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Foto: Freepik

Mudança na pirâmide alimentar dos EUA gera controvérsia e amplia discussão sobre alimentação saudável no Brasil

GUIA ALIMENTAR

Nutrólogos explicam que a nova pirâmide deixa de ser apenas um gráfico e passa a se configurar como um guia de escolhas conscientes, que prioriza menos rótulos, mais comida de verdade, menos radicalismo e mais equilíbrio.

Tempo de Leitura: 3 minutos

No início do mês, o governo dos Estados Unidos lançou as Dietary Guidelines for Americans (DGA) 2025–2030, documento que marca o retorno da pirâmide alimentar americana, agora apresentada de forma invertida. A atualização reacendeu debates científicos e profissionais sobre hábitos alimentares, evidências nutricionais e impactos globais das recomendações.

Contudo, diferentemente do modelo tradicional, a nova pirâmide passa a destacar proteínas, laticínios, gorduras saudáveis, frutas e vegetais, enquanto os grãos integrais assumem menor protagonismo. O tema foi discutido em uma live da série Nutrologia em Debate, promovida esta semana pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Apesar da repercussão internacional, especialistas reforçam que o guia não representa uma diretriz global. Trata-se, portanto, de uma recomendação específica para a população norte-americana, assim como ocorre com o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2024.

Esses guias alimentares, em formato de pirâmide, são temporários e mudam conforme novos conceitos de alimentação. Essas atualizações acompanham o comportamento de consumo, de acordo com as novas descobertas científicas, e cada país adota seu próprio guia ou pirâmide”, explicou o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo, Fellow da The Obesity Society (TOS/USA).

Mudança de conceito: do nutriente isolado ao padrão alimentar

Por isso, a nova pirâmide representa uma mudança relevante na forma de orientar hábitos alimentares. O foco deixa de ser a simples contagem de porções e passa a priorizar a qualidade dos alimentos, o grau de processamento e o padrão alimentar como um todo.

Além disso, o modelo se apoia em evidências científicas consolidadas, com maior valorização de alimentos in natura e da densidade nutrológica. Ainda assim, essa abordagem amplia discussões importantes sobre equilíbrio alimentar, sustentabilidade e reflexos em políticas públicas.

Nesse contexto, a pirâmide deixa de ser apenas um gráfico ilustrativo e passa a se configurar como um guia de escolhas conscientes, que prioriza menos rótulos, mais comida de verdade, menos radicalismo e mais equilíbrio e contexto. No entanto, alguns pontos exigem atenção, como o maior foco em proteína animal e a menor valorização das proteínas de origem vegetal.

Segundo especialistas, mesmo acompanhando as novas descobertas científicas, é fundamental analisar as diretrizes com cautela e senso crítico.

Mesmo respeitando as mudanças das novas descobertas científicas, há um viés econômico e político que precisa ser analisado com cautela e senso crítico por parte dos médicos”, observa Dra. Marcella Garcez Duarte, médica nutróloga, professora e diretora do Departamento de Fitoterápicos e Nutracêuticos da ABRAN.

Comendo fruta com alimentação saudável
Foto: Freepik
Individualização das dietas ganha força

Outro aspecto central do debate é o avanço da ciência nutricional no sentido da individualização, e não da generalização, das dietas e das terapias nutricionais. Esse movimento reforça a necessidade de adaptar recomendações às realidades sociais, culturais e ambientais de cada pessoa.

A pirâmide pode servir como base, mas deve ser adaptada à realidade do paciente e ao ambiente em que ele vive, considerando que a simplificação excessiva de conceitos alimentares ainda representa um desafio”, ressalta a Profa. Dra. Isolda Prado, médica nutróloga, diretora da ABRAN e professora de Nutrologia da UEA (Universidade do Estado do Amazonas).

Principais mudanças da nova pirâmide alimentar americana

 

1. Maior ênfase em alimentos “de verdade”

Alimentos naturais e minimamente processados, como frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas de boa qualidade e gorduras saudáveis, passam a ocupar o centro das recomendações.

2. Prioridade em proteínas ao longo do dia

As diretrizes incentivam uma ingestão diária mais elevada de proteínas de qualidade em todas as refeições (≈1,2–1,6 g/kg de peso corporal).

3. Redução de carboidratos refinados e ultraprocessados

Produtos como pães brancos, salgadinhos, doces e alimentos prontos são fortemente desencorajados.

4. Reintrodução de alimentos antes desestimulados

Laticínios integrais e carnes vermelhas voltam a ser considerados fontes de proteína, embora ainda haja cautela em relação às gorduras saturadas.

5. Novas recomendações sobre açúcares e álcool

O consumo de açúcares adicionados deve ser limitado ao máximo possível (idealmente <10 g por refeição), além de uma abordagem mais ampla de redução do consumo de álcool.

6. Atenção aos métodos de preparo

Há incentivo a técnicas culinárias mais saudáveis, como assar e grelhar, bem como à escolha de alimentos integrais em detrimento dos ultraprocessados.

7. Alimentação como comportamento, não apenas nutrientes

Passam a ser valorizadas atitudes como comer com atenção e regularidade, preparar a própria comida, realizar refeições em ambientes tranquilos e respeitar a cultura alimentar local.

8. Sustentabilidade em pauta

As escolhas alimentares também passam a considerar impacto ambiental, redução do desperdício e valorização da produção local.

Com avanços relevantes e controvérsias ainda em discussão, a nova pirâmide alimentar americana reforça que comer bem vai além de regras fixas: envolve contexto, ciência, cultura e escolhas conscientes.

 

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