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homem conversando com médico

Foto: Magnific

Homens quebram tabus sobre fertilidade e testosterona

SAÚDE MASCULINA

Especialistas observam aumento da procura por informações, exames e cuidados com a saúde hormonal masculina.

Tempo de Leitura: 3 minutos

Durante décadas, temas como testosterona, fertilidade masculina e saúde emocional permaneceram cercados por silêncio. Sintomas como cansaço constante, queda da libido, alterações de humor e dificuldades para ter filhos raramente eram discutidos entre amigos, familiares ou até mesmo durante consultas médicas.

No entanto, especialistas observam uma mudança gradual nesse cenário. Homens de diferentes faixas etárias têm buscado mais informações, diagnóstico e tratamento, contribuindo para ampliar um debate que, por muito tempo, foi evitado.

Essa transformação acompanha mudanças culturais relacionadas à saúde mental, ao envelhecimento saudável e ao autocuidado masculino. Como resultado, cresce a procura por avaliações hormonais, especialmente entre homens acima dos 40 anos. Ao mesmo tempo, pacientes mais jovens também demonstram preocupação com fertilidade, qualidade do sono, estresse e desempenho físico.

homem conversando com médico
Imagem: Magnific

Mais abertura para falar sobre sintomas

Segundo a doutora em Engenharia Biomédica, cientista e farmacêutica Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal e cofundadora da bio meds Brasil, um dos principais avanços está na disposição dos pacientes para abordar questões que antes eram tratadas com constrangimento.

“Por muito tempo, o homem foi educado para suportar desconfortos em silêncio. Hoje percebemos pacientes mais atentos ao próprio corpo e mais abertos para discutir libido, cansaço, ansiedade e fertilidade sem tanto constrangimento”, afirma.

A especialista destaca que essa mudança favorece o diagnóstico precoce e amplia as possibilidades de tratamento, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

Andropausa ainda gera dúvidas

A Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), popularmente conhecida como andropausa, continua sendo um tema que desperta debates entre especialistas. Diferentemente da menopausa feminina, a condição não ocorre de forma abrupta nem afeta todos os homens da mesma maneira.

Ainda assim, a redução dos níveis de testosterona pode provocar impactos importantes na saúde. Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga, perda de massa muscular, irritabilidade, dificuldade de concentração e diminuição do desejo sexual.

Entretanto, especialistas alertam que nem todos esses sinais estão necessariamente ligados à queda hormonal. Em muitos casos, fatores como estresse, sedentarismo, alimentação inadequada e privação de sono também podem influenciar o bem-estar físico e emocional.

Fertilidade masculina entra em pauta

Além das questões hormonais, a fertilidade masculina tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde do homem. Estudos realizados em diferentes países apontam uma redução progressiva na qualidade do sêmen, fenômeno associado a fatores como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, exposição ao calor e elevados níveis de estresse.

Apesar disso, muitos homens ainda procuram ajuda especializada de forma tardia por acreditarem que a infertilidade está relacionada principalmente às mulheres.

“Quando um casal enfrenta dificuldade para engravidar, é fundamental investigar os dois lados. Hoje, sabemos que fatores masculinos podem representar a causa em até 30%, de modo isolado, ou até metade dos casos, quando associados a fatores femininos. O lado positivo é que a maioria dos cenários é tratável, mas ainda existe resistência em procurar avaliação, o que poderia tornar os tratamentos mais rápidos e efetivos, evitando anos de frustração do casal”, explica o médico urologista Edgar Sarmento.

Uso de testosterona exige acompanhamento médico

Com o aumento das discussões sobre saúde hormonal, especialistas também reforçam a importância de evitar a automedicação e o uso inadequado da testosterona.

“A testosterona não é uma fórmula mágica para disposição ou performance. Existe indicação clínica específica, baseada em exames e sintomas. O uso inadequado pode trazer consequências importantes, inclusive para a fertilidade”, alerta Izabelle Gindri.

Segundo os especialistas, qualquer reposição hormonal deve ser realizada somente após avaliação médica criteriosa e acompanhamento adequado.

homem fazendo atividade física
Imagem: Magnific

Saúde emocional e hormônios caminham juntos

Outro tema que vem ganhando relevância é a relação entre saúde emocional e equilíbrio hormonal. Condições como ansiedade, depressão, exaustão profissional e distúrbios do sono podem interferir diretamente no funcionamento do organismo.

Por isso, os especialistas defendem uma abordagem integrada, que inclua prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento psicológico e hábitos saudáveis.

Mais do que tratar doenças, essa visão busca promover qualidade de vida e prevenir problemas futuros.

Mudança cultural fortalece o autocuidado

Para os especialistas, a quebra dos antigos tabus representa um avanço importante não apenas para a medicina, mas também para as relações sociais.

Ao falar mais sobre envelhecimento, vulnerabilidade e bem-estar, os homens passam a construir uma relação mais preventiva e menos rígida com a própria saúde.

“O autocuidado deixou de ser visto como fragilidade. Muitos homens hoje desejam envelhecer com qualidade, manter a energia, preservar vínculos afetivos e viver melhor. Essa mudança cultural talvez seja o aspecto mais positivo de todos”, conclui Gindri.

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