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Mulher madura em casa

Foto: Magnific

Menopausa: ciência muda visão sobre essa fase e reforça que sintomas têm tratamento

SAÚDE DA MULHER

Muito além do fim da menstruação, a menopausa provoca mudanças que podem afetar o sono, o humor, a memória, os ossos e a saúde cardiovascular

Tempo de Leitura: 4 minutos

A menopausa deixou de ocupar apenas o espaço dos consultórios e passou a integrar as discussões sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida. Durante décadas, muitas pessoas trataram os sintomas dessa fase com naturalidade excessiva ou até como motivo de piada. No entanto, a ciência mudou esse cenário e, atualmente, especialistas defendem uma abordagem baseada em informação, acolhimento e tratamento individualizado. Assim, as mulheres podem atravessar essa etapa com mais conforto, autonomia e qualidade de vida.

Muito além da interrupção da menstruação, a menopausa representa uma transição biológica marcada por mudanças hormonais capazes de impactar diferentes sistemas do organismo. Além disso, esse período costuma coincidir com transformações importantes na vida pessoal e profissional. Filhos deixam a casa, pais envelhecem, novos desafios surgem na carreira e muitas mulheres passam a olhar para si mesmas de outra forma.

“A menopausa não é um colapso. É uma transição biológica complexa, marcada por mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas do organismo, do cérebro aos ossos, da pele ao coração”, explica Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela University of Texas at Dallas (UTD), cientista, farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

Ginecologista atendendo mulher
Imagem: Magnific

Perimenopausa é quando os primeiros sintomas costumam aparecer

Embora os médicos confirmem a menopausa apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação, muitas mulheres começam a sentir mudanças anos antes. Esse período recebe o nome de perimenopausa e se caracteriza pelas oscilações dos níveis de estrogênio e progesterona.

Por isso, surgem sintomas que podem comprometer significativamente a rotina. Entre os mais frequentes estão:

  • Ondas de calor;
  • Suores noturnos;
  • Alterações no sono;
  • Ansiedade;
  • Oscilações de humor;
  • Dificuldade de concentração;
  • Redução da libido;
  • Ressecamento vaginal;
  • Fadiga persistente;
  • Ganho de gordura abdominal.

Ao mesmo tempo, muitas mulheres relatam a sensação de não reconhecer mais o próprio corpo. Apesar disso, ainda é comum ouvir que essas mudanças “fazem parte da idade” ou que basta aprender a conviver com elas. No entanto, os especialistas alertam que os sintomas merecem atenção quando comprometem a qualidade de vida.

Reposição hormonal voltou a ganhar espaço no tratamento

Por outro lado, os avanços da medicina ampliaram as opções de tratamento. Nos últimos anos, especialistas voltaram a indicar a terapia de reposição hormonal para mulheres elegíveis, sempre após avaliação clínica individualizada.

Além disso, os números mostram que a menopausa representa um importante desafio para a saúde pública. Estima-se que mais de 1 bilhão de mulheres no mundo estejam na pós-menopausa. Cerca de 75% apresentam sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos. Aproximadamente um quarto delas convive com manifestações intensas capazes de prejudicar o trabalho, o sono, a vida sexual e a saúde mental.

De acordo com a International Menopause Society (IMS), a terapia hormonal permanece como o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas vasomotores — como ondas de calor e suores noturnos — em mulheres com indicação clínica e sem contraindicações. No entanto, a decisão deve ser individualizada, considerando o histórico de saúde, os fatores de risco e as preferências de cada paciente.

Nesse contexto, Izabelle Gindri destaca que a reposição hormonal pode trazer benefícios importantes quando existe indicação médica.

“Quando indicada para mulheres saudáveis, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a reposição hormonal apresenta benefícios que frequentemente superam os riscos. Ela reduz as ondas de calor, melhora o sono, protege a saúde óssea, ajuda na lubrificação vaginal e pode devolver qualidade de vida a mulheres que convivem diariamente com sintomas incapacitantes”, afirma.

Apesar dos benefícios, a terapia não representa uma solução universal. O médico deve considerar o histórico familiar, doenças pré-existentes, fatores de risco, estilo de vida e os objetivos de cada paciente antes de definir a melhor estratégia. Em alguns casos, terapias não hormonais também oferecem bons resultados.

Além disso, os pesquisadores passaram a personalizar cada vez mais o tratamento, adaptando-o às necessidades individuais de cada mulher. Essa evolução ocorreu depois que a comunidade científica reavaliou os resultados do histórico estudo Women’s Health Initiative (WHI).

mulher madura fazendo yoga
Imagem: Magnific

Menopausa também representa uma mudança de perspectiva

Mais do que as alterações hormonais, a menopausa marca uma nova fase da vida. Pela primeira vez, uma geração de mulheres recusa a ideia de que envelhecer significa perder espaço ou protagonismo. Em vez disso, muitas seguem ocupando cargos de liderança, empreendem, iniciam novos relacionamentos, praticam atividades físicas e investem na própria saúde.

“Falar sobre hormônios deixa de ser apenas uma conversa médica. Torna-se uma discussão sobre autonomia, saúde, mercado de trabalho, autoestima e direitos. Porque talvez aquela mulher considerada ‘difícil’ apenas tenha deixado de silenciar desconfortos, de aceitar sobrecargas e de colocar as necessidades de todos acima das suas”, reforça Izabelle Gindri.

Assim, a menopausa não transforma apenas os hormônios. Ela também muda prioridades, amplia o autoconhecimento e incentiva muitas mulheres a colocarem a própria saúde em primeiro plano. Com informação de qualidade, acompanhamento médico e tratamento adequado quando necessário, é possível viver essa fase com mais bem-estar, autonomia e qualidade de vida.

Embora exista consenso entre as principais sociedades médicas de que a terapia hormonal é a intervenção mais eficaz para o controle dos sintomas vasomotores em mulheres elegíveis, especialistas ressaltam que ela não deve ser indicada de forma indiscriminada. A escolha do tratamento deve ser compartilhada entre médica(o) e paciente, após avaliação dos benefícios, riscos e alternativas disponíveis.

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