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Mieloma múltiplo: câncer do sangue ainda desafia o diagnóstico

DIAGNÓSTICO TARDIO

No Março Borgonha, especialista alerta que dores e cansaço podem esconder a doença. Entenda por que o diagnóstico ainda demora.

Tempo de Leitura: 3 minutos

Durante o Março Borgonha, mês de conscientização sobre o mieloma múltiplo, especialista reforça um alerta importante: mesmo sendo a segunda neoplasia hematológica mais comum, o câncer ainda é pouco conhecido e frequentemente diagnosticado de forma tardia. A doença representa cerca de 1% a 1,5% de todos os cânceres e atinge, principalmente, pessoas acima dos 65 anos.

O hematologista Dr. Edvan Crusoe, chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES-UFBA) e coordenador do Centro Integrado para Tratamento do Mieloma Múltiplo da Rede D’Or na Bahia, explica que a doença exige atenção desde os primeiros sinais.

De acordo com Dr. Crusue, em geral, devido aos sintomas pouco específicos, os pacientes passam em consulta com vários especialistas até que algum pense na doença. Outra questão é a não prática de triagem com exames laboratoriais que sugiram a doença, como eletroforese de proteínas quando há suspeita.

Cansaço
Imagem: Freepik

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue, localizado na medula óssea (fábrica do sangue)”, afirma. Segundo ele, a doença afeta os plasmócitos, células responsáveis pela produção de anticorpos, que passam a se multiplicar de forma descontrolada.

O acesso a especialistas também acaba sendo um entrave, mas diria que o principal é o médico generalista ou emergencista ter menos atenção ou menor valorização dos sintomas e não colocar em evidência a possibilidade de ser mieloma como diagnóstico diferencial.

Sintomas comuns, mas pouco valorizados

Um dos maiores desafios está na identificação precoce. Isso porque os sinais iniciais costumam ser confundidos com problemas mais comuns, especialmente em pessoas idosas.

Dentre os sinais mais comuns estão dores nas costas, dores na bacia, fraqueza, letargia e infecções de repetição. Em pessoas idosas, esses sintomas costumam ser atribuídos a condições mais comuns, como artrose, hérnia de disco ou anemia.

Sangue testes
Imagem: Freepik

Há ainda um conjunto clássico de sinais conhecido como “CRAB”:

• C: cálcio elevado
• R: alteração renal
• A: anemia
• B: acometimento ósseo

→ Esses achados ajudam a direcionar a investigação clínica.

De acordo com o especialista, esse cenário faz com que muitos pacientes passem por diferentes atendimentos até a suspeita correta. “Os pacientes passam em consulta com vários especialistas até que algum pense na doença.”

Além disso, ele chama atenção para a necessidade de maior vigilância clínica. “O principal é o médico generalista ou emergencista ter menos atenção ou menor valorização dos sintomas e não colocar em evidência a possibilidade de ser mieloma como diagnóstico diferencial.”

Diagnóstico tardio e impactos na vida do paciente

O atraso no diagnóstico pode trazer consequências graves. Entre elas, estão complicações renais, fraturas ósseas e perda de mobilidade.

É uma doença potencialmente mórbida e a demora no diagnóstico pode fazer com que, muitas vezes, os pacientes já se apresentem com necessidade de diálise, fraturas em coluna que levam a limitações”, alerta. Essas condições, além de agravarem o quadro clínico, reduzem as opções terapêuticas e impactam diretamente a qualidade de vida.

Exame de sangue
Imagem: Freepik

Quando investigar

Segundo o especialista, a investigação não é complexa, mas depende da suspeita clínica. Exames laboratoriais simples podem indicar a necessidade de aprofundamento. “Nunca esquecer que sintomas que parecem simples ou corriqueiros podem ser algo mais sério, principalmente se não melhoram rapidamente”, reforça.

Ele destaca que, diante da suspeita, a análise da proteína monoclonal é fundamental para o diagnóstico.

Leia a entrevista completa com o Dr. Edvan Crusoe, que detalha a doença, os tratamentos, o perfil de risco e outros aspectos importantes. Confira AQUI.

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