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Resumo ComSaúde

A prevenção da obesidade envolve alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, redução do tempo sedentário e atenção à saúde emocional. Especialista explica a importância dos cuidados desde os primeiros anos de vida e apresenta orientações práticas para famílias e responsáveis.

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Obesidade infantil: prevenção desde cedo pode reduzir riscos na vida adulta

OBESIDADE

No mundo, cerca de 400 milhões de crianças e adolescentes vivem com excesso de peso, segundo a OMS; especialista alerta para os riscos à saúde e destaca hábitos que ajudam a prevenir a obesidade desde a infância.

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A prevenção da obesidade envolve alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, redução do tempo sedentário e atenção à saúde emocional. Especialista explica a importância dos cuidados desde os primeiros anos de vida e apresenta orientações práticas para famílias e responsáveis.
Tempo de Leitura: 10 minutos

A prevenção da obesidade começa nos primeiros anos de vida e envolve cuidados que vão muito além da alimentação. Incentivar brincadeiras e atividades físicas, estabelecer horários adequados de sono, reduzir o tempo sedentário e cuidar da saúde emocional são medidas que ajudam crianças e adolescentes a crescer com mais saúde e podem diminuir riscos de doenças na vida adulta.

No dia Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, especialistas reforçam que o cuidado deve fazer parte da rotina familiar, sem dietas restritivas por conta própria, cobranças excessivas sobre o peso ou preocupação constante com a aparência.

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A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, ambientais, sociais e comportamentais. Por isso, sua prevenção não depende apenas de decisões individuais, mas também das condições de vida, do acesso a alimentos saudáveis, de ambientes seguros para atividades físicas e do acompanhamento dos serviços de saúde.

Segundo o cirurgião bariátrico José Afonso Sallet, fundador do Instituto de Medicina Sallet, é importante agir antes que o excesso de peso esteja associado a outros problemas de saúde.

“Muitas vezes, quando o paciente chega ao consultório, já passou por diversas tentativas de emagrecimento. Por isso, é importante olhar para aquilo que acontece antes: o que ele come diariamente, quanto se movimenta, quanto tempo permanece diante das telas, como dorme, como está sua saúde emocional e até como funciona o ambiente familiar”, destaca o médico.

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Excesso de peso atinge milhões de crianças e adolescentes

No Brasil, o Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, elaborado com base em informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), aponta que 33% das pessoas de 0 a 19 anos acompanhadas em 2025 apresentavam excesso de peso. O percentual corresponde a aproximadamente 6,8 milhões de pessoas registradas nessa condição.

O painel informa uma cobertura de 37,79% da população nessa faixa etária. Como os dados se referem aos indivíduos acompanhados pelo sistema, e não a uma pesquisa representativa de toda a população brasileira, o percentual não deve ser interpretado como a prevalência nacional de excesso de peso. Os números de 2025 também devem ser apresentados com a ressalva de que a base pode passar por atualizações.

Em escala mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 400 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos apresentavam excesso de peso em 2024. Desse total, 170 milhões viviam com obesidade. A prevalência mundial de obesidade nessa faixa etária passou de 2% em 1990 para 8% em 2024.

O problema também se reflete na população adulta. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25,9% dos brasileiros com 18 anos ou mais viviam com obesidade em 2019.

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A obesidade desenvolvida durante a infância pode persistir na vida adulta e está associada a maior risco de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Isso não significa, porém, que todas as crianças com excesso de peso terão obesidade quando adultas. O acompanhamento e as condições de saúde ao longo da vida influenciam essa trajetória.

Alimentação saudável começa com mudanças na rotina

Uma das principais formas de promover a saúde desde a infância é oferecer uma alimentação variada, com predominância de alimentos in natura ou minimamente processados.

Na prática, isso significa valorizar refeições feitas com alimentos como arroz, feijão, verduras, legumes, frutas, ovos e outras fontes de proteínas, respeitando as necessidades nutricionais, a cultura alimentar e as possibilidades de cada família.

As recomendações do Ministério da Saúde incluem reduzir a presença de ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e outras preparações industrializadas que frequentemente contêm quantidades elevadas de açúcar, sódio ou gorduras.

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Algumas atitudes simples podem ajudar:

• Organizar as refeições: sempre que possível, manter uma rotina de café da manhã, almoço, jantar e lanches adequados às necessidades da criança, evitando substituir refeições por produtos ultraprocessados.

• Oferecer água regularmente: priorizar a água no lugar de refrigerantes, refrescos artificiais e outras bebidas adoçadas.

• Deixar opções saudáveis disponíveis: frutas higienizadas e alimentos caseiros podem facilitar escolhas no momento da fome.

• Incluir a criança no preparo: permitir que ela participe da escolha de frutas e verduras, lave ingredientes ou ajude em tarefas seguras na cozinha, de acordo com sua idade.

• Evitar refeições diante de telas: quando possível, comer à mesa, sem celular ou televisão, favorece a atenção à alimentação e a convivência familiar.

• Respeitar os sinais de fome e saciedade: evitar forçar a criança a terminar toda a comida ou usar alimentos como prêmio e castigo.

