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Especialista esclarece 10 mitos e verdades sobre anestesia e explica dúvidas comuns relacionadas à segurança, memória, alergias, anestesia geral e anestesia na coluna.
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Foto: IA\ChatGPT

Anestesia: 10 mitos e verdades para esclarecer dúvidas antes da cirurgia

ANESTESIA

Especialista explica dúvidas sobre anestesia geral, anestesia na coluna, memória, alergias, respiração e consciência durante o procedimento

Resumo ComSaúde

Especialista esclarece 10 mitos e verdades sobre anestesia e explica dúvidas comuns relacionadas à segurança, memória, alergias, anestesia geral e anestesia na coluna.
Tempo de Leitura: 6 minutos

A anestesia é uma das etapas que pode despertar dúvidas e receios em pacientes que precisam passar por uma cirurgia. Entre os questionamentos estão a possibilidade de acordar durante o procedimento, alterações de memória após a anestesia, reações alérgicas e as diferenças entre anestesia geral, sedação e anestesia na coluna.

Além disso, outra dúvida frequente envolve as tatuagens na região lombar. Afinal, quem tem a pele tatuada nas costas pode receber anestesia na coluna? E existe uma técnica anestésica considerada mais perigosa do que outra?

Para esclarecer essas questões, a Dra. Lucia Pereira Nascimento, anestesiologista do Centro Médico Elsimar Coutinho Day Hospital – CEPARH, explica dez mitos e verdades sobre anestesia.

Segundo a especialista, a escolha da técnica anestésica é individualizada e considera as condições clínicas do paciente, os medicamentos utilizados, possíveis alergias, cirurgias anteriores e o tipo de procedimento. Além disso, a segurança envolve a avaliação e o acompanhamento do paciente antes, durante e depois da cirurgia.

“A anestesia moderna é extremamente segura quando realizada por profissional habilitado, em ambiente adequado e com monitorização. A técnica é escolhida de forma individualizada, considerando as condições clínicas do paciente, medicamentos em uso, alergias, cirurgias anteriores e o tipo de procedimento”, explica.

Nesse sentido, entre as medidas de segurança relacionadas aos procedimentos cirúrgicos, o Protocolo de Cirurgia Segura do Ministério da Saúde prevê a verificação de informações importantes sobre o paciente e o acompanhamento das condições relacionadas à anestesia.

1. É possível acordar durante a cirurgia?

Verdade, mas é muito raro.

A chamada consciência intraoperatória pode ocorrer durante a anestesia geral. Nessa situação, o paciente pode ter alguma percepção durante o procedimento e, posteriormente, lembrar de sons, vozes ou sensações.

No entanto, o fenômeno está relacionado à anestesia geral e não deve ser confundido com a sedação, situação em que o paciente pode permanecer parcialmente consciente. Já na anestesia geral, o objetivo é manter o paciente inconsciente durante a cirurgia, com acompanhamento contínuo.

“É importante diferenciar anestesia geral de sedação. Na sedação, o paciente pode permanecer parcialmente consciente. Na anestesia geral, o objetivo é manter o paciente inconsciente, com monitoramento contínuo dos sinais vitais”, esclarece a especialista.

Além disso, a American Society of Anesthesiologists também diferencia a consciência durante a anestesia geral de lembranças relacionadas ao período anterior ao início da anestesia ou ao despertar.

De acordo com a especialista, os casos de consciência acidental são raros. Eles podem ocorrer principalmente em situações de emergência e em procedimentos nos quais a equipe precisa limitar a quantidade de anestésico.

2. A anestesia faz perder a memória?

Verdade, geralmente de forma temporária.

Alguns medicamentos utilizados durante a anestesia podem provocar sonolência, confusão ou alterações temporárias de memória após a cirurgia. Isso não significa necessariamente uma perda permanente da memória.

Além disso, a intensidade dessas alterações pode variar de acordo com fatores como idade, condições de saúde, tipo de cirurgia e medicamentos utilizados.

“É comum ter dificuldade para lembrar de momentos próximos à cirurgia. Isso é diferente de perda definitiva de memória”, afirma a médica.

