Em artigo sobre o Janeiro Branco, Mario Lopes, psicanalista pós-graduado em Neurociências e Psicologia Aplicada, Master em PNL (IBC) e terapeuta integrativo, propõe, logo no início de sua análise, uma reflexão aprofundada sobre saúde mental e domínio pessoal em uma sociedade que opera, cada vez mais, no piloto automático.
Nesse sentido, a virada do ano traz à tona o Janeiro Branco como uma campanha dedicada à saúde mental que, acima de tudo, convida à introspecção em meio a rotinas extenuantes, à cultura da performance incessante e às exigências constantes da vida moderna.
Diante desse cenário, o esgotamento emocional e a ansiedade, por sua vez, deixam de ser encarados como falhas individuais e passam a ser compreendidos, sobretudo, como reflexos diretos de um sistema que exige o máximo, mas oferece pouco espaço para pausa, escuta e equilíbrio.
Além disso, o autor destaca que, embora não seja possível, de forma individual, desacelerar o ritmo global ou reestruturar o mercado de trabalho, ainda assim existe um campo de atuação que permanece sob controle: a maneira como cada pessoa escolhe viver, interpretar e reagir às circunstâncias. Assim, o Janeiro Branco ganha força justamente ao incentivar o resgate do protagonismo sobre a própria paz e, consequentemente, a mudança consciente de perspectiva.

Para ampliar essa reflexão, o texto recorre à sabedoria de Buda que, historicamente, ensinava que a dor é inevitável, enquanto o sofrimento surge, principalmente, do apego e da reação descontrolada aos acontecimentos.
Dessa forma, a metáfora do barco em meio à tempestade sintetiza a ideia central: ainda que não seja possível controlar o mundo externo, é plenamente viável desenvolver domínio sobre o universo interior.
Os riscos de viver no “piloto automático”
Ao avançar na análise, o artigo aborda os riscos de viver no chamado “piloto automático”. De acordo com Mario Lopes, práticas comuns do cotidiano contemporâneo, como a resposta incessante a mensagens e notificações, o consumo contínuo de conteúdos digitais e a busca permanente por validação, acabam, frequentemente, criando uma falsa sensação de produtividade.
No entanto, na prática, esse comportamento contribui diretamente para o desgaste mental e o esvaziamento emocional, especialmente entre os mais jovens, apontados como os mais impactados por essa lógica acelerada.
Relações fragmentadas e a perda do essencial
Do mesmo modo, o texto chama atenção para a fragmentação das relações pessoais que, longe de ser um acaso, resulta de escolhas inconscientes que priorizam o urgente e, muitas vezes, o fútil em detrimento do essencial. Assim, a falta de tempo para amigos e familiares compromete vínculos afetivos profundos que funcionam, comprovadamente, como importantes fatores de proteção contra a depressão e o isolamento social.

A tirania da dedicação e o vício na distração
Outro ponto relevante, conforme destaca o autor, é a chamada “tirania da dedicação”. Quando o trabalho passa a ocupar o centro absoluto da vida e o indivíduo se anula em nome de resultados, a saúde mental, consequentemente, fica comprometida. Afinal, o equilíbrio psíquico exige múltiplas dimensões além da produtividade.
Soma-se a isso, ainda, o vício na distração, caracterizado pela fuga constante do silêncio e do desconforto por meio das telas, do consumo excessivo de notícias negativas e da comparação social, o que, por fim, impede o descanso e o processamento saudável das experiências.

O protagonismo da saúde mental
Diante desse panorama, Mario Lopes reforça que a saúde mental é construída, progressivamente, a partir de microdecisões diárias. Embora ninguém seja responsável por ter sido inserido em uma sociedade acelerada, cada pessoa é, ainda assim, responsável pela forma como escolhe navegar por ela.
Portanto, estabelecer limites claros, praticar o desapego aos resultados e reservar tempo para o autocuidado, para o movimento do corpo e para as relações que geram pertencimento tornam-se atitudes centrais nesse processo.
Por fim, o artigo conclui ao enfatizar que o Janeiro Branco pode, efetivamente, representar um marco de transformação pessoal, um convite direto para assumir o protagonismo da própria vida. Assim, como destaca o autor, a paz não vem de fora; ao contrário, ela brota da consciência, da intenção e, sobretudo, da sabedoria das escolhas feitas todos os dias.
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