A chegada da Páscoa altera a rotina alimentar das famílias e pode trazer desafios para crianças com seletividade alimentar. A combinação de novos sabores, como peixes e chocolates, exige atenção dos responsáveis para garantir segurança, equilíbrio e uma experiência positiva.
Especialmente em crianças neurodivergentes, como as com Transtorno do Espectro Autista, a adaptação alimentar pode ser mais sensível. Nesses casos, respeitar o tempo da criança é essencial para evitar rejeições e desconfortos.
Atenção aos peixes no cardápio
Durante a Páscoa, pescados e frutos do mar ganham destaque nas refeições familiares. Além de nutritivos, eles são fontes importantes de proteínas e gorduras boas. No entanto, é fundamental ter cuidado com a presença de espinhas.

“Pescados, como bacalhau, e frutos do mar estão no menu dos encontros familiares pascais. O peixe é um alimento nutritivo, excelente fonte de proteínas de alto valor biológico e gorduras boas, mas é importante ter cuidado com as espinhas, especialmente quando falamos da alimentação infantil“, explica a nutricionista Geysa Staudinger, especialista da Clínica Mundos, rede terapêutica para neurodivergentes.
Segundo a especialista, a escolha e o preparo fazem diferença na aceitação alimentar. “Para crianças pequenas ou com maior sensibilidade alimentar, é interessante optar por peixes com sabores suaves e texturas macias como tilápia, pescada amarela e a merluza, já limpos em filé. Isso reduz riscos e torna a experiência alimentar mais segura e tranquila”, acrescenta.
Além disso, a presença de espinhas pode impactar negativamente a relação da criança com o alimento. “Quando a criança encontra uma espinha inesperadamente, ela pode desenvolver receio ou rejeição ao peixe. Para quem já tem seletividade alimentar, isso pode reforçar ainda mais a resistência ao alimento”, afirma Geysa Staudinger.
Seletividade alimentar e sensibilidade sensorial
Crianças e adolescentes neurodivergentes podem apresentar maior sensibilidade a sabores, texturas, cheiros e cores. Essa característica pode gerar sobrecarga sensorial durante as refeições.
Por isso, a orientação é evitar imposições.
“O melhor caminho é respeitar o tempo da criança. Não é necessário forçar o consumo de novos alimentos durante a celebração. A exposição gradual e o exemplo da família são estratégias muito mais eficazes”, informa Geysa Staudinger.
Além disso, incluir a criança no preparo pode favorecer a aceitação.”Quando a criança participa da cozinha, observa os ingredientes e ajuda no preparo, ela cria uma relação mais positiva com o alimento.”
Consumo de chocolate exige moderação
Os ovos de chocolate são símbolos tradicionais da Páscoa e fazem parte da celebração. No entanto, o consumo excessivo pode provocar desconfortos gastrointestinais. “Chocolate em excesso pode provocar dor abdominal, náusea, alterações intestinais e até irritabilidade em algumas crianças”, alerta a nutricionista.

A recomendação é simples: equilíbrio ao longo dos dias. “A Páscoa não precisa ser um momento de proibição, mas de equilíbrio. A criança pode consumir chocolate, mas em pequenas porções e distribuídas ao longo dos dias”.
Alimentação também é afeto
Mais do que o cardápio, o ambiente alimentar influencia diretamente a experiência da criança. Um espaço acolhedor e respeitoso favorece a construção de uma relação saudável com a comida. “A alimentação também tem um papel afetivo nas datas comemorativas. O importante é que a criança se sinta acolhida e respeitada nas suas preferências e limites”.
Cada criança possui um ritmo próprio de adaptação. Por isso, respeitar esse processo é fundamental. “Quando respeitamos o tempo da criança e oferecemos um ambiente tranquilo, as chances de ampliar o repertório alimentar são muito maiores”, finaliza Geysa Staudinger.

Dicas para uma Páscoa equilibrada
• Verifique sempre a presença de espinhas no peixe antes de servir
• Prefira peixes em filé ou com menos espinhas
• Evite forçar novos alimentos em crianças com seletividade alimentar
• Permita que a criança participe do preparo das refeições
• Ofereça chocolate em pequenas quantidades
• Distribua o consumo de doces ao longo dos dias
• Mantenha refeições equilibradas durante a celebração
• Observe possíveis desconfortos digestivos após exageros
O equilíbrio entre tradição e cuidado pode transformar a Páscoa em um momento mais leve, seguro e acolhedor para toda a família.
