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Brasil

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Foto: Freepik

Descongestionantes nasais: alívio rápido com riscos ocultos

CONGESTÃO NASAL

Médico faz alerta em relação aos riscos associados ao uso prolongado desse tipo de medicamento e explica quais as alternativas mais seguras

Tempo de Leitura: 3 minutos

Os descongestionantes nasais são uma solução comum para quem sofre com a obstrução nasal, proporcionando alívio em situações como resfriados, alergias e sinusites. Entretanto, o uso indiscriminado e prolongado desses medicamentos pode levar a problemas de saúde sérios, conforme alerta o Dr. Ramon Terra, médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

“Embora esses medicamentos sejam eficazes para aliviar a congestão, seu uso excessivo pode causar uma série de efeitos colaterais indesejados, como elevação da pressão arterial, palpitações, dores de cabeça e sintomas de ansiedade. E isso vale para todos, sejam os orais (como a pseudoefedrina e a fenilefrina) ou os tópicos (como a nafazolina e a oximetazolina)”, explica o especialista.

Dependência
Além dos efeitos colaterais sistêmicos, o médico explica que o uso contínuo de descongestionantes pode prejudicar a mucosa nasal e, o pior, causar dependência. O efeito vasoconstritor dessas substâncias pode comprometer a circulação sanguínea nas mucosas, levando ao ressecamento e à irritação. Isso pode criar um ciclo vicioso: à medida que a congestão retorna, muitos recorrem novamente aos medicamentos, intensificando essa relação compulsiva.

Dr. Ramon também alerta para os sinais de que alguém pode estar usando descongestionantes em excesso. “A utilização prolongada pode resultar em rinite medicamentosa, uma condição caracterizada pela vasodilatação e obstrução nasal persistente”, destaca.

Priorizar alternativas mais seguras
Nesse contexto, o especialista explica que o ideal é sempre priorizar as alternativas mais seguras. “A lavagem nasal com soluções salinas é uma abordagem eficaz, que promove a limpeza mecânica e melhora a função mucociliar, não apenas tratando a obstrução, mas também aliviando sintomas. Portanto, ela pode servir sempre como uma primeira tentativa e pode ser executada a longo prazo, sem qualquer problema”, orienta.

Oral ou nasal?
Já para os casos que envolvem doenças infecciosas das vias aéreas superiores ou doenças inflamatórias do nariz e seios paranasais (ou seja, mais graves), o médico concorda que é necessário o uso de medicação. “Elas são de extrema importância para esse tipo de tratamento, em que pesem os efeitos destacados acima. Por isso, devem ser utilizadas com muito cuidado – de preferência, com indicação médica.”

A mesma recomendação vale para os sprays de corticosteroides nasais, que, segundo o especialista, também se destacam como opções viáveis – mas, igualmente, exigem precauções.

Esses medicamentos agem, principalmente, reduzindo a inflamação nas vias aéreas e, inclusive, podem ser utilizados durante um prazo mais longo, pois têm menos efeitos colaterais. Porém, da mesma forma, é preciso seguir as instruções corretamente“, reforça o Dr. Ramon, ao concluir que, seja qual for o meio utilizado, o uso consciente de descongestionantes é crucial para evitar complicações.

Lavagem nasal em crianças
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca que a lavagem nasal tem se tornado uma prática cada vez mais comum, sendo incorporada à rotina de muitas pessoas, quase com a mesma frequência da escovação dos dentes. Diversos dispositivos são utilizados para esse procedimento, desde simples seringas até equipamentos mais sofisticados.

Visando orientar a população sobre os cuidados necessários e os possíveis riscos dessa prática, especialmente em crianças, a SBP lançou o Guia Prático sobre Lavagem Nasal. Saiba mais clicando  aqui.

Recomendações
A Anvisa orienta que o tempo de tratamento máximo com descongestionantes é de até três dias. Além disso, aponta que pacientes com doenças como hipertensão e diabetes não devem utilizar o remédio. Outra recomendação importante é o paciente buscar ajuda médica em caso de sintomas adversos, após a aplicação do medicamento.

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