Assim, esquecer acontecimentos próximos ao procedimento pode fazer parte dos efeitos temporários relacionados à anestesia. Isso, porém, não significa que o paciente terá uma perda definitiva da memória.

3. Existe alergia à anestesia?

Verdade.

Reações alérgicas aos medicamentos utilizados durante a anestesia podem acontecer e, em alguns casos, podem ser graves. No entanto, segundo a especialista, essas reações são raras.

Por isso, o paciente deve informar ao anestesiologista qualquer alergia conhecida e também reações anteriores a medicamentos ou anestesias.

Mesmo que não saiba qual medicamento causou uma reação anterior, o paciente deve contar ao anestesiologista”, orienta.

Além disso, a informação sobre alergias também faz parte das medidas de segurança previstas no Protocolo de Cirurgia Segura do Ministério da Saúde.

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Imagem: Magnific

4. Quem tem tatuagem pode fazer anestesia na coluna?

Verdade.

Ter uma tatuagem na região lombar não significa que a pessoa não poderá receber anestesia na coluna. A presença do desenho na pele, por si só, não determina a impossibilidade de realizar a técnica.

Quando possível, o anestesiologista pode escolher uma área da pele sem tatuagem para realizar a punção. Para isso, a avaliação considera a localização da tatuagem, o aspecto da pele e as condições do paciente.

Ter tatuagem nas costas não significa que a pessoa não poderá receber anestesia na coluna. Avaliamos a localização, o aspecto da pele e as condições do paciente”, explica a Dra. Lucia.

Além disso, o tema também aparece na literatura médica. Uma revisão publicada em 2025 e disponível no PubMed aponta que a presença de tatuagem não constitui uma contraindicação absoluta para anestesia espinhal ou epidural, embora a abordagem possa exigir adaptações.

Por isso, a decisão sobre o local e a forma de realização da anestesia deve ser feita pelo anestesiologista durante a avaliação do paciente.

5. A anestesia geral é mais perigosa que a raquidiana?

Mito.

Não existe uma técnica que seja universalmente mais perigosa. A escolha depende do tipo de cirurgia, das condições clínicas do paciente e da avaliação dos riscos e benefícios envolvidos.

A anestesia geral e a raquidiana possuem características diferentes e, portanto, podem ser utilizadas conforme a necessidade de cada procedimento. A escolha não deve ocorrer apenas pela comparação entre as duas técnicas, mas pela avaliação individual do paciente e da cirurgia.

O que existe é a técnica mais adequada para determinado paciente e procedimento. Por isso, a avaliação pré-anestésica é fundamental”, ressalta a especialista.

Dessa forma, a avaliação pré-anestésica permite reunir informações clínicas importantes para definir a estratégia anestésica mais adequada para cada caso.

6. A anestesia geral faz o paciente parar de respirar?

Verdade, em determinadas situações.

Alguns medicamentos utilizados na anestesia geral podem reduzir ou interromper temporariamente a respiração espontânea. Isso não significa que todos os pacientes submetidos à anestesia geral necessariamente deixarão de respirar espontaneamente, mas que essa possibilidade pode ocorrer dependendo da situação e dos medicamentos utilizados.

Quando a equipe precisa auxiliar a respiração, ela conta com equipamentos e recursos para auxiliar a ventilação. Além disso, acompanha continuamente a oxigenação e os demais sinais vitais.

“O paciente não fica simplesmente ‘sem respirar’. Temos recursos para controlar e auxiliar a ventilação durante todo o procedimento”, explica.

Nesse contexto, o acompanhamento contínuo durante a anestesia faz parte das medidas destinadas à segurança do paciente. O Protocolo de Cirurgia Segura do Ministério da Saúde também contempla a avaliação e o acompanhamento relacionados à anestesia.

7. É preciso informar todos os medicamentos usados?

Verdade.

Medicamentos de uso contínuo, suplementos, fitoterápicos e remédios utilizados eventualmente devem ser informados ao anestesiologista.

