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A Doença Renal Crônica pode se tornar uma das principais causas de morte até 2050 e já afeta mais de 800 milhões de adultos no mundo. Silenciosa nas fases iniciais, a doença está associada a fatores como diabetes, hipertensão e obesidade. Exames simples e o diagnóstico precoce ajudam a preservar a função dos rins e retardar a progressão da doença.

Foto: Magnific

Doença renal crônica pode se tornar uma das maiores causas de morte até 2050

SAÚDE RENAL

Crescimento de diabetes, hipertensão e obesidade impulsiona casos e reforça a importância do diagnóstico precoce.

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A Doença Renal Crônica pode se tornar uma das principais causas de morte até 2050 e já afeta mais de 800 milhões de adultos no mundo. Silenciosa nas fases iniciais, a doença está associada a fatores como diabetes, hipertensão e obesidade. Exames simples e o diagnóstico precoce ajudam a preservar a função dos rins e retardar a progressão da doença.
Tempo de Leitura: 6 minutos

A Doença Renal Crônica (DRC) representa um dos principais desafios atuais de saúde pública e pode ocupar a quinta posição entre as principais causas de morte no mundo até 2050. Estudos internacionais recentes, publicados em revistas científicas de referência, como a The Lancet, apontam para o avanço da doença nas próximas décadas.

Atualmente, mais de 800 milhões de adultos convivem com algum grau de doença renal crônica no mundo. No Brasil, cerca de um em cada dez adultos apresenta a condição, segundo estimativas. No entanto, muitas dessas pessoas ainda desconhecem o diagnóstico.

O cenário preocupa principalmente porque a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, os rins perdem parte da capacidade de funcionamento sem provocar sintomas perceptíveis. Assim, o paciente pode descobrir a doença apenas quando o órgão já apresenta um comprometimento significativo.

Para a nefrologista baiana Manuela Lordelo, esse comportamento dificulta a identificação da doença e reforça a necessidade de acompanhamento médico, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco.

“A doença renal crônica é silenciosa. Quando surgem manifestações como inchaço, cansaço excessivo, alteração no volume da urina, espuma persistente na urina ou aumento da pressão arterial, muitas vezes ela já está em estágios mais avançados”, explica.

medindo pressão
Imagem: Magnific

Diabetes e hipertensão aumentam o risco

O crescimento da doença renal crônica acompanha o aumento de condições como diabetes, hipertensão arterial e obesidade. Esses problemas podem provocar danos progressivos aos vasos sanguíneos e às estruturas responsáveis pela filtragem do sangue nos rins.

Por exemplo, a hipertensão pode sobrecarregar os vasos renais durante anos. Já o diabetes pode lesar os pequenos vasos que formam os glomérulos, estruturas responsáveis pela filtragem do sangue.

Além desses fatores, outras condições também aumentam o risco de desenvolver DRC. Entre elas estão doenças cardiovasculares, histórico familiar de doença renal, idade avançada e episódios anteriores de lesão renal aguda.

Por isso, pessoas que integram esses grupos devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de incluir a avaliação da função renal nos exames de rotina.

“Hoje sabemos que identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas faz toda a diferença. Quanto mais cedo iniciamos o tratamento e controlamos os fatores de risco, maiores são as chances de retardar sua progressão e preservar a função dos rins”, afirma Manuela.

Rins podem perder função sem causar dor

Os rins desempenham funções essenciais para o organismo. Eles filtram o sangue, eliminam substâncias que o corpo não precisa, controlam o equilíbrio de líquidos e eletrólitos e participam da regulação da pressão arterial.

Além disso, os órgãos produzem hormônios importantes para a formação das células vermelhas do sangue e para a saúde dos ossos.

Quando ocorre uma perda persistente da função renal, o organismo passa a apresentar dificuldades para realizar essas atividades. Entretanto, esse processo pode acontecer de maneira gradual e sem provocar dor.

Por isso, a ausência de sintomas não significa necessariamente que os rins estejam funcionando normalmente.

Com a progressão da doença, alguns sinais podem aparecer. Entre eles estão inchaço nas pernas, pés ou ao redor dos olhos, cansaço persistente, alterações no volume ou na frequência da urina, urina espumosa, náuseas, coceira e aumento da pressão arterial.

Ainda assim, esses sintomas também podem indicar outros problemas de saúde. Portanto, apenas uma avaliação médica pode determinar a causa.

Exames simples ajudam a detectar a doença

A investigação da doença renal crônica utiliza exames laboratoriais simples e que fazem parte de muitos check-ups de rotina. Entre os principais estão a dosagem de creatinina no sangue e a análise da urina.

O organismo produz creatinina naturalmente e os rins eliminam essa substância pela urina. A partir da concentração de creatinina no sangue, o médico consegue estimar a taxa de filtração glomerular, conhecida como eTFG.

Esse indicador ajuda a avaliar a capacidade dos rins de filtrar o sangue. Além disso, o resultado contribui para identificar possíveis alterações na função renal.

