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casal com teste de gravidez

Foto: Magnific

Queda da testosterona preocupa e coloca fertilidade masculina em alerta

FERTILIDADE MASCULINA

Estudo internacional aponta redução de 54% nos níveis do hormônio em cinco décadas e reúne dados de mais de 118 mil homens.

Tempo de Leitura: 4 minutos

A fertilidade masculina enfrenta um cenário de atenção na medicina reprodutiva. Um estudo internacional apresentado no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), no início de julho, em Londres, apontou uma redução de 54% nos níveis médios de testosterona nos últimos 50 anos.

O levantamento analisou dados de 118.593 homens da Dinamarca, Estados Unidos, Brasil, Finlândia e Israel. Os pesquisadores coletaram as informações entre 1972 e 2019. Segundo o estudo, a queda do hormônio pode estar relacionada a uma combinação de fatores comuns no mundo moderno, como obesidade, diabetes, privação de sono, sedentarismo, envelhecimento da população e estresse crônico.

A testosterona exerce papel fundamental na produção de espermatozoides. Assim, níveis reduzidos do hormônio podem comprometer a espermatogênese e afetar a capacidade reprodutiva masculina.

Para Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora da Huntington Cenafert, os resultados reforçam a necessidade de ampliar os cuidados com a saúde reprodutiva dos homens.

“São dados contundentes que acendem um alerta para importância de se olhar com mais cuidado para a saúde reprodutiva do homem e sobre a importância da conscientização sobre estilo de vida e prevenção”, afirma.

homem pensativo
Imagem: Magnific

Testosterona também influencia a saúde sexual

A testosterona participa da produção de espermatozoides e também está relacionada à libido e à função erétil. Por isso, alterações nos níveis do hormônio podem dificultar a concepção.

O médico Joaquim Lopes, da Huntington Cenafert, destaca os efeitos da redução da testosterona sobre a saúde sexual masculina.

“Além disso a queda do hormônio também afeta a libido e a função erétil, dificultando a concepção”, afirma.

Além da fertilidade, a redução prolongada dos níveis do hormônio pode provocar outros impactos na saúde masculina. Entre eles estão perda de massa muscular, associada à sarcopenia, risco de osteoporose e aumento de peso.

Também podem surgir alterações de humor, perda de foco e memória e maior risco de doenças metabólicas, como diabetes, além de problemas cardiovasculares.

Infertilidade masculina aumenta a procura por atendimento no Brasil

No Brasil, os atendimentos por infertilidade masculina mais que dobraram em uma década, segundo levantamento oficial do Ministério da Saúde.

Para Gérsia Viana, o aumento da procura por atendimento também demonstra uma mudança no comportamento dos homens diante das dificuldades relacionadas à fertilidade.

“O aumento da procura por atendimento reflete não apenas um cenário de queda da fertilidade, que vem acontecendo globalmente, mas também revela uma mudança de comportamento: mais homens estão buscando ajuda para lidar com problemas de fertilidade, que ao longo da história sempre foram atribuídos à mulher”, afirma.

A infertilidade não envolve apenas fatores femininos. Segundo os dados apresentados, cerca de 35% dos casos estão relacionados a fatores femininos. Outros 35% correspondem a fatores masculinos.

Nas demais situações, os dois parceiros podem apresentar fatores relacionados à infertilidade ou os médicos podem não identificar uma causa definida. Por isso, ambos devem participar da investigação.

“A responsabilidade pela infertilidade é compartilhada igualmente e deve ser sempre investigada por ambos os parceiros”, ressalta Joaquim Lopes.

Diversos fatores podem afetar a fertilidade masculina

A produção e a qualidade dos espermatozoides dependem de diferentes aspectos da saúde. Entre os fatores citados estão tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse crônico, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e uso de drogas.

Além dos hábitos de vida, alterações hormonais, fatores genéticos e questões ambientais também podem interferir na capacidade reprodutiva masculina.

A exposição a agentes químicos representa outro possível fator de risco. Solventes, pesticidas e alguns metais pesados, como o chumbo, podem afetar o sistema hormonal e prejudicar a fertilidade.

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) também aparecem entre os fatores de risco. Essas infecções podem causar danos ao aparelho reprodutor masculino, afetar a qualidade do esperma e dificultar a passagem dos espermatozoides pelos ductos reprodutivos.

Por isso, os cuidados com a saúde sexual também fazem parte da prevenção de problemas que podem afetar a capacidade reprodutiva.

Anabolizantes podem prejudicar a produção de espermatozoides

O uso frequente de anabolizantes por jovens que frequentam academias para aumentar a massa muscular também preocupa os especialistas.

Segundo os médicos citados, essas substâncias podem suprimir a produção hormonal natural dos testículos. Como consequência, o organismo pode reduzir a produção de espermatozoides, o que pode comprometer a fertilidade.

No entanto, a infertilidade masculina nem sempre apresenta uma única causa. Diferentes fatores podem atuar simultaneamente e, por isso, cada caso precisa de uma avaliação individual.

“Cada caso deve ser criteriosamente investigado, nem sempre se trata de uma única causa, a origem da infertilidade pode ser multifatorial, ou seja, uma combinação de fatores, mas mesmo diante desse cenário, a infertilidade masculina pode ser tratada. Quando a gestação espontânea não é possível, técnicas de reprodução assistida permitem que muitos casais realizem o sonho de ter filhos”, esclarece Joaquim Lopes.

Hábitos saudáveis ajudam a cuidar da fertilidade

Manter hábitos saudáveis também integra os cuidados com a saúde reprodutiva masculina.

Entre as recomendações estão manter o peso saudável, não fumar e praticar atividade física regularmente. Além disso, controlar o estresse e a ansiedade, dormir bem e manter uma alimentação equilibrada são medidas consideradas benéficas para a fertilidade.

O material também recomenda manter uma vida sexual saudável e regular, praticar sexo seguro e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Outro cuidado envolve a exposição dos testículos ao calor. Nesse caso, a recomendação é evitar o calor excessivo e prolongado na região.

Além disso, homens com doenças crônicas devem manter o acompanhamento dessas condições, já que o controle da saúde geral também integra os cuidados com a saúde reprodutiva.

consulta urologista
Imagem: Magnific

Consulta ao urologista ajuda no acompanhamento

Os exames de rotina e a consulta anual ao urologista também aparecem entre as recomendações para manter a saúde reprodutiva masculina.

O acompanhamento médico permite investigar alterações relacionadas à saúde do homem e avaliar possíveis fatores que interferem na fertilidade.

Dessa forma, a capacidade reprodutiva masculina pode sofrer influência de fatores hormonais, comportamentais, genéticos e ambientais. Por isso, a investigação individualizada ajuda a identificar possíveis causas da infertilidade.

Quando a gestação espontânea não acontece, os médicos podem avaliar técnicas de reprodução assistida como alternativa para os casais.

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