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médico conversando com paciente

Foto: IA\ChatGPT

Saúde íntima na adolescência exige informação e prevenção

SAÚDE ÍNTIMA

Higiene adequada diálogo em família e uso de preservativos reduzem riscos de ISTs inflamações e até câncer de pênis durante a juventude

Tempo de Leitura: 3 minutos

A adolescência é um período de intensas transformações físicas, hormonais e emocionais. Nesse contexto, orientar os jovens sobre saúde íntima masculina é tão importante quanto falar sobre alimentação, atividade física e saúde mental. No entanto, muitas famílias ainda encontram dificuldades para abordar o assunto de forma aberta, o que pode comprometer a prevenção de infecções, doenças sexualmente transmissíveis e outras condições que afetam a qualidade de vida.

Segundo o médico urologista e professor da Afya Salvador, Adriano Caldeira, a educação sobre higiene íntima deveria fazer parte da rotina desde cedo, da mesma forma que crianças e adolescentes aprendem a escovar os dentes ou lavar as mãos. Para ele, a falta de informação faz com que muitos homens cheguem à vida adulta sem conhecer cuidados básicos com o próprio corpo.

“Há muitos homens que chegam ao consultório sem nunca terem recebido orientações simples sobre como cuidar da região íntima. Muitos aprenderam com amigos, pela internet ou simplesmente nunca aprenderam. A higiene íntima vai muito além da sexualidade e tem impacto direto na prevenção de diversas doenças”, afirma.

Falta de orientação aumenta risco de problemas de saúde

Embora o tema ainda seja tratado com constrangimento em muitos lares, especialistas alertam que a ausência de informação pode favorecer infecções recorrentes, infecções urinárias, inflamações, fimose adquirida e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Além disso, a higiene inadequada contribui para o acúmulo de esmegma, substância associada ao aumento do risco de câncer de pênis.

Apesar de ser considerado raro, o câncer de pênis ainda preocupa no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, apontam cerca de 2 mil novos casos e aproximadamente 600 mortes por ano relacionadas à doença.

De acordo com Adriano Caldeira, grande parte desses problemas pode ser evitada com medidas simples adotadas desde a adolescência.

Cuidados simples fazem diferença na prevenção

Entre as principais recomendações está a higiene correta da região genital. Durante o banho, é importante retrair o prepúcio para limpar toda a glande, evitando o acúmulo de secreções. Da mesma forma, a escolha de roupas íntimas confortáveis e que permitam a ventilação da pele ajuda a reduzir a proliferação de fungos.

Além disso, o especialista orienta atenção durante a remoção dos pelos pubianos. Métodos que provocam pequenos cortes ou irritações aumentam o risco de foliculite e facilitam infecções bacterianas.

Outro cuidado indispensável é o uso do preservativo desde o início da vida sexual. A camisinha continua sendo a principal forma de prevenção contra diversas ISTs, além de reduzir o risco de complicações futuras.

pai orientando o filho
Imagem: Magnific

Sinais de alerta não devem ser ignorados

Muitas infecções sexualmente transmissíveis apresentam sintomas discretos nas fases iniciais. Por isso, reconhecer os primeiros sinais pode acelerar o diagnóstico e facilitar o tratamento.

Entre os sintomas que merecem atenção estão:

  • Vermelhidão na região íntima;
  • Coceira persistente;
  • Secreções;
  • Ardência ou dor ao urinar;
  • Feridas que não cicatrizam;
  • Verrugas;
  • Caroços;
  • Sangramento;
  • Dificuldade para expor a glande;
  • Dor intensa ou aumento do volume dos testículos.

Segundo o urologista, gonorreia e clamídia costumam provocar secreção e ardência ao urinar. Já o HPV pode causar verrugas, enquanto a sífilis frequentemente se manifesta por meio de feridas indolores, que muitas vezes passam despercebidas.

“Vergonha ainda é uma das maiores barreiras para o diagnóstico precoce. Muitos adolescentes esperam semanas ou até meses para procurar ajuda porque acreditam que o problema desaparecerá sozinho. Quanto antes essas alterações forem avaliadas, maiores serão as chances de um tratamento simples e eficaz”, destaca.

O especialista também lembra que algumas situações exigem atendimento imediato. A torção testicular, por exemplo, representa uma emergência médica e precisa ser tratada nas primeiras horas para aumentar as chances de preservação do órgão.

Jovens estão entre os grupos mais vulneráveis às ISTs

Os números reforçam a necessidade de ampliar o diálogo sobre saúde sexual ainda durante a adolescência. Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 256 mil casos de sífilis adquirida em 2025.

Os adolescentes e adultos jovens estão entre os grupos mais vulneráveis, principalmente em razão do início da vida sexual e do uso irregular do preservativo. Por isso, especialistas defendem que a orientação ocorra antes do surgimento dos primeiros problemas, permitindo que o jovem reconheça sinais de alerta e saiba quando procurar atendimento médico.

Diálogo fortalece prevenção e autonomia

Para Adriano Caldeira, conversar sobre saúde íntima masculina não deve ser motivo de constrangimento. Pelo contrário, o diálogo aberto fortalece a confiança entre adolescentes, pais e responsáveis e contribui para a formação de adultos mais conscientes sobre o próprio corpo.

Explicar como fazer a higiene corretamente, orientar sobre as mudanças da puberdade e conversar sobre saúde sexual de forma aberta são atitudes que protegem muito mais do que apenas a saúde física. Quando essas conversas acontecem sem julgamentos, o jovem se sente mais seguro para esclarecer dúvidas e procurar ajuda diante de qualquer alteração”, conclui.

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