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O controle de fatores cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e colesterol, pode contribuir para a saúde cerebral e integrar estratégias de prevenção do Alzheimer.
saúde cerebral e coração

Foto: Imagem gerada por IA

Alzheimer: cuidar do coração também ajuda a preservar a saúde cerebral

SETEMBRO LILÁS

Controle da pressão, diabetes, colesterol e outros fatores de risco pode contribuir para a prevenção da demência

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O controle de fatores cardiovasculares, como hipertensão, diabetes e colesterol, pode contribuir para a saúde cerebral e integrar estratégias de prevenção do Alzheimer.
Tempo de Leitura: 7 minutos

Quando o assunto é doença de Alzheimer, a perda de memória costuma ser uma das primeiras características associadas à condição. No entanto, a prevenção também envolve fatores relacionados à saúde cardiovascular. Controlar condições como hipertensão arterial, diabetes e colesterol, além de manter hábitos de vida saudáveis, pode contribuir para os cuidados com a saúde cerebral ao longo da vida.

A relação entre os dois campos ganha atenção porque alguns fatores de risco cardiovasculares também aparecem entre aqueles que podem ser modificados na prevenção ou no adiamento de casos de demência. Entre eles estão hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol, obesidade, má alimentação e sedentarismo, segundo Marçal de Oliveira Huoya, cardiologista e professor da Afya Salvador.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aparece na explicação do especialista sobre a relação entre fatores de risco modificáveis e demência. Segundo Huoya, o controle dessas condições deve integrar uma estratégia de prevenção que comece antes do envelhecimento.

“Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase metade dos casos de demência podem ser prevenidas ou adiadas pelo controle de 14 fatores de risco modificáveis e a hipertensão arterial, diabetes mellitus, colesterol, obesidade, má alimentação e sedentarismo estão entre eles, pois contribuem para o enrijecimento das artérias e a obstrução gradativa da circulação cerebral, o que leva à redução do fluxo sanguíneo cerebral resultando em lesões degenerativas cerebrais com reflexo na cognição e no comportamento, alterações características no paciente com Doença de Alzheimer”, destaca.

Além disso, o cardiologista considera que o envelhecimento aumenta a vulnerabilidade às doenças crônicas. Por isso, o acompanhamento das condições cardiovasculares não deve começar apenas quando surgem alterações de memória ou outros sinais relacionados à cognição.

Pessoa aferindo a pressão arterial em casa
Imagem: Magnific

Hipertensão atinge 29,4% dos adultos de Salvador

A importância do controle da pressão arterial também aparece nos dados locais apresentados no material. Segundo o Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, 29,4% dos adultos de Salvador informaram ter recebido diagnóstico médico de hipertensão arterial.

O Vigitel, do Ministério da Saúde, reúne dados sobre fatores de risco e proteção relacionados às doenças crônicas nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

De acordo com o material fornecido, esse percentual colocou Salvador na quarta posição entre as capitais brasileiras, atrás de Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

Nesse contexto, a hipertensão aparece entre as condições relacionadas aos fatores modificáveis associados à demência. Portanto, acompanhar a pressão arterial integra o cuidado com a saúde cardiovascular e também aparece na abordagem apresentada pelo especialista sobre prevenção do declínio cognitivo.

Além disso, o dado de Salvador aproxima a discussão da realidade da população local. Ao mesmo tempo, o material ressalta que a prevenção precisa começar antes do envelhecimento, com acompanhamento das doenças crônicas e adoção de hábitos que contribuam para a manutenção da saúde.

Por que a saúde cardiovascular entra na discussão sobre Alzheimer?

A relação apresentada pelo cardiologista envolve o funcionamento dos vasos sanguíneos e a circulação cerebral. Segundo Huoya, condições como hipertensão, diabetes e colesterol, associadas à obesidade, à alimentação inadequada e ao sedentarismo, podem contribuir para alterações nas artérias.

De acordo com a explicação do especialista, o enrijecimento dos vasos e a obstrução gradativa da circulação podem reduzir o fluxo sanguíneo cerebral. Como consequência, esse processo pode levar a lesões degenerativas com reflexos na cognição e no comportamento.