Para bebês e crianças menores de dois anos, existem orientações específicas. O Ministério da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua continuidade até os dois anos ou mais, quando possível, com introdução de alimentos adequados a partir dos seis meses. Também orienta não oferecer açúcar nem produtos ultraprocessados nessa fase.

O objetivo não é estabelecer uma alimentação rígida, mas criar oportunidades para que hábitos saudáveis sejam aprendidos de forma gradual.

Movimento pode fazer parte das brincadeiras e do cotidiano

A atividade física é outro componente essencial da prevenção. Mas isso não significa que toda criança precise frequentar uma academia ou praticar esporte competitivo.

Brincadeiras ao ar livre, jogos com bola, dança, bicicleta, caminhada e outras atividades que movimentem o corpo podem contribuir para uma rotina mais ativa.

 

Segundo a OMS, crianças e adolescentes de 5 a 17 anos devem realizar, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana. A recomendação não exige que esse tempo seja cumprido de uma só vez.

Como estimular o movimento na prática?

Uma família pode, por exemplo, incentivar brincadeiras ativas depois da escola, caminhar em conjunto quando houver condições seguras, aproveitar parques e praças do bairro ou buscar atividades oferecidas pela escola e pela comunidade.

Para crianças pequenas, o movimento deve ser estimulado principalmente por meio de brincadeiras adequadas à idade e ao desenvolvimento. Já os adolescentes podem ser incentivados a experimentar esportes, dança, bicicleta ou outras modalidades com as quais se identifiquem.

menino na bicicleta
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O mais importante é que a atividade seja prazerosa, acessível e compatível com as condições físicas de cada pessoa. Crianças com deficiência ou limitações de saúde também podem se beneficiar de atividades adaptadas, com orientação profissional quando necessária.

A falta de movimento é um desafio mundial. Dados citados pela OMS mostram que cerca de quatro em cada cinco adolescentes não atingem os níveis recomendados de atividade física.

Por isso, a prevenção também exige espaços públicos seguros, oportunidades de lazer e escolas que favoreçam uma rotina ativa.

Sono e uso de telas também merecem atenção

Dormir bem é importante para o crescimento, a aprendizagem, a regulação do organismo e o equilíbrio emocional. O sono insuficiente também está associado a problemas de saúde, incluindo maior risco de obesidade.

A quantidade necessária de sono varia conforme a idade. Entre as recomendações divulgadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), crianças de 6 a 12 anos devem dormir de 9 a 12 horas por dia, enquanto adolescentes de 13 a 17 anos precisam, em geral, de 8 a 10 horas.

A qualidade do sono também influencia processos hormonais relacionados ao crescimento, ao metabolismo e à regulação do apetite. Segundo a Dra. Cristina Salles, médica do sono, o descanso reparador depende de três fatores: quantidade adequada de horas dormidas, qualidade do sono e regularidade dos horários. Durante o sono profundo, ocorre a liberação do GH, conhecido como hormônio do crescimento, importante para o desenvolvimento saudável e o gasto natural de energia.

A especialista também destaca a participação do cortisol, hormônio relacionado ao estresse, e da leptina e grelina, envolvidos nos mecanismos de fome e saciedade.

“Além disso, noites bem dormidas regulam os hormônios do apetite, mantendo a leptina alta para sinalizar a saciedade na hora certa e a grelina sob controle, diminuindo aquele impulso por doces e comidas calóricas. Assim, o sono reparador equilibra o metabolismo e ensina o cérebro a reconhecer os sinais naturais de fome e saciedade, contribuindo para manutenção de peso saudável”, explica a Dra. Cristina Salles.

Para ajudar a melhorar o sono, os responsáveis podem:

• Procurar manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
• Criar uma rotina mais tranquila antes de deitar, com atividades relaxantes e menos estímulos.
• Reduzir o uso de celulares, videogames e televisão próximo ao horário de dormir.
• Evitar que as telas substituam o tempo de descanso, as brincadeiras e a convivência familiar.
• Observar sinais frequentes de cansaço, sonolência durante o dia ou dificuldades persistentes para dormir.

A redução do tempo de tela não precisa ser tratada somente como uma proibição. Oferecer alternativas de lazer e combinar regras adequadas à idade pode tornar a mudança mais viável.

criança
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Também é importante considerar a realidade das famílias. A rotina escolar, os horários de trabalho dos responsáveis, as condições de moradia e a disponibilidade de espaços para brincar podem interferir tanto no descanso quanto nas oportunidades de movimento.

Saúde emocional deve fazer parte da prevenção

A relação entre obesidade e saúde emocional também merece cuidado. Ansiedade, dificuldades de convivência, situações de estresse, discriminação e bullying relacionado ao corpo podem afetar o bem-estar de crianças e adolescentes.

Por isso, a prevenção não deve se transformar em cobranças excessivas, comparações entre corpos ou comentários depreciativos sobre a aparência.

“Prevenção não significa estabelecer uma rotina rígida ou transformar o peso corporal em uma preocupação constante para crianças e adolescentes. O objetivo é criar um ambiente que favoreça escolhas mais saudáveis, com mais movimento, alimentação variada, menos tempo sedentário, sono adequado e atenção à saúde mental”, afirma Sallet.

