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O infarto pode começar com sintomas leves ou diferentes da dor intensa no peito. Falta de ar, náusea, suor frio e cansaço incomum podem indicar o problema e reforçam a importância de buscar atendimento rapidamente.

Foto: Imagem gerada por IA

Infarto pode começar com sintomas leves: veja os sinais e quando procurar ajuda

SINAIS DE INFARTO

Falta de ar, náusea, suor frio e cansaço incomum podem surgir mesmo sem dor intensa no peito e exigem atenção.

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O infarto pode começar com sintomas leves ou diferentes da dor intensa no peito. Falta de ar, náusea, suor frio e cansaço incomum podem indicar o problema e reforçam a importância de buscar atendimento rapidamente.
Tempo de Leitura: 5 minutos

“Vou esperar para ver se passa.” Quando surgem desconforto no peito, mal-estar, náusea ou falta de ar, essa pode parecer uma reação comum. No entanto, esperar os sintomas desaparecerem pode atrasar o atendimento de um infarto, comprometendo a quantidade de músculo cardíaco que pode ser preservada.

O relógio começa a correr desde o início dos sintomas. Muitas vezes, a pessoa minimiza o que está sentindo ou atribui o desconforto a gases, azia, ansiedade, cansaço ou dor muscular. Com isso, pode demorar para procurar atendimento.

A cardiologista Dra. Bianca Maria Prezepiorski, do Hospital Cardiológico Costantini, explica que o infarto nem sempre aparece com a dor intensa que costuma surgir no imaginário popular.

“As pessoas imaginam que o infarto sempre começa com uma dor muito forte e repentina. Mas, em alguns casos, ele pode começar de forma mais sutil, com pressão ou desconforto no peito, falta de ar, náusea, suor frio ou um cansaço diferente do habitual. A dor também pode irradiar para o braço, costas, mandíbula ou estômago.”

Nem sempre há dor forte no peito

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sinais de um infarto podem variar. O quadro pode provocar pressão, aperto ou desconforto no peito. Além disso, pode causar falta de ar, náusea, tontura, suor frio e desconforto nos braços, ombros, mandíbula, pescoço ou costas.

A intensidade dos sintomas também varia. Em alguns casos, eles começam de maneira gradual. Depois, podem ir e voltar.

Por isso, a ausência de uma dor intensa não significa que o problema seja necessariamente menos grave.

Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem apresentar manifestações menos típicas. Dessa forma, o quadro pode ficar mais difícil de reconhecer. Entre os sinais possíveis estão falta de ar, cansaço incomum, náusea, desconforto semelhante à indigestão, tontura e dores nas costas ou na mandíbula.

A cardiologista reforça que sintomas como falta de ar sem explicação, suor frio, náusea, fraqueza intensa ou cansaço fora do habitual também merecem atenção.

“Não se deve ignorar uma falta de ar inexplicada, suor frio, náusea, fraqueza intensa ou um cansaço diferente do habitual simplesmente porque não existe aquela dor no peito que aparece nos filmes.”

“Deve ser gases”

Um dos riscos está em tentar encontrar uma explicação para o sintoma antes de procurar atendimento. Refluxo, azia, dor muscular e ansiedade podem causar sintomas semelhantes aos de problemas cardíacos, o que dificulta a identificação da origem do desconforto em casa.

Por isso, a orientação não é tentar fazer esse diagnóstico sozinho.

O paciente não precisa saber distinguir em casa se aquilo é uma dor cardíaca, uma dor muscular, refluxo ou ansiedade. Essa avaliação deve ser feita por um profissional de saúde. O perigo está em assumir que não é nada e esperar horas para procurar ajuda.”

Além disso, os sintomas não precisam ser incapacitantes para justificar uma avaliação. Eles podem surgir com diferentes intensidades, desaparecer por algum tempo e voltar posteriormente.

Assim, quando existe uma combinação de sinais sugestivos de infarto, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular, a demora pode representar perda de tempo importante para o tratamento.

homem com dor no peito no médico
Imagem: Magnific

Por que o tempo é tão importante?

O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco é interrompido, geralmente por uma obstrução em uma artéria coronária. Sem receber sangue e oxigênio adequadamente, o tecido cardíaco começa a sofrer danos.

Quanto mais tempo essa interrupção permanece, maior pode ser a quantidade de músculo afetada.

Por isso, a expressão “tempo é músculo” aparece na cardiologia para reforçar a importância de restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo. A reperfusão, ou seja, o restabelecimento do fluxo de sangue para o coração, pode limitar a extensão do dano e contribuir para o prognóstico do paciente.

A cardiologista explica que o tempo até o atendimento não depende apenas da estrutura hospitalar.

“Quando uma coronária está obstruída, existe uma janela de tempo para preservar o músculo cardíaco. Quanto mais cedo o fluxo é restabelecido, maior a possibilidade de preservar o coração e reduzir as consequências do infarto.”

Nesse processo, é importante diferenciar dois períodos. O primeiro corresponde ao tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao atendimento. O segundo considera o período entre a entrada no hospital e a abertura da artéria.

O primeiro depende principalmente da decisão do paciente ou de quem está ao seu redor de buscar ajuda. Já o segundo envolve o atendimento hospitalar, o diagnóstico e, quando indicado, a realização de procedimentos para restabelecer o fluxo sanguíneo.

Hospital informa tempo porta-balão de 49 minutos

Segundo o Hospital Cardiológico Costantini, o tempo porta-balão médio informado pela instituição é de 49 minutos para os pacientes submetidos à angioplastia primária. O indicador considera o período entre a entrada do paciente no hospital e a abertura da artéria por meio do procedimento.

A estrutura hospitalar permite organizar equipes, protocolos e o atendimento no setor de hemodinâmica. Entretanto, essa estrutura só entra em ação depois que o paciente chega ao serviço de saúde.

O hospital consegue estruturar uma equipe, estabelecer protocolos e preparar a hemodinâmica para agir rapidamente. Mas não consegue controlar as horas que o paciente passou em casa esperando os sintomas passarem. A informação sobre os sinais do infarto também é uma forma de preservar músculo cardíaco.”

Não espere ter certeza

Diante de sintomas que possam indicar um infarto, a orientação é procurar atendimento de emergência em vez de esperar para ter certeza sobre a causa.

É melhor chegar ao pronto atendimento e descobrir que não era um problema cardíaco do que descobrir tarde demais que era um infarto. Se os sintomas forem persistentes ou sugestivos, principalmente quando existem fatores de risco, é importante procurar atendimento imediatamente.”

No Brasil, em situações de emergência, o SAMU pode ser acionado pelo número 192. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia.

A orientação vale especialmente diante de sintomas como desconforto ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, tontura, fraqueza intensa ou desconforto que se espalha para braços, costas, pescoço ou mandíbula.

Em caso de suspeita de infarto, não é necessário esperar os sintomas ficarem mais fortes para buscar atendimento.

Informação também faz parte da prevenção

A proximidade do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta das doenças cardiovasculares e saber quando procurar atendimento.

Para a cardiologista, conhecer os sintomas ajuda a diminuir a possibilidade de que um quadro potencialmente grave seja confundido com situações menos urgentes.

“Reconhecer os sintomas também faz parte da prevenção. Saber que um infarto pode começar de forma diferente daquela que imaginamos ajuda a tomar uma decisão mais rápida diante de um sinal de alerta.”

 

 

 

 

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