É nesse ponto que o cuidado cardiovascular entra na discussão sobre saúde cerebral. Entretanto, o controle desses fatores não significa que uma pessoa ficará protegida contra o Alzheimer. O material destaca, especificamente, a possibilidade de atuar sobre fatores de risco que podem ser modificados.

Dessa maneira, a abordagem amplia a discussão sobre prevenção. Em vez de concentrar os cuidados exclusivamente na memória, ela considera também condições crônicas e hábitos que fazem parte da saúde geral.

Para o cardiologista, cuidar da saúde cerebral exige atenção antes do surgimento de alterações cognitivas. Assim, a prevenção envolve medidas que podem acompanhar diferentes fases da vida.

Fatores modificáveis e fatores que não podem ser controlados

O material também diferencia os fatores que podem ser modificados daqueles que não estão sob controle individual. Entre os elementos não controláveis, Huoya cita os antecedentes familiares de Alzheimer e as mutações genéticas.

Esses fatores podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento da doença, segundo o especialista. Ainda assim, a presença deles não elimina a importância de acompanhar os fatores que podem ser modificados.

“Muito embora os antecedentes familiares da presença de Alzheimer na família e mutações genéticas sejam fatores de risco não controláveis, aumentando a probabilidade do desenvolvimento da doença, o controle de fatores de risco que resultam na aterosclerose pode contribuir para retardar o desenvolvimento do Alzheimer.”

Essa distinção ajuda a compreender os limites da prevenção. Nem todos os fatores associados ao Alzheimer podem ser controlados. Por outro lado, as pessoas podem acompanhar e tratar condições relacionadas à saúde cardiovascular.

Portanto, a prevenção não significa eliminar a possibilidade de desenvolvimento da doença. A proposta apresentada pelo especialista consiste em atuar sobre fatores modificáveis e acompanhar as condições de saúde ao longo da vida.

Pressão, diabetes, colesterol e peso exigem acompanhamento

Entre as medidas destacadas por Huoya está o controle da pressão arterial. Além disso, o especialista cita o acompanhamento da diabetes, do colesterol e do peso como parte dos cuidados que podem contribuir para a manutenção da saúde.

Esses cuidados se relacionam ao controle dos fatores que resultam na aterosclerose, apontada pelo cardiologista como parte da relação entre saúde cardiovascular e cerebral.

Por isso, o acompanhamento das doenças crônicas deve ocorrer de maneira contínua, e não apenas quando aparecem sinais de alteração da memória.

Nesse sentido, o especialista propõe considerar diferentes fatores em conjunto. Pressão arterial, diabetes, colesterol e peso fazem parte do mesmo cuidado preventivo que também inclui alimentação e atividade física.

Alimentação e atividade física fazem parte dos cuidados

Os hábitos cotidianos também aparecem entre as medidas destacadas pelo cardiologista. A escolha dos alimentos e a prática regular de atividade física estão entre as ações citadas para a manutenção da saúde.

“Então, controlar a pressão arterial, a diabetes, o colesterol, o peso e manter hábitos de vida saudáveis, como a escolha dos alimentos e a prática regular de atividade física, são ações essenciais para manter a saúde em dia”, explica Marçal de Oliveira Huoya.

Assim, a orientação reúne cuidados relacionados às doenças crônicas e ao estilo de vida. O controle da pressão arterial, da diabetes e do colesterol se soma à atenção ao peso, à alimentação e à prática de atividades físicas.

Além disso, a prevenção não depende de uma única medida. O acompanhamento médico das condições crônicas e a manutenção de hábitos saudáveis aparecem como ações complementares dentro de uma estratégia de cuidado ao longo da vida.

Dessa forma, o objetivo apresentado pelo cardiologista é atuar sobre fatores que podem ser modificados, sem desconsiderar a existência de características que não podem ser controladas, como antecedentes familiares e mutações genéticas.

Cuidado com o cérebro começa antes dos sinais de perda de memória

Para o cardiologista da Afya Salvador, a atenção à saúde cerebral não deve começar somente quando aparecem esquecimentos ou outras alterações cognitivas. O cuidado pode ocorrer antes, por meio do acompanhamento das condições crônicas e da adoção de hábitos de vida saudáveis.

Além disso, a abordagem considera o envelhecimento. Com o passar dos anos, as pessoas ficam mais vulneráveis às doenças crônicas. Por isso, acompanhar a saúde durante as diferentes fases da vida ganha importância.

