação com lâmina segue como um dos métodos mais utilizados para remoção de pelos. Apesar da popularidade, o procedimento ainda é cercado por dúvidas e crenças populares, como a ideia de que o uso frequente pode engrossar os fios ou escurecer a pele.
Segundo a dermatologista Camila Rosa, muitos desses receios estão ligados a interpretações equivocadas sobre o funcionamento do corpo. A especialista explica que a estrutura do pelo não é alterada pela lâmina. “O que muitos confundem com o ‘engrossamento’ é, na verdade, um efeito visual causado pelo corte rente à superfície. A espessura e a forma do fio são determinadas pela genética, e não pelo método de remoção”, afirma.
Crescimento dos pelos não é acelerado
Uma das dúvidas mais comuns é se a lâmina faz o pelo crescer mais rápido. De acordo com a dermatologista, isso não acontece. O que ocorre é uma percepção diferente após o corte.
“A lâmina corta o fio rente à pele, diferente de métodos que retiram pela raiz. Isso pode dar a sensação de crescimento mais rápido, já que o pelo está mais próximo da superfície, mas o uso da lâmina não acelera o crescimento”, explica.
Manchas podem surgir por uso inadequado
Outro mito bastante difundido é o de que a lâmina escurece a pele. Segundo a especialista, o problema não está no método em si, mas na forma como ele é realizado.
O uso de lâminas cegas, de baixa qualidade ou o hábito de depilar a pele seca pode causar microlesões e inflamações. Como resposta, o organismo pode produzir mais melanina, resultando em manchas conhecidas como hiperpigmentação pós-inflamatória, condição mais comum em peles negras e morenas.

Frequência depende da saúde da pele
Depilar-se diariamente não é necessariamente prejudicial, desde que a pele esteja saudável e os cuidados adequados sejam adotados. A orientação é utilizar lâminas adequadas e realizar o procedimento com movimentos suaves.
“A depilação pode ser feita com frequência se a pele não estiver sensibilizada. O ideal é deslizar a lâmina no sentido do crescimento do pelo e evitar pressão excessiva”, orienta a dermatologista.
Além disso, o uso da lâmina a seco deve ser evitado. A prática pode comprometer a barreira cutânea e aumentar o risco de irritações. O recomendado é utilizar produtos que facilitem o deslizamento, como géis ou espumas específicos para depilação.
Escolha da ferramenta influencia no resultado
A tecnologia do aparelho utilizado também interfere diretamente na saúde da pele. Segundo a especialista, lâminas desenvolvidas para acompanhar as curvas do corpo ajudam a reduzir o risco de cortes e irritações.
“Aparelhos com cabeças pequenas, flexíveis e móveis alcançam áreas difíceis e se ajustam às curvas do corpo sem exigir pressão excessiva, o que diminui significativamente o risco de microlesões e foliculite”, explica.
Outro recurso indicado são as fitas lubrificantes com substâncias hidratantes, como o aloe vera, que auxiliam na proteção da pele durante o procedimento.

Cuidados essenciais após a depilação
Algumas medidas simples podem reduzir o risco de irritações e garantir melhores resultados após a depilação. Entre elas estão:
• Substituir a lâmina ao primeiro sinal de desgaste ou desconforto
• Evitar deixar o aparelho em contato constante com água ou superfícies úmidas
• Utilizar lâminas com boa firmeza no manuseio
• Hidratar a pele após o procedimento para auxiliar na recuperação da barreira cutânea
Irritações são mais frequentes em períodos quentes
Durante períodos de maior exposição ao calor, como no verão, a frequência da depilação tende a aumentar, assim como os relatos de desconfortos cutâneos. Irritações, vermelhidão e reações alérgicas são queixas comuns associadas ao uso inadequado das lâminas.
Por isso, especialistas reforçam que o cuidado com a pele e a escolha de produtos adequados são fatores fundamentais para evitar problemas dermatológicos e garantir uma depilação segura.
