Com o tema “As Promessas e Desafios da Inteligência Artificial na Saúde”, o 1º Congresso de Medicina da UnexMED promete ser um dos maiores eventos de inovação e tecnologia em saúde da Bahia. O congresso reunirá estudantes, profissionais, residentes, mestres e doutores de diversas áreas da saúde. Realizado pela UnexMED Jequié, o evento é gratuito e acontecerá no dia 9 de novembro, sábado, das 8h30 às 18h, no Hotel Gandterrara. Os interessados podem se inscrever pelo site do evento.
“Inteligência Artificial e as Doenças do Século” é o tema central do 1º CIUNEX. Para o doutor Radmesse Britto, coordenador do curso de Medicina de Jequié, “o congresso surge como uma iniciativa pioneira voltada para integrar avanços tecnológicos e práticas de saúde”. As Ciências Biológicas, as Ciências da Saúde, as Ciências Sociais Aplicadas e as Engenharias terão espaço nas apresentações.
O debate sobre a importância da interdisciplinaridade na busca por soluções inovadoras e eficazes para os desafios contemporâneos da saúde será apresentado ao público, através de palestras e painéis temáticos. O primeiro CIUNEX vai mostrar de que forma a Inteligência Artificial ou “IA” está transformando o diagnóstico, o tratamento e o monitoramento de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, obesidade e transtornos mentais.
A troca de conhecimentos, a discussão de novas abordagens e o networking com profissionais de saúde serão um dos pontos altos do primeiro Congresso Interdisciplinar da UnexMed Jequié.
Para a professora doutora Luana Reis, coordenadora adjunta do curso de Medicina, “a realização do 1º CIUNEX Jequié é um marco. Além de promover a integração de diversas áreas da saúde em um ambiente interdisciplinar, o evento oferece aos estudantes a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos e participar ativamente da produção científica, com o suporte de professores e profissionais experientes. Nosso objetivo é fortalecer a formação acadêmica, incentivar o diálogo entre diferentes áreas e consolidar o congresso como referência na região, ampliando o impacto na formação de futuros médicos”, esclarece.
O uso da inteligência artificial na saúde
Há cerca de cinco anos, as inovações com machinelearning ou aprendizado de máquina, começaram a fazer parte de diversos processos na medicina. Um dos mais conhecidos é o algoritmo para analisar detalhes de radiografias, imperceptíveis ao olho humano. No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo, todos os raios-x de membros são examinados pela IA. Dessa forma, é possível o médico identificar se o paciente terá possíveis fraturas ou microfraturas.
Poucos médicos falam do uso de inteligência artificial na medicina. Mas, o coordenador e professor efetivo do Eixo de Seção Tutorial da UnexMED de Jequié, o psiquiatra Jefferson Meira Pires, ampliou as possibilidades de avaliação dos seus pacientes assistidos, desde que passou a investir na tecnologia, ainda no mestrado.
Para o especialista, a IA o ajudou a randomizar os pacientes, a colocar em evidência artigos mais significativos, descartar o que não era viável, utilizar nas discussões, priorizar o que poderia ser usado como referência bibliográfica e atualizá-lo sobre o tema de estudo, inclusive com análises estatísticas. Em relação à Psiquiatria, Meira Pires descreve, que nos últimos cinco anos, a IA o ajudou muito na definição do diagnóstico.
Ao reduzir tempo e custos, a inteligência artificial melhora o relacionamento entre pacientes e profissionais. O atendimento médico e os diagnósticos ganham muito mais excelência e agilidade. Além de “apoiar diversas ações de saúde pública, como vigilância de doenças e gestão de sistemas”, a IA, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), “é uma grande promessa para melhorar a prestação de serviços de saúde em todo o mundo, e pode ser utilizada para melhorar a velocidade, a precisão do diagnóstico, a triagem de doenças, auxiliar no atendimento clínico, fortalecer a pesquisa em saúde e o desenvolvimento de medicamentos”.
Primeira cirurgia da coluna com ia aconteceu em 2022
A primeira cirurgia da coluna com o uso da inteligência artificial foi realizada em janeiro de 2022 pelo médico cirurgião Edward Smith, no hospital Rush Health Systems, no estado americano do Mississipi. O softwareUNiD ASI (AdaptiveSpineIntelligenceou Inteligência Espinhal Adaptativa) aplicou inteligência artificial para planejar a cirurgia, prever os resultados e desenvolver os implantes específicos.
A análise das imagens da coluna do paciente foi feita pelo médico responsável e pelos engenheiros biomédicos da Medicrea, empresa especializada em medicina preventiva baseada em big data e tecnologias de machinelearning.
Para otimizar o planejamento do processo, os implantes foram gerados com impressão 3D e entregues no momento da cirurgia. Uma plataforma apresentou as imagens médicas tridimensionais com os dados pré, intra e pós-operatórios. Esse procedimento, em geral, sempre foi usado na prática médica. O que mudou foram as novas funcionalidades, o uso de softwares que ampliaram a capacidade de interpretar sons, imagens e possibilitar aos médicos tomar decisões mais acertadas.
IA na saúde: resultados e desafios
A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou diretrizes quanto ao uso ético da inteligência artificial. O relatório “Considerações Regulatórias sobre o Uso de Inteligência Artificial na Saúde” ressalta “a importância de manter a segurança dos sistemas de IA, para que sejam disponibilizados de forma apropriada para quem precisa”. A OMS defende a regulação para proteger a privacidade, a segurança e a integridade dos pacientes.
A inteligência artificial, sem dúvida, representa um divisor de águas na área da saúde, entretanto, essa inovação também ocasiona grandes desafios, como a segurança cibernética e a ampliação da infodemia, por exemplo. A nova orientação da OMS, em relação a essas questões, visa apoiar os países a regularem a IA, com o objetivo de minimizar estes riscos, tanto no tratamento quanto no diagnóstico das doenças.