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A chegada do primeiro cachorro exige planejamento, desde a preparação da casa até vacinação, alimentação e adaptação. Confira os principais cuidados para receber o novo pet com segurança.
família chegando com cachorro em casa

Foto: Magnific

Vai ter um cachorro pela primeira vez? Veja o que preparar em casa

DIA MUNDIAL DO CÃO

Da adaptação do ambiente à vacinação e alimentação, cuidados prévios ajudam a tornar a chegada do novo pet mais segura e tranquila.

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A chegada do primeiro cachorro exige planejamento, desde a preparação da casa até vacinação, alimentação e adaptação. Confira os principais cuidados para receber o novo pet com segurança.
Tempo de Leitura: 6 minutos

O dia 26 de agosto é dedicado ao Dia Mundial do Cão. Para quem aproveita a data para pensar em ter um cachorro pela primeira vez, a decisão começa antes mesmo da chegada do animal. Afinal, receber um novo integrante em casa exige mudanças na rotina, organização do ambiente e planejamento dos cuidados que farão parte da vida da família.

Preparar a casa, definir uma rotina e organizar os primeiros cuidados de saúde estão entre as medidas que ajudam a tornar a adaptação mais segura. Também é preciso considerar situações comuns, como as primeiras noites, o aprendizado do local correto para fazer as necessidades e a fase em que o filhote começa a morder móveis e objetos.

Por isso, antes de escolher o animal, vale avaliar se a família tem tempo, espaço e condições financeiras para assumir a responsabilidade. Um cachorro precisa de atenção, atividade física, higiene e acompanhamento veterinário ao longo da vida.

Quem passa muitas horas fora de casa ou viaja com frequência também deve pensar em alternativas para os períodos de ausência, como creches e hospedagens especializadas. Da mesma forma, o espaço disponível influencia na escolha: cães maiores, por exemplo, precisam de oportunidades para se exercitar e gastar energia.

Já o orçamento deve considerar alimentação, consultas, vacinas, exames e possíveis tratamentos.

É importante escolher um animal que seja compatível com o estilo de vida da família. Ter um cachorro envolve uma responsabilidade que vai acompanhar aquela casa por muitos anos”, explica a veterinária Beatriz Ferlin, do Hospital Veterinário Taquaral.

família com cachorro em carro
Imagem: arquivo pessoal

A experiência de quem passou pela primeira vez

A empresária Priscilla Rabelo e o administrador de empresas Ciro Rabelo decidiram ter um cachorro depois de se mudarem de um apartamento para uma casa. Uma semana após a decisão, foram a um canil e levaram Beni, um border collie de 45 dias.

A escolha considerou justamente o perfil que o casal buscava para a rotina. “Eu queria um cão que corresse comigo, fosse em restaurantes, shopping e viajasse, enfim, que participasse da nossa rotina”, conta Priscilla.

Hoje, aos cinco meses, Beni e os tutores estão mais adaptados. Mesmo assim, o comportamento do filhote continua trazendo novidades. O casal contratou um adestrador, que deve permanecer acompanhando a família por mais seis meses.

Amamos o Beni e ele faz parte da família, mas os sustos do início foram gigantescos. Acredito que se tivéssemos pesquisado mais, nos planejado melhor antes de trazê-lo pra casa muitos transtornos não teriam acontecido”, afirma.

O relato mostra como a empolgação com a chegada de um cachorro pode esconder desafios que aparecem somente no dia a dia. Informação e planejamento antes da chegada ajudam a família a se preparar para as demandas do animal.

Filhote não é a única opção

Quando uma família decide ter um cachorro, é comum pensar primeiro em um filhote. No entanto, cães adultos também podem ser uma alternativa, especialmente para pessoas que procuram um animal com características comportamentais mais definidas.

Filhotes precisam de bastante tempo para brincar, gastar energia e aprender as regras de convivência. Por isso, dependendo da rotina da casa, eles podem não ser a melhor escolha. Famílias com idosos que tenham dificuldade para acompanhar essa intensidade, por exemplo, podem encontrar mais facilidade com um animal adulto.

“Muitas vezes já sabemos se ele é mais calmo ou ativo, se precisa de muita companhia, se se adapta bem a um apartamento e até se já faz as necessidades no local correto. São animais que já estão, de certa forma, prontos, e isso nem sempre é valorizado por quem procura um pet”, explica Beatriz.

A casa também precisa entrar no planejamento

Antes da chegada do cachorro, a família deve definir os locais onde ele vai comer, dormir e fazer as necessidades. Comedouro, bebedouro, cama, cobertores e tapete higiênico ou outro sistema escolhido para o banheiro precisam estar disponíveis.

Os brinquedos também entram nessa preparação. O chamado enriquecimento ambiental oferece alternativas para o animal brincar, explorar o espaço e se manter ocupado.

A segurança, entretanto, exige uma vistoria cuidadosa em todos os cômodos. Fios elétricos, produtos de limpeza, medicamentos, plantas tóxicas, lixeiras e objetos pequenos devem ficar fora do alcance do cachorro.

