Com a variedade de produtos menstruais disponíveis no mercado, muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre qual opção oferece mais segurança para a saúde íntima. Absorvente externo, interno, coletor menstrual e calcinha absorvente apresentam vantagens diferentes. No entanto, especialistas alertam que o principal fator para evitar problemas ginecológicos não está apenas na escolha do método, mas também na forma correta de utilização e higienização.
Segundo a ginecologista Fernanda Nassar, cada organismo reage de maneira diferente aos materiais utilizados nos produtos menstruais. Por isso, conforto, rotina, fluxo menstrual e sensibilidade da pele precisam ser considerados na escolha.
“O mais importante é entender que nenhum método fica totalmente livre de riscos quando a pessoa utiliza o produto de forma inadequada. O tempo de troca, a higiene e a adaptação ao corpo fazem toda a diferença para preservar a saúde íntima”, explica a médica.
Além disso, especialistas reforçam que o debate sobre saúde menstrual também envolve dignidade e acesso à informação. A dignidade menstrual é considerada um direito fundamental de todas as pessoas que menstruam e inclui acesso a produtos adequados, informação de qualidade e condições de higiene necessárias para viver o período menstrual com segurança, conforto e saúde.
De acordo com a UNICEF, garantir essas condições é essencial para promover saúde, inclusão e qualidade de vida. A entidade também destaca que a menstruação é um processo natural vivido diariamente por milhões de pessoas em todo o mundo e que a falta de acesso a absorventes e a condições adequadas ainda representa um desafio social e de saúde pública.
Nesse contexto, é importante ressaltar que menstruar não deve ser motivo para interromper atividades do dia a dia, deixar de frequentar a escola ou abrir mão de momentos de convivência e bem-estar. Dessa forma, o acesso a produtos menstruais, acolhimento e informação adequada é apontado como parte importante da promoção da saúde e da redução das desigualdades.

Absorvente externo exige trocas frequentes
O absorvente externo continua entre os métodos mais populares devido à praticidade e ao custo acessível. Apesar disso, o contato constante com calor e umidade favorece a proliferação de bactérias e intensifica odores.
Além disso, alguns modelos perfumados podem causar irritações e alergias na região íntima, principalmente em pessoas com maior sensibilidade cutânea. De acordo com a especialista, o absorvente deve ser trocado a cada quatro horas, mesmo em dias de fluxo mais leve.
Calcinha menstrual oferece conforto, mas exige higienização correta
Nos últimos anos, as calcinhas absorventes ganharam espaço porque unem conforto, sustentabilidade e redução de resíduos. Ainda assim, a limpeza inadequada aumenta o risco de infecções.
“A mulher precisa lavar a peça logo após o uso, com água fria e sabão neutro, sem amaciante ou produtos perfumados. Além disso, ela precisa deixar a calcinha secar completamente antes de reutilizar”, alerta Fernanda Nassar.
Quando a higienização acontece de forma inadequada, fungos e bactérias podem se proliferar no tecido e favorecer irritações e alterações na flora vaginal.
Coletor menstrual reduz umidade, mas requer esterilização
O coletor menstrual também tem se destacado como alternativa sustentável e confortável. Como o método evita o contato prolongado da pele com a umidade, muitas mulheres relatam menos irritações durante o período menstrual.
Por outro lado, o uso exige atenção redobrada à higienização. A recomendação inclui lavar o coletor a cada retirada e respeitar o tempo máximo de permanência indicado pelo fabricante, geralmente de até oito horas.
Além disso, o coletor precisa ser esterilizado corretamente entre os ciclos menstruais para evitar contaminações e possíveis infecções ginecológicas.

Absorvente interno pode trazer riscos graves quando usado incorretamente
Muitas mulheres utilizam o absorvente interno durante atividades físicas e momentos de lazer, como idas à praia e à piscina, por causa da praticidade e da discrição. Porém, o uso prolongado pode provocar complicações importantes.
Entre os principais riscos está a Síndrome do Choque Tóxico, condição rara, mas grave, associada à permanência excessiva do tampão no organismo.
“O absorvente interno também pode causar ressecamento da mucosa vaginal e alterar a flora íntima, favorecendo infecções como a candidíase. Por isso, a mulher deve realizar as trocas no máximo a cada quatro ou seis horas”, destaca a ginecologista.
Escolha deve considerar rotina e adaptação do corpo
Embora não exista um método universalmente melhor, especialistas reforçam a importância de observar os sinais do corpo para evitar desconfortos e problemas ginecológicos.
Coceira, ardência, irritação frequente ou alterações no corrimento podem indicar intolerância ao material utilizado ou falhas na higienização. Nesses casos, a recomendação é procurar orientação médica para identificar a opção mais adequada para cada organismo.
#FicaDicaComSaúde
Além disso, o Ministério da Saúde mantém o Programa Dignidade Menstrual, iniciativa que garante distribuição gratuita de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O benefício pode ser acessado por públicos elegíveis por meio do Programa Farmácia Popular.
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