Ansiedade, esgotamento emocional, sensação de insuficiência e pressão constante por desempenho fazem parte da rotina de muitas pessoas. Em um cenário em que a saúde mental ocupa cada vez mais espaço nas discussões públicas, a arte surge como uma ferramenta capaz de ampliar reflexões e estimular o diálogo sobre questões que afetam milhões de brasileiros.
É justamente nesse contexto que o espetáculo “Peste” estreia em Salvador neste fim de semana, sexta (05) e sábado (06). A montagem utiliza elementos de comédia dramática para abordar temas como solidão, sofrimento psíquico, excesso de cobranças e a busca incessante por produtividade, questões que têm despertado preocupação entre especialistas e ganhado visibilidade na sociedade.
Estrelada pela atriz Carol Mota e escrita e dirigida por Rafael Fontes, a peça será apresentada nos dias 5, 6, 12 e 13 de junho, no Teatro Sesi Rio Vermelho.
Arte como espaço de reflexão
Ao longo de cerca de 60 minutos, o público acompanha a história de uma mulher isolada em seu apartamento e atravessada por pressões invisíveis que refletem desafios comuns da vida contemporânea. Em cena, uma tarefa aparentemente simples, matar uma barata, desencadeia uma série de acontecimentos que revelam angústias, frustrações e sinais de desgaste emocional.
A narrativa se desenvolve em seis momentos distintos e retrata situações cotidianas que evidenciam o impacto da cultura da alta performance sobre a saúde mental. A personagem enfrenta conflitos que dialogam com experiências compartilhadas por muitas pessoas, especialmente em um período marcado por excesso de estímulos, hiperconectividade e cobranças constantes.
Mais do que contar uma história individual, o espetáculo convida o público a refletir sobre questões coletivas. A obra questiona a lógica que associa valor pessoal à produtividade e propõe uma discussão sobre os limites entre desempenho, autocobrança e bem-estar emocional.

Debate cada vez mais presente
Nos últimos anos, a saúde mental passou a ocupar posição de destaque em diferentes espaços da sociedade. Empresas, instituições de ensino, profissionais de saúde e organizações têm ampliado o debate sobre temas como ansiedade, burnout, depressão e qualidade de vida.
Nesse cenário, produções culturais também contribuem para tornar essas discussões mais acessíveis ao público. Por meio da linguagem artística, questões complexas podem ser abordadas de forma sensível, promovendo identificação e incentivando conversas importantes sobre cuidado emocional.
Em “Peste”, essa reflexão aparece de maneira simbólica e, ao mesmo tempo, próxima da realidade. O espetáculo lança um olhar para as consequências emocionais de uma sociedade que valoriza o desempenho constante e muitas vezes negligencia os impactos desse modelo sobre a saúde mental.
Coincidentemente, no mesmo dia da estreia do espetáculo, será gravado o próximo episódio do PodComSaúde no YouTube (comsaudeoficial), que receberá a psicóloga e psicanalista Sheyna Vasconcelos para uma conversa sobre saúde mental, esgotamento emocional, solidão e outros desafios cada vez mais presentes na sociedade contemporânea, informa Susy Moreno, CEO do Portal ComSaúde Bahia e idealizadora e apresentadora do podcast.
“Essa convergência reforça o propósito da Rede ComSaúde de ampliar o debate sobre temas que impactam diretamente a qualidade de vida das pessoas. Nossa proposta é falar de saúde, e não apenas de doença, estabelecendo conexões entre saúde, arte, cultura, entretenimento, política e economia. São áreas que dialogam entre si e influenciam diretamente o bem-estar individual e coletivo“, afirma.
Expectativa para a estreia
Segundo a atriz Carol Mota, a expectativa é que o público se reconheça nos temas apresentados em cena e participe das reflexões propostas pela montagem.
“Estamos muito ansiosos e na expectativa da reação do público, já que é um tema bastante debatido atualmente na sociedade”, afirma.
A atriz destaca ainda que o espetáculo é inédito e mistura elementos de comédia e drama para abordar questões humanas que atravessam diferentes gerações.
Cenografia e trilha reforçam a experiência
A encenação aposta em uma atmosfera intimista e inquietante. A trilha sonora e os efeitos sonoros são executados ao vivo sob direção musical de Rudá Paixão, que também integra a banda ao lado de Antonio Pinheiro, na guitarra.
A cenografia, assinada por Bertha Blume, cria um ambiente surreal em que elementos do banheiro invadem outros cômodos da casa. A proposta visual acompanha o processo de deterioração emocional vivido pela personagem e ajuda a traduzir os conflitos internos retratados ao longo da narrativa.
O espetáculo também dialoga com referências importantes da literatura e da filosofia, como “A Sociedade do Cansaço”, do filósofo Byung-Chul Han, além de obras como “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e “Não Tenho Boca e Preciso Gritar”, de Harlan Ellison.
Serviço
Espetáculo: Peste – INGRESSOS NO SYMPLA
Quando: 5, 6 e 12 de junho, às 19h; 13 de junho, às 16h
Onde: Teatro Sesi Rio Vermelho, em Salvador
Duração: cerca de 60 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Instagram: @pesteespetaculo


