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Por que a saúde mental precisa ser prioridade o ano todo com práticas diárias?

CUIDAR DA MENTE

A saúde mental deve ser cuidada o ano inteiro. Entenda por que o autocuidado diário, a prevenção e o apoio profissional fazem a diferença no bem-estar emocional.

Tempo de Leitura: 4 minutos

A virada do ano, tradicionalmente, traz à tona o Janeiro Branco, campanha dedicada à saúde mental que, acima de tudo, convida à introspecção em meio a rotinas extenuantes, à cultura da performance incessante e às exigências constantes da vida moderna. Ainda assim, o desafio permanece: transformar reflexão em prática contínua.

Atualmente, ansiedade, estresse, esgotamento emocional, dificuldades de concentração e alterações de humor fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. No entanto, mesmo diante desse cenário, a saúde mental segue sendo negligenciada e, na maioria das vezes, só recebe atenção quando o sofrimento já compromete de forma significativa a qualidade de vida.

Nesse sentido, para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, falar sobre saúde mental é, acima de tudo, falar sobre prevenção, autocuidado e responsabilidade individual e coletiva. “A saúde mental impacta diretamente nossas relações, produtividade, decisões e até a saúde física. Quando negligenciada, o corpo acaba sendo o porta-voz do sofrimento emocional”, explica.

Ccansada no trabalho
Foto: Freepik

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com transtornos de saúde mental, sendo a ansiedade e a depressão algumas das condições mais prevalentes.

Nesse contexto, o Brasil figura entre os países com maior prevalência de depressão nas Américas, o que reforça, ainda mais, a urgência de ampliar ações de cuidado, prevenção e promoção da saúde mental.

Para a terapeuta ocupacional e conselheira do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 7ª Região (CREFITO-7), Joice Paixão, esse cenário evidencia a necessidade de ampliar o olhar sobre o cuidado emocional. Segundo ela, a saúde mental se constrói no cotidiano, na forma como as pessoas organizam suas rotinas, conciliam trabalho e vida pessoal, realizam atividades significativas e mantêm relações sociais.

A saúde mental não pode ser tratada apenas nos momentos de crise. Ela precisa ser cuidada de forma contínua, no cotidiano, a partir da organização da rotina, do fortalecimento dos vínculos e da realização de atividades que tenham sentido para cada pessoa”, destaca Joice.

Cotiadiano de jovens
Foto: Freepik
Prevenção e autocuidado

De acordo com a terapeuta ocupacional, o aumento dos transtornos mentais evidencia que cuidar da saúde emocional não pode ser uma ação pontual. É necessário investir em acompanhamento contínuo, multiprofissional e conectado à realidade das pessoas

Em um cenário em que o dia a dia tem adoecido, olhar para a rotina, para as atividades e para a forma como as pessoas vivem tornou-se uma necessidade urgente. Cuidar da saúde mental é, cada vez mais, cuidar da vida real, aquela que acontece todos os dias”, ressalta Joice.

Segundo a neuropsicóloga, persiste a ideia equivocada de que buscar ajuda psicológica é sinal de fraqueza ou algo restrito a momentos extremos. Por isso, ela reforça a importância de antecipar o cuidado e observar os sinais do dia a dia.

Cuidar da mente não significa esperar um colapso emocional. Significa observar sinais como irritabilidade constante, cansaço excessivo, dificuldade de dormir, lapsos de memória e perda de interesse pela vida cotidiana”, alerta Thaís.

Reflexos no trabalho e na qualidade de vida

Além do cuidado individual, o Janeiro Branco amplia o olhar para além da pessoa. A campanha destaca, sobretudo, a importância de ambientes mais saudáveis, seja no trabalho, na família ou na escola, uma vez que esses espaços impactam diretamente o bem-estar emocional.

Para a neuropsicóloga, assim como são realizados exames de rotina para o corpo, é fundamental olhar para a saúde emocional com a mesma seriedade. A psicoterapia e a avaliação neuropsicológica, nesse contexto, são ferramentas essenciais para promover equilíbrio, autoconhecimento e qualidade de vida.

Não estamos falando apenas de um cuidado individual, mas de uma construção coletiva. Relações tóxicas, excesso de cobrança e falta de espaços de escuta adoecem. Promover saúde mental é promover humanidade”, pontua Thais.

A Terapia Ocupacional também assume um papel estratégico no cuidado com a saúde mental. O terapeuta ocupacional atua diretamente na vida diária das pessoas, auxiliando na identificação de fatores de sobrecarga, na reorganização das rotinas, na ressignificação das atividades e na construção de estratégias possíveis para o autocuidado e o equilíbrio emocional.

Diferente de abordagens centradas apenas no sintoma, a Terapia Ocupacional trabalha a relação entre a pessoa, suas atividades e o ambiente em que vive, considerando o contexto social, afetivo e ocupacional.

Casal feliz
Foto: Freepik

Este acompanhamento busca fortalecer a autonomia, promover o equilíbrio entre obrigações e lazer, estimular a participação social e favorecer a retomada de atividades que dão sentido à vida”, garante Joice Paixão.

Janeiro Branco como ponto de partida, não de chegada

Por fim, o maior legado do Janeiro Branco está justamente na continuidade do cuidado. Ou seja, mais do que uma campanha pontual, trata-se de uma mudança de postura. Cuidar da saúde mental precisa deixar de ser exceção e passar a integrar a rotina ao longo de todo o ano.

 

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