O linfoma é um tipo de câncer que surge no sistema linfático, parte do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo. A doença reúne diferentes tipos e subtipos, com características, velocidades de crescimento e tratamentos distintos.
Durante o Agosto Verde Claro, mês de conscientização sobre o linfoma, a campanha reforça a importância de conhecer os sinais da doença e procurar atendimento médico diante de alterações persistentes. A iniciativa busca ampliar a informação sobre os linfomas e destacar a importância da descoberta precoce.
De acordo com a publicação Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o instituto estima 3.070 novos casos de linfoma de Hodgkin por ano no país no triênio de 2026 a 2028. Quando somados aos casos de linfoma não Hodgkin, o número chega a aproximadamente 16 mil novos diagnósticos anuais.

Tipos de linfoma
Os médicos classificam os linfomas em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin.
O linfoma de Hodgkin é menos frequente e apresenta maior ocorrência entre adultos jovens e pessoas mais velhas. Segundo Felipe Furtado, hematologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, a maioria dos pacientes responde muito bem ao tratamento, principalmente quando o diagnóstico ocorre precocemente.
Já o linfoma não Hodgkin reúne mais de 80 subtipos. A doença pode surgir em diferentes faixas etárias, embora apareça com maior frequência entre pessoas idosas. Enquanto algumas formas apresentam crescimento lento, outras evoluem de maneira mais agressiva.
Por isso, o médico define o tratamento de acordo com o subtipo do linfoma e as características de cada paciente. A avaliação também considera a extensão da doença e outros fatores clínicos.
Sintomas que merecem atenção
Um dos sinais mais característicos do linfoma é o aumento persistente de um ou mais linfonodos, conhecidos popularmente como ínguas. Eles costumam aparecer no pescoço, nas axilas ou na virilha e, em muitos casos, não provocam dor.
A doença também pode provocar:
- febre sem causa aparente;
- suor intenso, principalmente durante a noite;
- perda de peso sem explicação;
- cansaço persistente;
- coceira pelo corpo;
- tosse;
- falta de ar;
- dor no peito;
- sensação de barriga cheia.
A localização e o tipo do linfoma influenciam os sintomas apresentados pelo paciente. No entanto, esses sinais não indicam necessariamente a presença de câncer. Infecções e outras condições de saúde também podem provocar aumento dos linfonodos, febre, cansaço e manifestações semelhantes.
O principal alerta envolve a persistência dos sintomas ou o surgimento de diferentes sinais sem uma causa esclarecida. Nesses casos, a pessoa deve procurar atendimento médico para investigar a origem das alterações.
Como acontece o diagnóstico
O médico inicia a investigação com uma avaliação clínica e um exame físico. Durante a consulta, ele verifica os linfonodos, observa outros sinais e define quais exames complementares podem ajudar na investigação.
Quando existe suspeita de linfoma, a biópsia de um linfonodo representa uma das principais etapas para confirmar o diagnóstico e identificar o subtipo da doença. Nesse procedimento, o profissional retira um gânglio ou parte dele e encaminha o material para análise laboratorial.
O exame permite observar as características das células e determinar com maior precisão qual tipo de linfoma o paciente apresenta. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) também aponta a biópsia de linfonodo como procedimento fundamental para o diagnóstico do linfoma de Hodgkin.
Depois da confirmação, o médico pode solicitar exames de sangue, tomografia computadorizada e PET-CT para avaliar a extensão da doença. Em determinadas situações, a equipe também pode investigar a medula óssea.
O PET-CT reúne informações anatômicas e metabólicas e ajuda a identificar áreas do organismo afetadas pelo linfoma. No linfoma de Hodgkin, o INCA considera o exame uma ferramenta importante para a avaliação inicial e o estadiamento da doença.
Diagnóstico precoce favorece o tratamento
A identificação do linfoma em uma fase inicial pode facilitar o planejamento terapêutico e permitir que a equipe médica escolha a estratégia mais adequada para cada paciente.
No linfoma de Hodgkin, por exemplo, o tratamento apresenta altas taxas de resposta em muitos casos, principalmente quando a equipe identifica a doença precocemente. Já nos linfomas não Hodgkin, o prognóstico varia conforme o subtipo, o estágio e outros fatores clínicos.
Por esse motivo, os médicos não utilizam um único tratamento para todos os pacientes. Conforme o caso, a equipe pode indicar quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, radioterapia, transplante de células-tronco hematopoéticas ou acompanhamento clínico.
A escolha depende do tipo de linfoma, da velocidade de crescimento, da extensão da doença e das condições gerais do paciente.
Fatores de risco e prevenção
Na maioria dos casos, os médicos não conseguem identificar uma causa específica para o surgimento do linfoma. Alguns fatores, entretanto, podem aumentar o risco, como idade avançada, alterações no sistema imunológico, uso de medicamentos que reduzem a imunidade após transplantes, infecção pelo HIV e determinadas infecções virais.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá linfoma. Eles apenas podem aumentar a probabilidade de ocorrência da doença.
Além disso, atualmente não existe uma estratégia comprovadamente eficaz para prevenir todos os casos de linfoma. Ainda assim, algumas medidas podem ajudar a reduzir determinados fatores de risco. Entre elas estão a prevenção do HIV e o acompanhamento adequado de doenças que comprometem o sistema imunológico.

Quando procurar ajuda médica
O aparecimento de uma íngua não significa, por si só, que exista um linfoma. Infecções comuns também podem aumentar os linfonodos. Porém, quando o aumento persiste ou aparece acompanhado de outros sintomas, a avaliação médica ajuda a esclarecer a causa e determinar se são necessários exames complementares.
O acompanhamento também permite identificar outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes. Dessa forma, a informação sobre os sinais do linfoma não deve gerar alarmismo, mas incentivar a busca por atendimento quando houver alterações persistentes.
O diagnóstico depende de investigação médica e exames específicos, por isso não é possível confirmar a doença apenas pelos sintomas. A avaliação precoce pode contribuir para que o paciente receba o diagnóstico adequado e tenha acesso ao tratamento indicado para seu caso.


