A fibromialgia pode afetar a vida sexual das mulheres ao interferir no desejo, na disposição e no conforto durante a intimidade. Dor pélvica, rigidez muscular, fadiga, falta de energia, diminuição da libido, secura vaginal e alterações no sono estão entre os sintomas que podem dificultar as relações sexuais. A hipersensibilidade, característica da condição, também pode fazer com que a mulher perceba o toque de maneira desagradável.
Silenciosa e de caráter crônico, a fibromialgia afeta predominantemente o público feminino. Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que, a cada dez pessoas diagnosticadas com a condição, sete a nove são mulheres.
Além dos impactos físicos, os sintomas podem repercutir sobre aspectos emocionais e sobre a qualidade dos relacionamentos. Por isso, as dificuldades relacionadas à sexualidade podem fazer parte da experiência de mulheres que convivem com a síndrome e precisam entrar nas discussões sobre o acompanhamento da condição.

Sintomas podem interferir no desejo e na intimidade
A dor pélvica e a rigidez muscular podem tornar o contato físico desconfortável. Em alguns casos, a própria hipersensibilidade faz com que a mulher perceba o toque de maneira desagradável, o que interfere na experiência de intimidade.
A fadiga e a falta de energia também podem reduzir a disposição para as relações sexuais. Da mesma forma, alterações no sono podem contribuir para um quadro de cansaço e afetar o bem-estar ao longo do dia.
Outro fator é a diminuição da libido. Quando se associa a sintomas como dor, secura vaginal e hipersensibilidade, a redução do desejo pode fazer com que o momento íntimo deixe de ser prazeroso ou passe a causar desconforto.
Dessa forma, os efeitos da fibromialgia sobre a sexualidade não estão relacionados a um único sintoma. Aspectos físicos, emocionais e sociais podem se combinar e interferir na maneira como a mulher vivencia a própria sexualidade.
Impactos também podem atingir autoestima e relacionamentos
As consequências podem ultrapassar o momento da relação sexual. As possíveis limitações e a ausência da sensação de prazer podem afetar a autoestima e o bem-estar, além de provocar insegurança e frustração.
Quando a doença não é bem compreendida, essas dificuldades também podem resultar no distanciamento entre os parceiros. Nesse contexto, a comunicação sobre os sintomas e sobre as mudanças na vida sexual pode ajudar a evitar que a situação seja interpretada de maneira isolada ou equivocada dentro do relacionamento.
Para a Dra. Emanuela Pimenta, reumatologista da Clínica Ceder, olhar para a vida sexual no contexto da fibromialgia significa cuidar da paciente de maneira integral.
“As causas dos problemas sexuais envolvem uma combinação de fatores físicos, psicológicos e sociais. Como a síndrome modifica a maneira como a mulher vivencia o próprio corpo, possibilitar que ela entenda a relação com os sintomas e busque meios de controlá-los é um importante passo para diminuir as insatisfações, a culpa e abrir mais espaço para o diálogo nos relacionamentos”, afirma.
Cuidado pode envolver diferentes profissionais
Assim como em outras frentes da condição, as mudanças relacionadas à intimidade requerem uma abordagem multidisciplinar, com apoio médico e psicológico.
A depender das necessidades de cada paciente, o tratamento pode envolver diferentes estratégias. Entre elas estão o fortalecimento muscular, a fisioterapia pélvica, os ajustes de medicação e a adoção de práticas voltadas à melhora da consciência corporal e do relaxamento.
Também pode haver direcionamento para aconselhamento sexual. A escolha das estratégias, no entanto, deve considerar as necessidades de cada paciente e a forma como os sintomas interferem em sua rotina e em sua vida íntima.
Por isso, as dificuldades relacionadas à sexualidade não precisam ser analisadas separadamente dos demais sintomas da fibromialgia. Integrar essas queixas ao acompanhamento pode contribuir para que o cuidado considere também a qualidade de vida da mulher.

Por que falar sobre sexualidade durante o acompanhamento?
Apesar de fazer parte da qualidade de vida, a sexualidade ainda pode receber pouca atenção durante o acompanhamento de mulheres com fibromialgia. O constrangimento e a falta de conhecimento sobre a relação entre os sintomas e a vida sexual podem fazer com que essas queixas não cheguem à consulta.
Por isso, conversar abertamente com o reumatologista é fundamental. Relatar alterações no desejo, desconforto durante a intimidade, mudanças na percepção do toque ou outros problemas relacionados à sexualidade permite que o profissional considere essas questões junto aos demais aspectos da condição.
Quando a paciente apresenta essas dificuldades ao profissional, ele pode avaliá-las dentro do contexto de cada caso, em vez de tratá-las como um problema isolado.
Segundo a Dra. Emanuela Pimenta, incluir a sexualidade no acompanhamento da fibromialgia permite ampliar a avaliação e integrar essa dimensão ao cuidado.
“O aspecto sexual faz parte da qualidade de vida. Mas problemas relacionados à sexualidade ainda são pouco abordados durante o acompanhamento da fibromialgia, seja por constrangimento ou falta de conhecimento. Quando essas queixas são compartilhadas, o médico consegue realizar uma avaliação mais minuciosa e encontrar caminhos para a retomada da função sexual, integrando esse cuidado ao tratamento da doença”, pontua a Dra. Emanuela Pimenta.
Assim, a presença de dificuldades na vida sexual deve ser considerada dentro do conjunto de sintomas e impactos que a fibromialgia provoca. Compartilhar essas mudanças com o profissional responsável pelo acompanhamento pode ajudar a identificar os fatores envolvidos e buscar estratégias adequadas às necessidades de cada paciente.
Transparência editorial: Conteúdo produzido e revisado pela equipe do ComSaúde Notícias, com apoio de inteligência artificial em recursos visuais, organização e checagem de informações. A apuração e a responsabilidade editorial são do Portal.


