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Resumo ComSaúde

Quem pretende começar a correr deve avaliar as condições de saúde antes de aumentar a distância e a intensidade dos treinos. Cardiologista explica cuidados para iniciantes, atenção aos sintomas e acompanhamento de pessoas com fatores de risco cardiovascular.
corrida de rua

Foto: Magnific

Quer começar a correr? Confira cuidados para treinar com mais segurança

CORRIDA DE RUA

Cardiologista orienta iniciantes sobre avaliação médica, controle de riscos e atenção aos sinais do corpo durante os treinos.

Resumo ComSaúde

Quem pretende começar a correr deve avaliar as condições de saúde antes de aumentar a distância e a intensidade dos treinos. Cardiologista explica cuidados para iniciantes, atenção aos sintomas e acompanhamento de pessoas com fatores de risco cardiovascular.
Tempo de Leitura: 5 minutos

A corrida de rua ganhou espaço nas avenidas, parques e redes sociais. Com o aumento do número de praticantes e de provas, muitas pessoas também começaram a deixar o sedentarismo para buscar uma rotina mais ativa. No entanto, antes de aumentar a distância ou a intensidade dos treinos, vale avaliar se o organismo está preparado para esse esforço.

Dados da Ticket Sports mostram que o número de corredores no Brasil passou de cerca de 9 milhões, em 2022, para 14,6 milhões em 2026. O calendário de provas também cresceu. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO), o país contabilizou 5.241 provas em 2025, contra 2.827 em 2024, alta de 85%.

Em Pernambuco, o crescimento chegou a 93%. O levantamento da ABRACEO aponta que o estado passou de 123 provas em 2024 para 238 em 2025.

Com mais pessoas correndo, surge uma dúvida importante: quando as pernas estão prontas para correr, o coração também está preparado para acompanhar o esforço?

avaliação no cardiologista
Imagem: Magnific

Avaliação antes de aumentar o ritmo

Para o Dr. Jaifábio Lima, médico cardiologista, quem está saindo do sedentarismo precisa ter atenção principalmente antes de aumentar distância e intensidade.

“Para uma pessoa sedentária que decidiu iniciar uma atividade física, o ideal é primeiro realizar uma avaliação médica. Também podemos solicitar exames laboratoriais para conhecer melhor as condições daquele paciente e identificar possíveis fatores de risco antes de ele começar a correr”, orienta.

A recomendação não significa que a corrida seja uma atividade perigosa. Pelo contrário. A prática regular de exercícios ajuda a proteger a saúde cardiovascular.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que pessoas insuficientemente ativas apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior em comparação com aquelas que se exercitam regularmente. Para adultos, a entidade recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa.

Por isso, o principal cuidado envolve respeitar as condições de cada organismo e aumentar a carga de exercícios de forma gradual.

Quem tem hipertensão pode correr?

O diagnóstico de hipertensão não significa, por si só, que a pessoa precise abandonar a corrida. No entanto, o controle da pressão e o acompanhamento médico fazem diferença para definir uma prática adequada.

“A pessoa com hipertensão arterial pode correr, desde que esteja fazendo o uso correto da medicação, com a pressão controlada e mantendo acompanhamento médico. Cada paciente precisa ser avaliado de acordo com sua condição”, explica o Dr. Jaifábio.

Assim, pessoas com hipertensão devem manter o tratamento indicado e conversar com o médico antes de aumentar a intensidade dos treinos.

Alterações cardiovasculares exigem avaliação individual

A medicina esportiva também avançou na orientação de pessoas com alterações cardiovasculares. Uma declaração científica publicada em 2025 pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC) reforçou que determinadas alterações cardiovasculares não significam, automaticamente, que a pessoa precise abandonar atividades esportivas.

Em vários casos, o paciente pode praticar exercícios depois de uma avaliação individual do risco e com acompanhamento adequado.

Para quem apresenta arritmias, histórico de infarto ou outras doenças cardiovasculares, o médico pode precisar de uma investigação mais detalhada.

“Nessas situações, além da avaliação clínica, podem ser necessários exames cardiológicos mais específicos para estimarmos o risco e entendermos qual tipo e intensidade de exercício aquele paciente pode realizar com maior segurança”, ressalta o cardiologista.

Dessa forma, o tipo de doença, o histórico de cada pessoa e a intensidade pretendida para o exercício influenciam a orientação médica.

Parada cardíaca durante corridas é rara, mas exige atenção

Eventos cardíacos graves durante corridas são raros, mas podem acontecer. Um estudo publicado em 2025 no periódico científico JAMA analisou 29.311.597 participantes de maratonas e meias-maratonas realizadas nos Estados Unidos entre 2010 e 2023.