Portões e telas também ajudam a prevenir fugas e acidentes. Em apartamentos e casas com áreas altas, a proteção das janelas e de outros espaços de risco merece atenção antes da chegada do animal.

“Na hora de abrir um portão, por exemplo, alguém deve estar segurando o cão ou mantê-lo em um espaço seguro. Em apartamentos e casas com áreas altas, as telas são uma proteção fundamental”, orienta Beatriz.

Se houver crianças, a interação precisa de supervisão de um adulto. A apresentação deve acontecer de maneira tranquila, respeitando o espaço tanto da criança quanto do cachorro.

Quando a casa já tem outros animais, a aproximação também deve ocorrer aos poucos. A família deve continuar dando atenção ao pet que já vivia no local e evitar deixá-los sozinhos até que a adaptação esteja consolidada.

Vacinação está entre as prioridades

Depois da adoção ou compra, uma das primeiras medidas é marcar uma consulta veterinária. O atendimento permite avaliar as condições de saúde do animal e definir um plano individual de vacinação, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e realização de exames, quando necessários.

No caso dos filhotes, o protocolo de vacinação deve seguir a avaliação do veterinário e as orientações do fabricante. Vacinas polivalentes, como V8 e V10, são utilizadas nos protocolos de imunização e precisam de doses sequenciais para garantir uma resposta adequada. O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo destaca que essas doses costumam ser aplicadas em intervalos de duas a quatro semanas, conforme a avaliação do risco de exposição.

A vacinação contra a raiva também merece atenção. Manter cães vacinados é uma das principais medidas de prevenção da raiva, doença grave que também representa um problema de saúde pública. O Ministério da Saúde mantém a recomendação de vacinação de cães e gatos e informa que as campanhas antirrábicas continuam sendo realizadas em grande parte do país.

O Brasil completa, em 2026, dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida pelas variantes caninas clássicas. Apesar do avanço, o vírus continua circulando entre animais silvestres, o que mantém a vacinação e a vigilância como medidas importantes de prevenção.

Passeios precisam respeitar a vacinação

Antes de liberar o filhote para passeios e contato com outros animais, é importante considerar o estágio da vacinação, a vermifugação e o controle de ectoparasitas. Por isso, a decisão sobre quando o cachorro pode começar a frequentar ambientes externos deve ser feita com orientação veterinária, considerando o protocolo de imunização e os riscos existentes na região.

A microchipagem é opcional e pode funcionar como uma forma adicional de identificação do animal.

Xixi no lugar certo exige tempo

Ensinar o filhote a fazer as necessidades no local correto costuma ser um dos primeiros desafios para os tutores. O processo exige repetição e paciência, já que o animal ainda está aprendendo a rotina da casa.

O reforço positivo pode ajudar na aprendizagem, enquanto punições devem ser evitadas. Quando surgirem dificuldades persistentes, um profissional especializado em comportamento animal pode orientar a família.

Morder móveis, objetos e fios também faz parte do desenvolvimento dos filhotes. Durante a troca de dentes, o desconforto pode aumentar a necessidade de roer.

Por isso, oferecer brinquedos e mordedores apropriados ajuda a direcionar esse comportamento. Ao mesmo tempo, objetos perigosos, principalmente fios e peças pequenas, precisam permanecer fora do alcance.

Alimentação deve acompanhar as necessidades do animal

A alimentação também precisa considerar as características individuais do cachorro. Idade, porte, raça, estilo de vida e condições de saúde são alguns dos fatores que devem orientar a escolha da ração.

Alguns animais, inclusive, precisam de dietas específicas. Além disso, determinados alimentos comuns na alimentação humana podem ser prejudiciais aos cães.

Chocolate, cebola, alho, uvas, abacate, café, massas cruas com fermento, xilitol e ossos cozidos não devem ser oferecidos aos animais.

“Alguns dos problemas mais comuns acontecem por falta de informação. Dar alimentos inadequados, oferecer medicamentos por conta própria ou esperar demais para procurar atendimento são situações que podem ser evitadas”, alerta Beatriz.

Veterinária Beatriz Ferlin
Veterinária Beatriz Ferlin\ Foto:Vinícius Ferraz

Quando procurar o veterinário

Mudanças persistentes no comportamento ou na alimentação também merecem atenção. Falta de apetite ou apatia persistentes, vômitos e diarreia constantes e secreções nasal ou ocular são sinais que justificam uma avaliação veterinária.

A orientação profissional também é importante antes de administrar medicamentos ou fazer mudanças significativas na alimentação.

Ter um cachorro pela primeira vez, portanto, não significa apenas escolher um animal e levá-lo para casa. A chegada de um pet envolve planejamento, adaptação e cuidados que começam antes mesmo do primeiro dia de convivência. Com a casa preparada, a rotina organizada e acompanhamento veterinário, a família consegue reduzir riscos e tornar a adaptação mais tranquila para o novo integrante.

 

 

 

 

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