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Foto: Freepik

Síndrome Pós-UTI: por que a reabilitação é decisiva

ALÉM DA UTI

Condição pode afetar até 60% dos pacientes e fisioterapia é essencial na recuperação

Tempo de Leitura: 4 minutos

Receber alta da UTI é uma conquista importante. No entanto, a recuperação não termina ao sair do hospital. Muitos pacientes enfrentam a Síndrome Pós-Cuidados Intensivos (PICS), com impactos físicos, cognitivos e emocionais que podem persistir por meses.

Segundo o médico intensivista, Dr. João Gabriel Ramos, entre 50% e 60% dos pacientes apresentam limitações após a alta. “Essas alterações podem incluir fraqueza muscular, dificuldade de memória e concentração, ansiedade e sintomas depressivos”, detalha.

Além disso, a condição não afeta apenas o paciente. A rotina familiar também pode ser profundamente impactada, especialmente quando há necessidade de cuidados contínuos.

Pós-UTI
Imagem: Acervo Florence

O que é a Síndrome Pós-UTI?

A PICS não é uma doença específica. Na prática, o termo descreve um conjunto de complicações que surgem após uma internação crítica.
Essas alterações podem comprometer a autonomia e dificultar o retorno ao trabalho. Em geral, a síndrome envolve três áreas principais:

Física
Perda de força muscular, cansaço intenso e dificuldade para atividades simples.

Cognitiva
Déficits de memória, atenção e raciocínio.

Emocional
Ansiedade, alterações de humor e estresse pós-traumático.

Por que o tema merece atenção?

Apesar de frequente, a Síndrome Pós-UTI ainda é pouco conhecida fora do meio médico. Por isso, muitos pacientes não associam os sintomas à internação anterior. Além disso, estabilidade clínica não significa recuperação completa. Esse fator pode atrasar a busca por tratamento adequado.

Estima-se que cerca de 80% dos pacientes apresentem sinais da síndrome na alta. Ao mesmo tempo, aproximadamente 40% são reinternados em até 90 dias.

Impacto também atinge a família

O processo de recuperação costuma envolver toda a rede de apoio. Isso porque muitos pacientes passam a depender de ajuda para atividades básicas.

É comum que o paciente precise de ajuda para atividades simples do dia a dia, e esse cuidado quase sempre recai sobre um familiar. Com o tempo, essa sobrecarga pode gerar ansiedade, exaustão emocional e até depressão. Por isso, quando falamos em recuperação, precisamos olhar não só para o paciente, mas para toda a rede de apoio”, reforça o médico intensivista.

Reabilitação: papel central da fisioterapia

Na prática clínica, a reabilitação de pacientes com Síndrome Pós-UTI é complexa. Isso porque o período de internação costuma envolver imobilismo, sedação, ventilação mecânica e uso de medicações intensivas.

De acordo com a fisioterapeuta e docente, Dra. Luana Polte, esse contexto favorece sequelas importantes. Entre elas estão fraqueza muscular, perda de condicionamento, alterações respiratórias, déficit de equilíbrio e impactos cognitivos, como delírio e lentificação.

Ela explica que essas limitações afetam diretamente atividades básicas, como sentar, levantar, caminhar, se alimentar e realizar a própria higiene. Nesse cenário, a fisioterapia atua para reconstruir a capacidade funcional e a autonomia. O processo começa com uma avaliação individualizada, considerando limitações físicas, respiratórias e até emocionais.

Além disso, a professora reforça que o tratamento inclui treino direto das atividades do dia a dia. Levantar da cama, sentar, ficar em pé e caminhar fazem parte da reabilitação desde o início. Outro ponto essencial é a orientação à família e ao cuidador. A educação ajuda a alinhar expectativas e evita frustrações durante a recuperação.

Quando bem conduzida, a fisioterapia promove avanços progressivos. Entre os principais ganhos estão a melhora da respiração, o aumento de força e a retomada de atividades significativas. O objetivo final vai além de recuperar movimentos. A meta é devolver ao paciente autonomia, segurança e confiança para retomar a própria rotina” afirma Dra. Luana.

Por que começar ainda na UTI?

A reabilitação deve começar o quanto antes, ainda durante a internação. Isso porque a perda funcional acontece rapidamente em pacientes críticos. Em poucos dias, podem surgir fraqueza, redução da capacidade respiratória, rigidez articular e queda do condicionamento físico.

UTI
Imagem: IA ChatGPT

A fisioterapia precoce atua para preservar funções e evitar complicações. Estratégias respiratórias ajudam a melhorar a ventilação e reduzir o esforço para respirar. Ao mesmo tempo, a mobilização precoce, mesmo que simples,contribui para manter a força muscular e a amplitude de movimento.

A fisioterapeuta expplica, ainda, que outro benefício importante é a quebra do ciclo de dependência. Quanto mais cedo o paciente volta a se movimentar, maiores são as chances de recuperar autonomia. Após a alta, os impactos são evidentes. Pacientes que iniciam reabilitação precoce tendem a apresentar menos fraqueza e melhor desempenho funcional, facilitando o retorno para casa e reduzindo o risco de reinternação.

O que fazer após a alta?

A recomendação é manter um acompanhamento estruturado, principalmente após internações prolongadas ou uso de ventilação mecânica.

Esse plano pode incluir:

Fisioterapia motora e respiratória
Terapia ocupacional
• Avaliação neuropsicológica
• Apoio emocional

Quanto mais cedo a reabilitação começa, maiores são as chances de recuperação funcional e retomada da rotina.

 

Estudo baiano ganha destaque internacional

Um estudo liderado pelo intensivista João Gabriel Ramos foi destaque na revista Critical Care Science. A publicação é mantida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI).

O trabalho aborda a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) nos cuidados pós-UTI. A proposta é melhorar os desfechos, especialmente em pacientes mais dependentes ou com quadros complexos.

A mensagem central é clara: sobreviver à UTI é apenas o começo. Com reabilitação precoce e acompanhamento adequado, é possível reduzir impactos e recuperar qualidade de vida.

 

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