Outro exame importante é a relação albumina/creatinina urinária. O teste identifica a presença de albumina na urina e pode apontar sinais de lesão renal mesmo quando a capacidade de filtragem ainda permanece relativamente preservada.

Esses exames são fundamentais para diagnosticar a doença ainda nas fases iniciais, quando o paciente geralmente não apresenta sintomas. O rastreamento dos grupos de maior risco é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a progressão da doença e evitar complicações futuras”, explica a nefrologista.

Diagnóstico precoce ajuda a preservar os rins

A doença renal crônica apresenta diferentes estágios, de acordo com o nível de comprometimento da função dos rins. Conforme a condição avança, aumentam os riscos de complicações e de insuficiência renal.

Por esse motivo, o diagnóstico precoce representa uma das principais estratégias para preservar a função dos órgãos. A partir da identificação da doença, a equipe de saúde consegue acompanhar a evolução do quadro e controlar fatores que podem acelerar a perda da função renal.

O tratamento varia conforme a causa e o estágio da doença. Em geral, pode envolver medicamentos específicos, controle da pressão arterial e da glicemia, mudanças na alimentação, atividade física e acompanhamento periódico.

Além disso, abandonar o cigarro contribui para a proteção cardiovascular e pode reduzir riscos associados à progressão de doenças que afetam os rins.

Além de reduzir o risco de evolução para insuficiência renal, o diagnóstico precoce permite adotar medidas capazes de evitar ou postergar a necessidade de terapias substitutivas, como a diálise ou o transplante”, destaca Manuela.

Casos avançados podem exigir diálise ou transplante

Quando os rins perdem grande parte da capacidade de desempenhar suas funções, o paciente pode precisar de uma terapia renal substitutiva.

A hemodiálise representa uma das principais opções. Nesse tratamento, uma máquina filtra o sangue e ajuda a retirar substâncias e líquidos que o organismo não consegue eliminar adequadamente.

Outra alternativa é a diálise peritoneal. Nesse caso, o tratamento utiliza o peritônio, uma membrana localizada na região abdominal, para auxiliar no processo de filtragem.

Em determinadas situações, o transplante renal também pode ser indicado. O procedimento coloca um rim saudável no paciente para substituir a função do órgão que deixou de funcionar adequadamente.

No entanto, nem todo paciente com DRC chega a essa etapa. O acompanhamento médico e o controle dos fatores de risco podem retardar a evolução da doença e, em alguns casos, evitar ou postergar a necessidade dessas terapias.

exame de sangue
Imagem: Magnific

Quem precisa redobrar a atenção?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver alterações renais, alguns grupos apresentam maior risco. Por isso, esses pacientes precisam manter acompanhamento regular e conversar com profissionais de saúde sobre a necessidade de realizar exames específicos.

Entre os principais grupos de risco estão:

  • Pessoas com diabetes;
  • Pessoas com hipertensão arterial;
  • Pessoas com obesidade;
  • Pacientes com doenças cardiovasculares;
  • Pessoas com histórico familiar de doença renal;
  • Idosos;
  • Pessoas que já tiveram lesão renal aguda.

Além disso, pacientes que apresentam mais de um desses fatores precisam de atenção ainda maior. Nesses casos, o acompanhamento permite identificar alterações mais cedo e iniciar medidas de proteção dos rins.

Prevenção começa antes dos sintomas

A prevenção da doença renal crônica depende, principalmente, do controle das condições que podem causar ou acelerar a perda da função dos rins.

Manter a pressão arterial e a glicemia sob controle, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e não fumar estão entre as principais medidas.

Da mesma forma, o uso de medicamentos exige orientação profissional. Alguns analgésicos e anti-inflamatórios, quando utilizados de maneira frequente ou inadequada, podem aumentar os riscos de lesão renal em determinadas pessoas.

Por isso, esperar pelos sintomas não é a melhor estratégia. Pessoas que apresentam fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde sobre a realização periódica de exames para avaliar a função dos rins.

“Esses exames são fundamentais para diagnosticar a doença ainda nas fases iniciais, quando o paciente geralmente não apresenta sintomas. O rastreamento dos grupos de maior risco é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a progressão da doença e evitar complicações futuras”, conclui Manuela Lordelo.

Entenda as principais funções dos rins

Os rins trabalham continuamente para manter o equilíbrio do organismo. Entre suas principais funções estão:

  • Filtrar o sangue e eliminar resíduos pela urina;
  • Controlar a quantidade de água e sais minerais no organismo;
  • Participar da regulação da pressão arterial;
  • Produzir hormônios relacionados à formação das células vermelhas do sangue;
  • Contribuir para a manutenção da saúde dos ossos.

Por isso, cuidar da saúde renal também significa controlar doenças como diabetes e hipertensão, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico quando necessário. Como a DRC pode avançar sem apresentar sinais claros, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam entre as principais ferramentas para preservar a função dos rins.

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