A Doença de Parkinson é frequentemente associada ao tremor, mas seus sintomas vão muito além das alterações motoras. A condição pode afetar diferentes funções do organismo e, em muitos casos, apresentar sinais silenciosos antes mesmo das manifestações mais conhecidas.
Segundo o neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Dkaion Vilela, a doença envolve diversos sistemas do corpo. “A Doença de Parkinson não afeta apenas os movimentos. Ela também pode impactar sono, humor, memória e várias funções do organismo. Por isso, hoje sabemos que se trata de uma condição neurológica ampla, com sintomas motores e não motores”, explica.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo. Além disso, o número de casos mais que dobrou nas últimas décadas, acompanhando o envelhecimento da população.
O que causa a Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson é crônica e progressiva. Ela ocorre devido à perda de células nervosas responsáveis pela produção de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos.
Com a redução desse neurotransmissor, o cérebro passa a ter dificuldade para coordenar os movimentos de forma natural. Como resultado, surgem sintomas como lentidão, rigidez muscular e tremores.
Sinais que nem sempre são percebidos
Os sinais iniciais podem ser sutis e facilmente ignorados. Por isso, é fundamental observar mudanças persistentes no corpo.
Entre os primeiros indícios estão:
- Alterações na escrita
- Redução do balanço dos braços ao caminhar
- Voz mais baixa
- Sensação de rigidez corporal
- Lentidão para realizar tarefas diárias
Além disso, alguns sintomas podem surgir antes das alterações motoras. Entre eles estão:
- Perda do olfato
- Constipação intestinal
- Distúrbios do sono
Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, ele não está presente em todos os pacientes. Em muitos casos, também não aparece no início da doença, o que pode atrasar o diagnóstico.
Atualmente, o diagnóstico ainda é realizado principalmente de forma clínica, a partir da avaliação do neurologista.
Doença pode surgir antes dos 60 anos
Embora seja mais comum após os 60 anos, a Doença de Parkinson também pode surgir antes dos 50 anos. Esse cenário reforça a importância da atenção aos sinais precoces.
Diante de mudanças persistentes no corpo, a recomendação é buscar avaliação especializada o quanto antes.

Tratamento ajuda a manter qualidade de vida
Apesar de ainda não ter cura, a Doença de Parkinson possui tratamento. O acompanhamento adequado permite controlar sintomas e preservar a autonomia do paciente.
O tratamento envolve o uso de medicamentos, além de acompanhamento médico regular. A prática de atividade física e a reabilitação multiprofissional também contribuem para manter a qualidade de vida.
Para o especialista, a informação tem papel fundamental no enfrentamento da doença. “O diagnóstico não deve ser encarado como uma perda imediata de autonomia. Com acompanhamento adequado, tratamento individualizado e mudanças no estilo de vida, é possível manter uma vida ativa e com qualidade por muitos anos”, pondera Dkaion Vilela.