Em casa, isso significa conversar sobre saúde sem associar o valor pessoal ao peso corporal. Também é importante evitar apelidos constrangedores, críticas à aparência ou a ideia de que determinados alimentos precisam ser compensados com exercício físico.

Se a criança demonstrar sofrimento emocional, mudanças persistentes no comportamento alimentar, isolamento ou preocupação excessiva com o corpo, a família deve buscar orientação de um profissional de saúde.

A participação dos responsáveis é especialmente importante porque os hábitos são construídos no ambiente familiar. Mudanças que envolvem toda a casa tendem a evitar que apenas uma criança seja colocada sob cobrança.

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Quando é necessário procurar acompanhamento profissional?

A prevenção da obesidade também depende do acompanhamento regular da saúde durante a infância e a adolescência.

Nas consultas, profissionais podem avaliar o crescimento, o desenvolvimento, os hábitos alimentares, o sono, a atividade física e outras condições clínicas relevantes.

Em crianças e adolescentes, a avaliação do peso deve considerar fatores como idade, sexo, altura e trajetória de crescimento. O peso isolado não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.

Os responsáveis devem procurar orientação especialmente quando houver:

• Mudanças importantes ou persistentes na trajetória de crescimento e ganho de peso.
• Dificuldades alimentares que prejudiquem a nutrição ou a rotina da criança.
• Sono inadequado ou cansaço frequente.
• Histórico de doenças ou fatores de risco que exijam acompanhamento.
• Sofrimento emocional associado à alimentação, ao peso ou à imagem corporal.

Essas situações não significam necessariamente que a criança tenha obesidade, mas podem justificar uma avaliação individualizada.

O acompanhamento pode ocorrer inicialmente na atenção primária à saúde, inclusive nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento para outros profissionais quando houver necessidade.

Em 7 de outubro de 2026, a OMS divulgou novas diretrizes sobre o manejo integrado da obesidade em crianças e adolescentes. Os documentos destacam a importância de cuidados individualizados, centrados nas pessoas e em suas famílias, considerando diferentes dimensões da saúde e o papel dos serviços de atenção primária.

Medicamentos ampliam tratamentos, mas não substituem a prevenção

Os avanços no tratamento da obesidade ampliaram as possibilidades de cuidado, mas medicamentos e procedimentos não devem ser confundidos com medidas gerais de prevenção.

Em abril de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou a indicação do Mounjaro (tirzepatida) para tratamento de diabetes mellitus tipo 2 em pacientes a partir de 10 anos.

A decisão não representa autorização para o tratamento de obesidade em crianças e adolescentes com esse medicamento. A indicação aprovada para controle crônico do peso permanece destinada a adultos que atendam aos critérios definidos pela agência.

“É um avanço importante no tratamento e amplia as possibilidades terapêuticas, mas precisamos ter muito cuidado para não transformar o medicamento em uma solução isolada. Estamos falando de crianças e adolescentes em fase de crescimento e maturação hormonal, por isso, qualquer indicação precisa ser muito criteriosa e acompanhada por uma equipe transdisciplinar”, explica Sallet.

O tratamento da obesidade deve considerar a idade, as condições clínicas e as necessidades de cada paciente.

 

A decisão sobre medicamentos ou outros procedimentos cabe aos profissionais habilitados, com avaliação individualizada e observância das indicações aprovadas.

Pequenas mudanças ajudam a construir hábitos duradouros

A prevenção da obesidade não depende de transformar toda a rotina de uma vez. Mudanças graduais, adaptadas à realidade de cada família, podem contribuir para um ambiente mais saudável.

Entre os primeiros passos estão oferecer água com mais frequência, planejar refeições com alimentos variados, incentivar brincadeiras e atividades físicas, organizar os horários de sono e diminuir o tempo sedentário.

 

Esses cuidados não devem ser tratados como tarefas exclusivas das crianças. Responsáveis, escolas, profissionais de saúde e gestores públicos têm papéis complementares na criação de ambientes que favoreçam uma vida mais saudável.

“Não é preciso esperar pelo próximo ano, por uma segunda-feira ou por uma mudança radical para começar. Pequenas decisões incorporadas à rotina, como movimentar-se mais, melhorar a qualidade da alimentação, reduzir o tempo sedentário e cuidar do sono e da saúde emocional, podem construir uma trajetória mais saudável. O tratamento evoluiu muito, mas a prevenção continua sendo uma das ferramentas mais importantes que temos”, conclui o especialista.

No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, a mensagem central é que cuidar da saúde desde a infância envolve muito mais do que acompanhar números na balança. Significa garantir oportunidades para que crianças e adolescentes se alimentem adequadamente, brinquem, se movimentem, durmam bem, recebam apoio emocional e tenham acesso a acompanhamento de saúde, sem culpa, discriminação ou estigmatização.

 

Fonte : Dr. José Afonso Sallet – Cirurgião Bariátrico @drsallet

 

Fonte: Dra Cristina Salles – Médica do Sono @dra.cristinasalles

 

 

 

 

 

 

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