No mês dedicado às mulheres, médicos têm alertado a população sobre a importância dos cuidados com a saúde feminina, especialmente no que diz respeito ao aumento nos diagnósticos de doenças reumatológicas. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), as mulheres representam 60% dos casos de doenças reumáticas, como lúpus, artrite reumatoide e fibromialgia.
Classificadas como condições crônicas, esse grupo de doenças impacta significativamente a qualidade de vida dessas mulheres, causados por fatores genéticos, hormonais, tendo grande influência do estado emocional dos pacientes.
Reumatologista da Clínica Ceder, Emanuela Pimenta explica que existem hormônios, a exemplo do estrogênio, que funcionam como gatilho para desencadeamento dessas condições. Ela também destaca que fatores imunológicos, com autoanticorpos específicos, estão presentes nas mulheres que têm uma predisposição genética.
A especialista pontua que a gravidez e a menopausa influenciam diretamente o desenvolvimento e o tratamento de doenças reumatológicas. “Esses períodos são marcados por alterações dos níveis hormonais, em especial, para mulheres diagnosticadas com alguma dessas doenças. No período gestacional, por exemplo, as mulheres lúpicas tendem a ter uma maior atividade da doença”, explica.
Cuidados essenciais
De acordo com o Ministério da Saúde, existem mais de 100 enfermidades reumáticas, contudo, nenhuma delas é contagiosa e, normalmente, vêm acompanhadas de dor. Apesar da alta prevalência e do crescimento nos diagnósticos, muitos sintomas provenientes dessas doenças são subestimados ou confundidos com outras condições, o que pode retardar o diagnóstico e, consequentemente, um tratamento adequado.
A reumatologista aponta que entre os sintomas mais comuns estão as dores articulares e a fadiga, mas ressalta a necessidade de um diagnóstico preciso, essencial para dar início aos cuidados apropriados. “Um diagnóstico precoce é importante para que possamos tratar o paciente e evitar os danos que a doença possa trazer. Dessa forma, com a melhora dos sintomas, essas pessoas tendem a ter uma melhor qualidade de vida”, pontua.
Emanuela Pimenta reforça que os cuidados serão definidos de acordo com a doença e o espectro dela, sendo assim, o tratamento deverá ser individualizado em todos os casos, a fim de entender melhor as necessidades de cada paciente.
“É importante que as mulheres estejam cada vez mais atentas aos sintomas que não sejam comuns no seu dia a dia, buscando entender e cuidar dos sinais que o seu corpo emite. Além disso, ao perceber essas alterações, procure imediatamente um médico reumatologista para um diagnóstico mais assertivo”, orienta a médica.