Da mesma forma, o paciente deve relatar doenças preexistentes, alergias e experiências anteriores com anestesia. Essas informações são importantes para que o profissional possa planejar a anestesia de acordo com as características de cada paciente.

Um medicamento que o paciente considera comum pode ser relevante para a anestesia. É fundamental fornecer essas informações com precisão”, destaca a médica.

Além disso, a segurança relacionada ao uso de medicamentos também é tema de protocolos do Ministério da Saúde. O Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos reúne orientações relacionadas à prevenção de incidentes envolvendo medicamentos.

Por isso, o paciente deve informar ao profissional responsável pela anestesia todos os medicamentos, suplementos e produtos que utiliza, mesmo quando considera determinado item comum.

8. É possível sentir dor durante a anestesia geral?

Mito, quando a anestesia é adequadamente conduzida.

O objetivo da anestesia geral é manter o paciente inconsciente e sem dor durante a cirurgia. Para isso, a equipe acompanha continuamente as condições do paciente e ajusta os medicamentos conforme necessário.

Além disso, casos de consciência acidental são raros e não devem ser confundidos com a sedação, na qual algum grau de consciência pode permanecer.

A American Society of Anesthesiologists explica que a consciência durante a anestesia geral é diferente de lembranças relacionadas ao período anterior à anestesia ou ao despertar.

Assim, a condução adequada da anestesia envolve o acompanhamento do paciente durante o procedimento e a avaliação das condições necessárias para manter o efeito anestésico.

9. Anestesia na coluna deixa a pessoa paralítica?

Mito.

A anestesia na coluna, como a raquianestesia, bloqueia temporariamente a transmissão dos sinais nervosos. Como consequência, o paciente pode perder temporariamente a sensibilidade e a capacidade de movimentar a região anestesiada.

A sensação de não conseguir movimentar as pernas pode ocorrer durante o efeito do bloqueio e é temporária, conforme explica a especialista.

A sensação de não conseguir movimentar as pernas pode assustar, mas esse bloqueio é esperado e temporário. O movimento e a sensibilidade retornam gradualmente”, explica.

Depois, o efeito do bloqueio desaparece gradualmente à medida que o medicamento perde sua ação. Com isso, o movimento e a sensibilidade retornam progressivamente.

10. A anestesia é sempre igual para todos os pacientes?

Mito.

A anestesia é planejada individualmente. Para isso, o profissional considera fatores como idade, peso, doenças preexistentes, medicamentos utilizados, alergias, cirurgias anteriores e características do procedimento.

Isso significa que duas pessoas submetidas à mesma cirurgia podem receber planos anestésicos diferentes, de acordo com as necessidades de cada uma.

“Duas pessoas podem fazer a mesma cirurgia e receber planos anestésicos diferentes. O objetivo é encontrar a estratégia que ofereça o melhor equilíbrio entre segurança, conforto e eficácia para cada paciente”, finaliza a Dra. Lucia Pereira Nascimento.

Informação ajuda a reduzir o medo

As dúvidas sobre anestesia podem aumentar a ansiedade antes de uma cirurgia. Nesse contexto, conversar previamente com o anestesiologista permite ao paciente entender como será conduzido o procedimento e informar condições que podem interferir no planejamento.

Além disso, perguntar qual técnica será utilizada, por que ela foi escolhida, quais são os possíveis efeitos e quais medidas serão adotadas para garantir a segurança faz parte da preparação para a cirurgia.

O Ministério da Saúde, por meio das orientações de Segurança do Paciente, também destaca a participação do paciente e de seus familiares no cuidado, incluindo a possibilidade de fazer perguntas e esclarecer dúvidas.

O paciente tem o direito de perguntar qual técnica será utilizada, por que foi escolhida, quais são os possíveis efeitos e o que será feito para garantir sua segurança. Uma boa conversa antes da cirurgia faz parte do cuidado anestésico”, conclui a Dra. Lucia.

Por fim, além de conduzir a anestesia durante a cirurgia, o anestesiologista também atua no controle da dor durante e após o procedimento. O planejamento da analgesia contribui para um despertar mais tranquilo, com menos dor e mais conforto nas primeiras horas de recuperação.

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