No Brasil, estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas convivam com algum grau da doença, enquanto mais de 170 mil dependem de diálise para sobreviver. Na Bahia, o cenário também chama atenção. Atualmente, mais de 10 mil pessoas realizam tratamento de hemodiálise nas redes pública e privada, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial apresenta algum grau de Doença Renal Crônica (DRC). No Brasil, aproximadamente 7% dos adultos são diagnosticados com a doença, cerca de 20 milhões de brasileiros. No entanto, esse percentual triplica entre pessoas com mais de 60 anos, conforme dados do Ministério da Saúde.
Diagnóstico tardio preocupa especialistas
Um dos principais desafios no enfrentamento da doença renal crônica é o diagnóstico tardio. Isso ocorre porque a condição pode evoluir lentamente e sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce.
Nesse contexto, o rastreamento torna-se essencial para detectar alterações na função dos rins antes que a doença avance. Dessa forma, aumentam as chances de acompanhamento adequado e de prevenção de complicações mais graves.Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN-BA), a nefrologista Ana Flávia Moura, muitos pacientes só descobrem a doença quando ela já está em estágios avançados.
“A doença renal crônica costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas pessoas só descobrem que têm alteração na função dos rins quando já estão em estágios avançados. Por isso, defendemos que a dosagem de creatinina faça parte da rotina de exames, especialmente em quem tem fatores de risco”, afirma Ana Flávia.
Hipertensão e diabetes aumentam o risco da doença
Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença renal crônica. Entre os principais estão hipertensão arterial, diabetes, obesidade, histórico familiar da doença, doenças cardiovasculares e o uso frequente de medicamentos que podem ser tóxicos para os rins, como alguns anti-inflamatórios.
Além disso, o número elevado de pessoas com diabetes também preocupa os especialistas. De acordo com dados da Sesab, entre 8% e 9% da população baiana tem diagnóstico da doença. Em Salvador, esse percentual chega a 26%.
Consequentemente, esse cenário contribui para o aumento dos casos de comprometimento da função renal, já que o diabetes é uma das principais causas da doença renal crônica.
Exames simples ajudam no diagnóstico precoce
Apesar da gravidade da doença, o diagnóstico pode ser feito com exames simples e acessíveis, capazes de identificar alterações nos rins ainda nas fases iniciais. Entre os principais estão a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. Por isso, especialistas recomendam que pessoas com fatores de risco realizem avaliação periódica, mesmo quando não apresentam sintomas.
Assim, é possível detectar alterações precocemente e iniciar o acompanhamento médico adequado, reduzindo o risco de progressão da doença.

Prevenção começa com hábitos saudáveis
Além do diagnóstico precoce, a adoção de hábitos saudáveis desempenha papel fundamental na proteção da saúde renal. Segundo o nefrologista Túlio Coelho Carvalho, coordenador da Nefrologia do Hospital Mater Dei EMEC (HMDE), em Feira de Santana, medidas simples podem ajudar a preservar a função dos rins.
“Controlar a pressão arterial e o diabetes, manter alimentação equilibrada, evitar excesso de sal e de medicamentos sem orientação médica e manter boa hidratação são medidas importantes para proteger os rins”, explica.
“Falar em prevenção e saúde renal é falar, antes de tudo, de uma alimentação adequada. Por isso, é importante priorizar alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes e carnes magras, além de outros alimentos naturais. Ao mesmo tempo, deve-se evitar produtos industrializados e alimentos ricos em gorduras e açúcares”, orienta a nutricionista Maria Helena.

Transplante pode melhorar qualidade de vida
Nos casos mais avançados da doença renal crônica, o transplante renal é considerado o tratamento que oferece melhores perspectivas de qualidade de vida ao paciente.
No Brasil, o procedimento é realizado principalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que mantém um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo. No entanto, o acesso ao transplante depende da disponibilidade de órgãos e da inclusão dos pacientes em listas de espera.
“A hemodiálise salva vidas, mas o transplante renal costuma oferecer melhores perspectivas de qualidade de vida a longo prazo. Por isso, é fundamental fortalecer a cultura da doação de órgãos e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce”, conclui Túlio Carvalho.
Quando a diálise se torna necessária
A diálise passa a ser indicada quando os rins perdem grande parte da sua capacidade de filtrar o sangue, eliminando toxinas e o excesso de líquidos do organismo.
Nesses casos, o tratamento funciona como uma espécie de “rim artificial”, realizando mecanicamente a filtragem que o órgão não consegue mais fazer.
Em geral, a necessidade surge nos estágios mais avançados da doença renal crônica. Nesse momento, o organismo passa a acumular substâncias tóxicas e líquidos, o que pode provocar sintomas como inchaço, falta de ar, náuseas, cansaço intenso e alterações cardiovasculares.
A hemodiálise, modalidade mais comum do tratamento, é realizada por meio de uma máquina que filtra o sangue do paciente através de um dialisador e devolve o sangue limpo ao organismo. O procedimento costuma ser feito, em média, três vezes por semana, em sessões que podem durar cerca de quatro horas.
Ações reforçam alerta sobre a saúde dos rins na Bahia
Para ampliar a conscientização da população, a Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA) realizou uma série de ações em Salvador durante a campanha do Dia Mundial do Rim.
A programação começou no dia 8 de março, com a Caminhada do Dia Mundial do Rim, no Parque da Cidade. A atividade reuniu médicos, profissionais de saúde, pacientes e familiares em um momento de mobilização e incentivo à adoção de hábitos saudáveis.
Além disso, entre 9 e 12 de março, foram realizadas ações de dosagem gratuita de creatinina com teste rápido na Escola Bahiana de Medicina, em Brotas. A iniciativa ofereceu à população acesso a um exame simples, mas fundamental para avaliar a função dos rins.

Como parte da mobilização, a Arena Fonte Nova também recebeu iluminação especial em alusão à campanha, reforçando o alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença renal crônica.