Nesse cenário, controlar fatores cardiovasculares pode integrar uma estratégia mais ampla de cuidado com a saúde cerebral, conforme a avaliação apresentada pelo especialista.

Entretanto, essa relação não significa que todas as pessoas com hipertensão, diabetes ou colesterol elevado desenvolverão Alzheimer. Da mesma forma, controlar esses fatores não elimina todos os riscos relacionados à doença. O foco está nos fatores modificáveis que as pessoas podem acompanhar e controlar.

Prevenção de doenças crônicas precisa considerar o organismo como um todo

A relação entre coração, circulação e cérebro também leva a uma discussão sobre a forma de acompanhar as doenças crônicas. Para Huoya, o cuidado não deve tratar cada condição de maneira completamente isolada.

“A prevenção de doenças crônicas precisa ser pensada de maneira integrada: o que acontece com os vasos, a circulação e o metabolismo também repercute em outros órgãos, e não cabe mais separar o cuidado do coração e o cuidado do cérebro em especialidades isoladas.”

Dessa maneira, a declaração resume a abordagem apresentada pelo cardiologista. A saúde cardiovascular e a saúde cerebral podem ser consideradas conjuntamente quando o foco está no controle de fatores de risco modificáveis.

Nesse contexto, a atenção aos vasos sanguíneos, à circulação e ao metabolismo se soma ao acompanhamento de condições como hipertensão, diabetes e colesterol.

Além disso, a proposta reforça a importância de começar os cuidados antes do envelhecimento. A manutenção da saúde ao longo da vida envolve acompanhar as doenças crônicas e adotar hábitos que contribuam para o bem-estar cardiovascular.

O que pode ser feito para reduzir fatores de risco?

A partir das informações apresentadas pelo cardiologista, os cuidados destacados incluem:

  • controlar a pressão arterial;
  • acompanhar e controlar a diabetes;
  • monitorar o colesterol;
  • cuidar do peso;
  • manter hábitos alimentares saudáveis;
  • praticar atividade física regularmente.

Essas medidas aparecem no material como parte do controle de fatores de risco modificáveis. Já antecedentes familiares e mutações genéticas estão entre os fatores que não podem ser controlados.

Essa diferença evita a interpretação de que mudanças de hábitos seriam capazes de impedir todos os casos de Alzheimer. O material aponta, especificamente, a possibilidade de atuar sobre fatores modificáveis que podem contribuir para o risco e para a evolução da doença.

saúde do cerebro e coração
Imagem gerada por IA

Saúde do coração e saúde do cérebro no mesmo cuidado

A discussão sobre Alzheimer, portanto, não se limita à memória. O material chama atenção para a relação entre a saúde cerebral e condições cardiovasculares que as pessoas podem acompanhar ao longo da vida.

Em Salvador, 29,4% dos adultos entrevistados pelo Vigitel 2023 informaram diagnóstico médico de hipertensão, dado que coloca a condição dentro de uma discussão também relevante para a população local.

Para o cardiologista Marçal de Oliveira Huoya, o acompanhamento da pressão arterial, da diabetes, do colesterol e do peso deve caminhar junto com hábitos de vida saudáveis. Além disso, a alimentação e a atividade física também aparecem entre as medidas destacadas.

Ao mesmo tempo, o especialista ressalta que fatores genéticos e antecedentes familiares não podem ser modificados. Por isso, a prevenção deve considerar esses limites e concentrar esforços nas condições que podem ser acompanhadas e controladas.

Cuidar da saúde cardiovascular, nessa perspectiva, também faz parte da atenção à saúde cerebral. O controle dos fatores de risco não elimina a possibilidade de Alzheimer, mas, segundo a avaliação apresentada pelo cardiologista, pode contribuir para retardar o desenvolvimento da doença.

Por fim, a abordagem reforça uma visão integrada da prevenção de doenças crônicas: acompanhar os vasos, a circulação e o metabolismo também significa olhar para os efeitos que essas condições podem ter sobre diferentes partes do organismo.

Assim, o cuidado com a saúde cerebral pode começar muito antes dos primeiros sinais de perda de memória, com acompanhamento das condições crônicas e atenção aos hábitos de vida ao longo dos anos.

 

 

 

 

 

 

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