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bexiga apertada

Foto: Magnific

Bexiga hiperativa afeta milhões de brasileiros e ainda é cercada por preconceito

BEXIGA HIPERATIVA

Urgência urinária, aumento da frequência para urinar e perda involuntária de urina estão entre os principais sinais de alerta.

Tempo de Leitura: 3 minutos

A necessidade urgente de correr para o banheiro, as idas frequentes ao sanitário durante o dia e as interrupções do sono para urinar costumam ser encaradas como consequências naturais do envelhecimento. No entanto, esses sinais podem indicar a Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH), uma condição que afeta milhões de brasileiros, interfere na rotina e ainda enfrenta preconceito e desinformação.

Apesar disso, muitas pessoas convivem com os sintomas durante anos sem procurar ajuda. Especialistas alertam que a síndrome tem tratamento e pode ser controlada. Além disso, quanto mais cedo acontece o diagnóstico, maiores são as chances de reduzir os sintomas e recuperar a qualidade de vida.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 17% da população adulta apresenta a síndrome. Alguns estudos mostram que esse percentual pode ultrapassar 20%. Considerando os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso representa dezenas de milhões de brasileiros convivendo diariamente com o problema.

Embora seja mais conhecida entre as mulheres, a bexiga hiperativa também afeta homens e pode surgir em qualquer fase da vida. O principal sintoma é a urgência urinária — aquela vontade repentina e difícil de controlar de urinar. Além desse sinal, muitas pessoas passam a urinar com mais frequência, acordam várias vezes durante a noite para ir ao banheiro (noctúria) e, em alguns casos, apresentam perda involuntária de urina.

Para a fisioterapeuta pélvica Patrícia Lordêlo, pós-doutora em Ginecologia, o maior desafio continua sendo romper o silêncio em torno da doença.

“Muitos pacientes deixam de viajar, trabalhar, participar de eventos ou até dormir bem porque vivem procurando um banheiro. A síndrome compromete profundamente a qualidade de vida, mas continua sendo escondida por vergonha. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as chances de controlar os sintomas e recuperar sua autonomia”, afirma.

Por que a bexiga hiperativa acontece?

Na maioria dos casos, não existe uma única causa para o desenvolvimento da síndrome. Em geral, o problema ocorre porque o músculo da bexiga se contrai de forma involuntária, mesmo quando o órgão ainda não está completamente cheio.

Segundo Patrícia Lordêlo, diversos fatores aumentam o risco da condição. Entre eles estão:

  • envelhecimento;
  • obesidade;
  • diabetes;
  • doenças neurológicas, como Parkinson, AVC e esclerose múltipla;
  • alterações hormonais;
  • hiperplasia benigna da próstata, nos homens;
  • consumo excessivo de café, bebidas alcoólicas, refrigerantes e energéticos;
  • enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico.
consulta médica
Imagem: Magnific

Além desses fatores, estresse e ansiedade também podem intensificar os sintomas. Por isso, o tratamento costuma envolver diferentes especialidades, considerando tanto os aspectos físicos quanto os emocionais.

Há formas de prevenir?

Nem todos os casos podem ser evitados. Ainda assim, algumas medidas ajudam a reduzir o risco e também favorecem o controle dos sintomas.

Entre as principais recomendações estão:

  • manter o peso adequado;
  • fortalecer a musculatura do assoalho pélvico;
  • controlar doenças crônicas, como diabetes;
  • reduzir o consumo de cafeína, álcool, refrigerantes e outras bebidas irritantes para a bexiga;
  • manter boa hidratação, sem exageros;
  • evitar permanecer muitas horas sem urinar;
  • procurar avaliação médica ao perceber os primeiros sintomas.

Tratamento vai além dos medicamentos

O tratamento varia conforme o perfil de cada paciente e pode reunir diferentes estratégias. Entre elas estão a reeducação da bexiga, o treinamento comportamental, mudanças na alimentação, uso de medicamentos e fisioterapia pélvica. Além disso, alguns pacientes podem precisar de terapias mais avançadas.

A fisioterapia pélvica representa uma das principais alternativas conservadoras para controlar a urgência urinária e fortalecer a musculatura do assoalho pélvico.

“Muitos pacientes apresentam melhora significativa apenas com mudanças de hábitos associadas ao fortalecimento da musculatura pélvica. A pessoa não precisa conviver com esse sofrimento. Existem tratamentos seguros, eficazes e baseados em evidências científicas. O mais importante é abandonar a ideia de que perder urina ou viver correndo para o banheiro é algo normal”, destaca Patrícia.

Atendimento pelo SUS

Quem apresenta sintomas de bexiga hiperativa deve procurar avaliação médica ou fisioterapêutica especializada. Em Salvador, pacientes podem contar com atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para diagnóstico e tratamento da condição.

Patrícia Lordêlo reforça que a população não deve normalizar os sintomas. “Muitas pessoas convivem durante anos com a urgência urinária ou com a perda de urina por acreditarem que isso faz parte da idade. Com diagnóstico adequado e tratamento individualizado, é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida”, conclui.

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