A pesquisa identificou 176 paradas cardíacas durante as provas, uma incidência de aproximadamente 0,54 ocorrência para cada 100 mil participantes. Entre os casos em que os pesquisadores conseguiram determinar a causa, a doença arterial coronariana apareceu como o principal diagnóstico associado.

O resultado ajuda a dimensionar a ocorrência nesses tipos específicos de prova, mas não representa uma estimativa para todos os tipos de corridas ou para outros países.

Por isso, além de preparar musculatura e fôlego, o corredor precisa reconhecer os sinais que o corpo apresenta durante o exercício.

Cansaço, palpitações e desconforto no peito merecem investigação

Nem todo sintoma durante a corrida deve ser atribuído à falta de condicionamento físico. Alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação médica.

Um cansaço muito acima do esperado para aquele esforço, palpitações ou desconforto no peito durante a atividade precisam ser investigados. A pessoa não deve simplesmente pensar que aquilo está acontecendo porque começou a correr agora ou porque está fora de forma”, alerta o especialista.

O corredor também precisa observar se os sintomas aparecem de forma repetida, especialmente durante o esforço. Nesses casos, vale procurar avaliação profissional em vez de aumentar a carga de treinamento por conta própria.

Energéticos também merecem atenção

Outro hábito ganhou espaço junto com o universo fitness: o consumo de energéticos e produtos estimulantes antes dos treinos.

A American Heart Association alerta que os efeitos cardiovasculares da cafeína variam entre os indivíduos. A entidade também destaca que doses elevadas, principalmente em produtos altamente concentrados, podem provocar alterações no ritmo cardíaco em algumas pessoas.

Para o Dr. Jaifábio, a moderação continua sendo fundamental.

Essas bebidas, quando consumidas em excesso ou por pessoas mais sensíveis às substâncias estimulantes, podem aumentar a frequência cardíaca e favorecer arritmias. É importante não imaginar que, porque determinado produto é utilizado para melhorar disposição ou desempenho, ele é automaticamente seguro para todas as pessoas”, destaca.

Por isso, o uso de energéticos antes da atividade física merece atenção, principalmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco ou sensibilidade a estimulantes.

Smartwatch ajuda, mas não substitui avaliação médica

Os relógios inteligentes também ganharam espaço entre os corredores. Esses dispositivos acompanham batimentos, ritmo, distância e outros indicadores durante o treino.

Para o cardiologista, a tecnologia pode ajudar o corredor a observar o comportamento da frequência cardíaca, mas não substitui uma avaliação profissional.

“Os smartwatches podem ser grandes aliados. Eles permitem observar o comportamento da frequência cardíaca durante o exercício e acompanhar algumas alterações. Mas, se houver dúvida sobre aquilo que apareceu no relógio, principalmente em relação à frequência ou ao ritmo do coração, essa informação deve ser levada ao cardiologista para uma avaliação adequada”, orienta.

O dado apresentado pelo relógio, portanto, serve como informação complementar. O diagnóstico depende da avaliação adequada de cada paciente.

Mulher olhando para o relógio de perto
Imagem: Magnific

O que observar antes de começar a correr

Quem pretende sair do sedentarismo e começar a correr pode considerar alguns cuidados básicos:

  • Faça uma avaliação médica antes de aumentar a intensidade dos exercícios, especialmente se você apresenta fatores de risco cardiovascular.
  • Informe ao profissional de saúde seu histórico de doenças e os medicamentos que utiliza.
  • Aumente distância e intensidade de forma gradual.
  • Observe sintomas como cansaço muito acima do esperado, palpitações e desconforto no peito.
  • Evite o consumo excessivo de energéticos e outros produtos estimulantes.
  • Use os dados do smartwatch como acompanhamento, e não como diagnóstico.

Começar de forma consciente

Com milhões de corredores e um calendário cada vez maior de provas, o objetivo não é desestimular quem encontrou na corrida uma forma de cuidar da saúde. A questão é começar de maneira compatível com as condições de cada organismo.

Para o Dr. Jaifábio, quem passou muito tempo sedentário ou apresenta fatores de risco precisa de atenção especial.

Para quem está começando, minha principal orientação é fazer uma avaliação médica. Dependendo do perfil, podemos realizar exames laboratoriais, eletrocardiograma e ecocardiograma, que permite avaliar a estrutura do coração. A partir daí, conseguimos conhecer melhor aquele paciente e proporcionar uma prática esportiva mais tranquila. Correr é uma excelente atividade, mas começar de forma consciente é sempre o melhor caminho”, finaliza.

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