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Foto: Divulgação

Rosácea: os sinais da doença revelada por Alisson Becker

ROSÁCEA

Dermatologista explica sintomas, fatores que agravam o quadro e como o diagnóstico precoce ajuda no controle

Tempo de Leitura: 3 minutos

A revelação do goleiro da Seleção Brasileira, Alisson Becker, de que convive com rosácea colocou em evidência uma doença inflamatória crônica que ainda costuma ser confundida com acne, alergias ou apenas uma pele sensível. Embora a condição não tenha cura, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com um dermatologista permitem controlar os sintomas e reduzir as crises.

Segundo o dermatologista Alessandro Alarcão, a doença afeta principalmente a região central da face, como bochechas, nariz, testa e queixo. Além disso, fatores genéticos, alterações do sistema imunológico, inflamação dos vasos sanguíneos e disfunções da barreira cutânea contribuem para o seu desenvolvimento.

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Imagem: Magnific

Rosácea pode ser confundida com acne

“É muito comum ser confundida com acne porque alguns pacientes apresentam pápulas e pústulas, semelhantes às espinhas. Também pode ser ser confundida com alergias ou pele sensível devido à vermelhidão, ardência e sensação de queimação. No entanto, diferentemente da acne, a rosácea normalmente não apresenta cravos e, ao contrário das alergias, não é uma reação passageira, mas uma condição crônica que evolui em fases de melhora e piora”, explica dermatologista.

O especialista destaca que a doença vai além da vermelhidão no rosto.

“Hoje sabemos que a rosácea envolve alterações dos vasos sanguíneos, do sistema imunológico e até do microbioma da pele.”

Vermelhidão persistente merece atenção

Embora muitas pessoas associem o rosto avermelhado apenas ao calor ou à prática de exercícios físicos, a rosácea apresenta características próprias. De acordo com Alessandro Alarcão, os primeiros sintomas costumam surgir após exposição ao sol, calor intenso, bebidas alcoólicas, alimentos condimentados, estresse ou atividades físicas.

No início, a vermelhidão aparece e desaparece. Com o passar do tempo, ela deixa de ser transitória e passa a permanecer mesmo em repouso. Também podem surgir vasos aparentes, sensação de ardor, queimação, aumento da sensibilidade da pele e lesões inflamatórias”, afirma.

Outro sinal frequente é a dificuldade para tolerar produtos destinados aos cuidados com a pele.

“Muitos pacientes relatam que praticamente qualquer cosmético provoca ardência ou desconforto.”

Por isso, o especialista orienta procurar avaliação médica logo nas primeiras manifestações.

“Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de controlar a inflamação, evitar a progressão da doença e preservar a qualidade da pele.”

Alimentação e rotina influenciam nas crises

Apesar de calor, exposição solar e exercícios intensos favorecerem o aparecimento das crises, Alessandro Alarcão reforça que a atividade física continua sendo recomendada.

“A prática de atividade física é extremamente saudável. O objetivo é adaptar alguns cuidados, como treinar em horários mais frescos, manter boa hidratação, utilizar fotoproteção adequada e evitar ambientes excessivamente quentes.”

Além disso, a alimentação também interfere no quadro clínico. Bebidas alcoólicas, principalmente vinho tinto, alimentos muito apimentados, bebidas quentes e produtos ricos em capsaicina estão entre os gatilhos mais comuns. No entanto, o dermatologista explica que não existe uma dieta única para todos os pacientes.

“Cada pessoa possui fatores desencadeantes diferentes. Uma parte importante do tratamento consiste justamente em identificar esses gatilhos individuais.”

Além da pele, a rosácea também pode atingir os olhos. A chamada rosácea ocular provoca sintomas como vermelhidão, sensação de areia, ardor, lacrimejamento, ressecamento e sensibilidade à luz. Nos casos mais graves, a doença pode comprometer a córnea, o que exige avaliação oftalmológica.

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Imagem: Magnific

Tratamento deve ser individualizado

Atualmente, o tratamento reúne medicamentos tópicos e orais, além de tecnologias como lasers vasculares, fontes de luz e protocolos específicos para reduzir a inflamação e a vermelhidão. Segundo Alessandro Alarcão, a escolha depende das características de cada paciente.

“O tratamento deve ser individualizado. Hoje conseguimos controlar a inflamação, reduzir significativamente a vermelhidão, diminuir os vasos aparentes e evitar novas crises. Muitos pacientes permanecem longos períodos praticamente sem sintomas quando seguem corretamente o tratamento.”

O dermatologista também alerta para os riscos da automedicação. Produtos abrasivos, ácidos em altas concentrações e corticoides tópicos sem orientação médica podem agravar a doença.

“A rosácea não deve ser encarada apenas como um problema estético. Trata-se de uma doença inflamatória crônica que pode impactar a autoestima e a qualidade de vida. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível controlar a doença de forma muito eficaz”, conclui Alessandro Alarcão.

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