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A chegada da primavera aumenta a presença de pólen no ar e pode intensificar sintomas de alergias respiratórias. Entenda os principais desencadeadores e saiba quando buscar avaliação médica.
Pessoa espirrando ao ar livre durante a primavera

Foto: Magnific

Alergia na primavera: aumento do pólen pode intensificar sintomas respiratórios

ALERGIA NA PRIMAVERA

Espirros, coriza, coceira no nariz e nos olhos e congestão nasal estão entre as manifestações que podem piorar na estação

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A chegada da primavera aumenta a presença de pólen no ar e pode intensificar sintomas de alergias respiratórias. Entenda os principais desencadeadores e saiba quando buscar avaliação médica.
Tempo de Leitura: 4 minutos

A chegada da primavera pode trazer mais desconforto para pessoas com alergias respiratórias. O aumento da floração eleva a quantidade de pólen presente no ar. Em pessoas sensibilizadas, esse cenário pode intensificar sintomas como espirros frequentes, coriza, coceira no nariz e nos olhos e congestão nasal.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) aponta o pólen entre os principais agentes relacionados às alergias sazonais. Na primavera, a maior presença desse material no ambiente pode favorecer o surgimento ou o agravamento de manifestações alérgicas.

Apesar da relação com a estação, o pólen não é o único fator envolvido. Pessoas sensibilizadas também podem apresentar sintomas em outras épocas do ano. Isso ocorre porque alguns alérgenos permanecem presentes nos ambientes durante todo o ano.

Entre eles estão os ácaros encontrados na poeira domiciliar, que podem contribuir para a persistência ou o agravamento dos sintomas.

Close de flores liberando pólen
Imagem: Magnific

Pólen não é o único desencadeador

O médico de família e comunidade Leonardo Abreu, da Amparo Saúde, empresa de atenção primária do Grupo Sabin, explica que os ácaros presentes na poeira doméstica também podem provocar manifestações em pessoas sensibilizadas.

A rinite alérgica apresenta sintomas como espirros, coriza, coceira e obstrução nasal. Em alguns casos, também aparecem manifestações nos olhos. Documentos técnicos do Ministério da Saúde apontam os ácaros da poeira domiciliar entre os principais alérgenos relacionados à doença.

A ASBAI também destaca a presença de diferentes alérgenos no ambiente. Entre eles estão ácaros, pólens, fungos e outros agentes capazes de desencadear manifestações respiratórias e oculares.

Por isso, observar a relação entre os sintomas e os ambientes frequentados pode ajudar na investigação. Essa observação também permite identificar se as manifestações aparecem em determinadas épocas do ano ou após contato com ambientes específicos.

Controle do ambiente ajuda a reduzir a exposição

O controle ambiental faz parte dos cuidados para pessoas com alergias respiratórias. A ASBAI recomenda manter os ambientes limpos, reduzir o acúmulo de poeira e cuidar da ventilação dos espaços.

No caso dos ácaros, esses cuidados ganham importância porque eles estão presentes na poeira domiciliar. A exposição pode ocorrer em diferentes locais da casa, especialmente onde existe maior acúmulo de poeira.

Durante a primavera, pessoas que já identificaram sensibilidade ao pólen também podem observar a relação entre a exposição a ambientes externos e o aumento dos sintomas. A ASBAI relaciona a presença de pólen a manifestações como rinite e conjuntivite alérgica.

Quando procurar avaliação médica

Quando os sintomas surgem ou pioram durante a primavera, a pessoa deve procurar avaliação médica para investigar os possíveis desencadeadores da alergia.

O profissional considera os sintomas, o histórico do paciente e a exposição a possíveis alérgenos. Os exames podem complementar essa avaliação quando houver indicação clínica.

Segundo Leonardo Abreu, a investigação pode incluir exames laboratoriais que avaliam anticorpos relacionados às reações alérgicas, como a imunoglobulina E (IgE).

“De todo modo, os resultados não devem ser interpretados isoladamente, já que precisam ser associados à avaliação clínica. A investigação deve considerar os sintomas, o histórico do paciente e a exposição a possíveis alérgenos”, alerta o médico.

A avaliação clínica ganha importância porque um resultado laboratorial, sozinho, não confirma necessariamente que determinado alérgeno provoca os sintomas. A presença de IgE específica indica sensibilização, mas o profissional precisa relacionar o resultado às manifestações apresentadas pelo paciente.

O Consenso Brasileiro de Rinite destaca que a investigação deve considerar a história clínica e a identificação dos alérgenos relevantes para cada caso. Entre os recursos disponíveis estão testes cutâneos e a avaliação dos níveis séricos de IgE específica.

Como funcionam os exames para investigar alergias

A dosagem de IgE específica pesquisa anticorpos direcionados a determinados alérgenos. O exame pode avaliar diferentes substâncias, conforme a suspeita clínica e a história apresentada pelo paciente.

Também existem painéis capazes de analisar diversos componentes alergênicos ao mesmo tempo. Uma dessas plataformas avalia 112 componentes moleculares alergênicos de 51 fontes alergênicas.

O diagnóstico molecular de alergias também utiliza o chamado diagnóstico resolvido por componentes (CRD, na sigla em inglês). Essa abordagem permite analisar a sensibilização a proteínas ou componentes específicos de uma fonte alergênica.

O método pode ajudar o profissional a diferenciar a sensibilização a componentes específicos de possíveis reações cruzadas entre diferentes fontes alergênicas. Dessa forma, a análise molecular pode acrescentar informações à investigação em situações selecionadas.

No entanto, nem todo quadro alérgico exige um painel amplo ou uma investigação molecular. O médico deve indicar os exames conforme os sintomas, o histórico clínico e a suspeita de exposição a determinados alérgenos.

Tubos de coleta de sangue em laboratório.
Imagem: Magnific

Observar os sintomas também faz parte do cuidado

Além da avaliação médica, observar quando os sintomas aparecem pode fornecer informações úteis para a investigação. O paciente pode registrar em quais ambientes as manifestações surgem, em que período do ano elas pioram e quais situações acontecem antes dos sintomas.

Essa observação pode ajudar a identificar possíveis relações com determinados alérgenos. Também pode facilitar a conversa com o profissional de saúde durante a consulta.

Leonardo Abreu chama atenção para pacientes que apresentam sintomas recorrentes em determinadas épocas do ano.

“Muitos pacientes que vivem com esses sintomas acabam utilizando frequentemente medicações para aliviar momentaneamente o incômodo, sem chegar à causa real. Por isso, para quem costuma apresentar sintomas nessa época do ano, observar quando e em quais ambientes eles aparecem pode ajudar a entender melhor o próprio quadro e, com isso, adotar medidas de prevenção mais direcionadas”, completa.

A identificação de um possível desencadeador não significa que uma única exposição explique todos os sintomas. Pessoas sensibilizadas podem reagir a diferentes alérgenos. Além disso, diferentes fatores ambientais podem contribuir para o agravamento das manifestações.

Por isso, a chegada da primavera pode ser um momento para redobrar a atenção aos sintomas alérgicos, principalmente entre pessoas que já apresentam histórico de rinite, conjuntivite alérgica ou outras doenças respiratórias.

A observação dos sintomas, o controle ambiental e a avaliação profissional podem contribuir para uma investigação mais direcionada. A partir dessas informações, o profissional pode definir os cuidados mais adequados para cada paciente.

 

 

 

 

 

 

 

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