O controle dos fatores de risco, a adoção de hábitos saudáveis e o reconhecimento dos sinais de alerta são medidas importantes para prevenir o acidente vascular cerebral (AVC). Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial e Nacional de Prevenção ao AVC chama a atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico rápido e do tratamento adequado.
Segundo uma campanha de conscientização divulgada pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, até 90% dos casos de AVC podem ser evitados com a abordagem dos fatores de risco. A estimativa foi divulgada em material institucional de 2023 e deve ser entendida nesse contexto.
O AVC está entre as principais causas de morte no Brasil. Dados do Registro Civil citados pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde em publicação de 2026 apontam que o país registrou 89.490 mortes pela doença em 2025. O número se refere a um ano específico e permite contextualizar a dimensão do problema sem tratar estimativas anteriores como dados atuais.
De acordo com o neurologista Pedro Antônio Vieira, responsável pelo ambulatório de AVC do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/HU Brasil), o controle dos fatores de risco e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para diminuir a probabilidade de ocorrência da doença.
Entre as principais medidas preventivas estão o controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, além do tratamento adequado da fibrilação atrial, uma alteração do ritmo cardíaco que aumenta o risco de AVC. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, evitar o tabagismo e não consumir bebidas alcoólicas em excesso também contribuem para reduzir os riscos.

O acompanhamento médico ajuda a identificar e controlar condições que favorecem a ocorrência do AVC. Por isso, a prevenção envolve tanto os cuidados cotidianos quanto o tratamento adequado das doenças crônicas associadas ao risco vascular.
Quais são os tipos de AVC?
O acidente vascular cerebral acontece quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro fica obstruído ou se rompe, comprometendo a circulação cerebral. A doença apresenta dois tipos principais: o isquêmico e o hemorrágico.
O AVC isquêmico ocorre quando um vaso sanguíneo fica obstruído, impedindo que o sangue leve oxigênio às células cerebrais. Já o AVC hemorrágico acontece quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe, provocando sangramento.
De acordo com o Ministério da Saúde, o tipo isquêmico representa aproximadamente 85% dos casos, enquanto o hemorrágico corresponde a cerca de 15%. Embora tenham causas diferentes, ambos exigem atendimento médico imediato, pois podem provocar sequelas graves ou levar à morte.
A identificação do tipo de AVC é essencial para orientar o tratamento. Na fase aguda do quadro isquêmico, a equipe médica pode avaliar tratamentos que buscam restabelecer o fluxo sanguíneo. Nos casos hemorrágicos, a abordagem depende das características do sangramento e das condições clínicas do paciente.
“Na fase aguda do AVC isquêmico, existem tratamentos que buscam desobstruir o vaso sanguíneo comprometido. Já nos casos hemorrágicos, o tratamento inclui medidas como o controle da pressão arterial, da glicemia e da temperatura. A abordagem depende do tipo de AVC e das condições clínicas do paciente”, explica Pedro Antônio Vieira.
O atendimento rápido permite que a equipe de saúde avalie o quadro e defina a conduta adequada. O tempo entre o início dos sintomas e a assistência médica é um fator importante para as possibilidades de tratamento e recuperação. Por isso, diante da suspeita de AVC, não se deve esperar que os sinais desapareçam para procurar ajuda.
Hupes-UFBA oferece atendimento na fase aguda e acompanhamento especializado
O Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes-UFBA/HU Brasil) oferece assistência a pacientes que sofreram AVC isquêmico ou hemorrágico na fase aguda, com atendimento hospitalar e, quando necessário, suporte de terapia intensiva.
Após esse período, os pacientes podem continuar o acompanhamento no ambulatório especializado em AVC. Segundo o material institucional fornecido para a elaboração desta matéria, o serviço funciona há mais de 20 anos e atua na prevenção de novos episódios. O tempo de funcionamento e os detalhes do serviço devem ser confirmados com a assessoria do hospital antes da publicação.
“Depois da fase aguda, acompanhamos esses pacientes no ambulatório para avaliar cada caso e adotar medidas que reduzam o risco de recorrência. Além do tratamento médico, contamos com o suporte de profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, entre outras áreas, que contribuem para a reabilitação”, destaca o neurologista.
O acompanhamento após o AVC permite avaliar a evolução clínica e definir medidas de cuidado conforme as necessidades de cada paciente. Além do tratamento médico, profissionais de diferentes áreas contribuem para a reabilitação, especialmente nos casos em que a doença provoca limitações motoras, dificuldades de comunicação ou outras alterações que afetam a rotina.
A reabilitação e a prevenção de novos episódios são partes distintas do cuidado. Enquanto a fisioterapia, a fonoaudiologia e a terapia ocupacional podem contribuir para a recuperação funcional, o controle dos fatores de risco e o acompanhamento médico ajudam a reduzir a possibilidade de recorrência.
A continuidade da assistência também permite avaliar as condições clínicas do paciente e orientar o tratamento de doenças associadas. O objetivo é adequar os cuidados a cada caso, considerando as necessidades identificadas pela equipe de saúde.
Mais informações institucionais sobre o hospital estão disponíveis no portal oficial do Hupes-UFBA. As condições de acesso ao ambulatório e ao atendimento na fase aguda devem ser confirmadas diretamente com a instituição.
Quais são os sinais de alerta do AVC?
Os sintomas do acidente vascular cerebral costumam aparecer de forma repentina. Reconhecer essas alterações é importante para buscar atendimento sem demora. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, especialmente no rosto, braço ou perna;
- Dificuldade para falar ou compreender a fala de outras pessoas;
- Alterações repentinas na visão, em um ou nos dois olhos;
- Perda de equilíbrio, tontura ou dificuldade para caminhar;
- Dor de cabeça súbita e intensa, sem causa aparente;
- Confusão mental ou alterações na coordenação motora.
As orientações do Ministério da Saúde sobre os sintomas do AVC destacam a importância de reconhecer alterações na face, nos braços, na caminhada, na fala e na visão. A presença de sinais súbitos exige avaliação médica imediata.

Diante da suspeita de AVC, a recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192. O serviço presta atendimento pré-hospitalar de urgência e pode orientar a população durante a ligação. Mais informações estão disponíveis na página oficial do Samu 192, do Ministério da Saúde.
A pessoa não deve esperar que os sintomas desapareçam para procurar ajuda. Mesmo quando há melhora temporária, é necessária uma avaliação médica, pois o quadro pode indicar um problema vascular que exige atenção.
A rapidez no atendimento é fundamental para que a equipe de saúde avalie o paciente e determine a conduta adequada. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e acionar o serviço de emergência são medidas importantes diante de qualquer suspeita.
A prevenção, o reconhecimento dos sintomas e a busca rápida por atendimento são essenciais para reduzir os riscos de morte e incapacidade provocadas pelo AVC. O controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, o tratamento de condições como a fibrilação atrial, a adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico integram as estratégias para prevenir a doença e diminuir a possibilidade de novos episódios.


