O transtorno bipolar ainda é marcado por desinformação e preconceito, embora afete milhões de pessoas e impacte diretamente a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida. Neste 30 de março, Dia Mundial do Transtorno Bipolar, o alerta se intensifica: ampliar o acesso à informação e ao tratamento é essencial para reduzir o estigma e fortalecer o cuidado em saúde mental.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a condição atinge cerca de 140 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, aproximadamente 4% dos adultos convivem com o transtorno.
Referência em saúde mental na Bahia, o Hospital Especializado Juliano Moreira (HJM) reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento adequado. Para o diretor-geral da unidade, o médico psiquiatra Antônio Freire, compreender a doença é um passo decisivo para enfrentar o preconceito e ampliar o acesso ao tratamento.
“O transtorno bipolar é uma doença complexa que precisa de uma descoberta para que os pacientes percam o preconceito e se tratem para que tenham uma vida normal e funcional. Mas ele não se define simplesmente por oscilações ao longo do dia, mas se caracteriza por fases de humor deprimido, desânimo, pessimismo, alterações do sono, alterações de apetite, alterações cognitivas, com fases onde predominam pensamentos acelerados, desinibição sexual, gastos excessivos, o que chamamos na psiquiatria de mania”.
Impacto na vida e o peso do preconceito
Mais do que oscilações de humor, o transtorno bipolar interfere de forma significativa na vida das pessoas. Mudanças intensas de comportamento podem afetar vínculos familiares, desempenho profissional e estabilidade emocional.
Ainda assim, o preconceito permanece como uma das principais barreiras. Muitas pessoas demoram a buscar ajuda por medo de julgamento ou por não reconhecerem os sinais da doença. Por isso, iniciativas de informação são essenciais para ampliar o entendimento e incentivar o cuidado adequado.
Como o transtorno se manifesta
O transtorno bipolar se caracteriza pela alternância de episódios de depressão, mania ou hipomania, intercalados por períodos de estabilidade. Durante as fases depressivas, são comuns sintomas como desânimo, pessimismo, alterações do sono, apetite e dificuldades cognitivas.

Já nos episódios de mania, podem ocorrer pensamentos acelerados, impulsividade, desinibição e gastos excessivos. Os episódios podem durar semanas ou meses e variam de pessoa para pessoa. Em muitos casos, há períodos sem sintomas entre as crises.
O que se sabe sobre as causas
De acordo com o Ministério da Saúde, a causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida. Alterações em substâncias químicas do cérebro, como os neurotransmissores noradrenalina e serotonina, podem estar envolvidas. Eventos estressantes também podem anteceder episódios, embora não exista uma relação direta comprovada.
Além disso, alguns quadros semelhantes podem ser desencadeados por outras condições de saúde, como o hipertireoidismo, ou pelo uso de medicamentos e substâncias psicoativas.
Tratamento garante qualidade de vida
Embora não tenha cura, o transtorno bipolar tem tratamento e controle. Com acompanhamento adequado, é possível manter estabilidade e qualidade de vida. O cuidado envolve uso de medicação, acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia.
Além disso, hábitos saudáveis, como prática de atividade física e alimentação equilibrada, potencializam os resultados. Assim como outras doenças psiquiátricas, quando tratado corretamente, o transtorno bipolar não impede que o indivíduo tenha uma vida funcional e produtiva.
Informação e acolhimento fazem diferença
No HJM, ações educativas com equipes multiprofissionais buscam orientar pacientes e familiares, reforçando a importância do acolhimento e da continuidade do tratamento.

“Essa ação de sala de espera é muito importante, principalmente para conscientizar sobre a necessidade de acolhimento do paciente pelo familiar, de não julgar, de estar atento aos sinais para trazer para o acompanhamento, e sobre o uso correto da medicação. O paciente bem cuidado e acompanhado consegue ficar bem estabilizado e seguir uma vida normal”, destacou a farmacêutica Ilma Pereira.
“Há cerca de ano realizamos palestras na sala de espera integrando a equipe multi: farmácia, enfermagem, odonto, assistência social, médicos, desenvolvendo atividades voltadas a levar informação ao paciente, pois somos um hospital especializado, pronto para oferecer esse cuidado qualificado”, pontuou Dra. Jacira Miranda, coordenadora do ambulatório do HJM.
Onde buscar ajuda
Pessoas que precisam de apoio podem procurar atendimento na rede de saúde:
• Centro de Valorização da Vida – Ligue 188
• Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
• Unidades Básicas de Saúde (UBS)
• SAMU – 192
• Hospital Juliano Moreira (HJM)
• Hospital Mário Leal Ferreira
Combater o estigma e ampliar o acesso à informação são passos essenciais para garantir diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e mais qualidade de vida para quem convive com o transtorno bipolar.

