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CFM proíbe uso de PMMA em procedimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil

USO DO PMMA

Especialista alerta para riscos tardios da substância e reforça importância de alternativas mais seguras no remodelamento corporal

Tempo de Leitura: 3 minutos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso médico do PMMA (polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em todo o território nacional. A medida vale tanto para procedimentos estéticos quanto reparadores e passa a vigorar nesta terça-feira (2), com a publicação da Resolução nº 2.461/2026 no Diário Oficial da União. A decisão foi anunciada após uma série de complicações graves e mortes relacionadas à aplicação do produto, reacendendo o debate sobre a segurança da substância.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, o PMMA não deve ser tratado como um procedimento simples ou inofensivo. De acordo com o especialista, a substância pode ser utilizada em situações específicas, desde que aplicada por profissionais habilitados e em pequenas quantidades.

No entanto, o grande problema é que o PMMA acabou sendo vendido como uma solução rápida, definitiva e aparentemente simples para aumento corporal, principalmente de glúteos, lábios e outras regiões”, explica.

Segundo o CFM, os riscos associados ao PMMA passaram a superar os possíveis benefícios, especialmente diante do aumento de complicações registradas nos últimos anos. A entidade destaca que atualmente existem alternativas consideradas mais seguras para procedimentos de preenchimento, como produtos à base de ácido hialurônico e outras substâncias biocompatíveis.

A única exceção prevista na nova resolução é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguindo protocolos específicos do Ministério da Saúde.

Produto permanente pode causar complicações anos depois

Um dos principais pontos de preocupação, segundo o médico, é o fato de o PMMA ser uma substância permanente. Diferentemente de produtos absorvíveis, ele permanece no organismo indefinidamente, o que pode gerar complicações até muitos anos após a aplicação.

Quando surge uma complicação, não estamos falando de algo que vai desaparecer naturalmente com o tempo. O produto permanece no corpo e isso torna o tratamento muito mais complexo”, alerta o cirurgião.

Profissional da saúde segurando seringa
Imagem: Magnific

Além disso, Dr. Josué destaca que muitas pessoas procuram soluções consideradas definitivas sem compreender completamente os riscos envolvidos.

“Muitas vezes existe uma promessa de resultado rápido, fácil e permanente. Porém, a realidade nem sempre acompanha a segurança necessária para esse tipo de procedimento”, afirma.

Entre as principais complicações associadas ao PMMA estão inflamação crônica, endurecimento dos tecidos, deformidades, dores persistentes, infecções, necrose e migração da substância para outras áreas do corpo. Em casos mais graves, o quadro pode evoluir para hipercalcemia e insuficiência renal.

Outro fator que preocupa os especialistas é que os problemas podem surgir anos após a aplicação.

“O organismo pode tolerar o PMMA durante muito tempo e, depois de uma alteração imunológica, trauma ou infecção, começar a reagir contra aquela substância. Por isso, algumas pessoas acreditam que o procedimento foi bem-sucedido, mas as complicações aparecem muito tempo depois”, explica.

Alternativas mais seguras ganham espaço

Diante desse cenário, técnicas consideradas mais modernas e seguras têm ganhado espaço nos procedimentos de remodelamento corporal. Segundo o especialista, atualmente existem opções mais previsíveis e biologicamente compatíveis com o organismo.

Entre elas estão a prótese de silicone glútea, tecnologias de retração de pele, como Morpheus, BodyTite e Ignite, além de substâncias absorvíveis e bioestimuladores de colágeno.

O organismo tende a aceitar melhor substâncias absorvíveis. Além disso, hoje existem tecnologias que ajudam na firmeza, retração da pele e melhora da qualidade do tecido sem a necessidade de produtos permanentes”, afirma.

Ainda assim, o médico destaca que o enxerto de gordura continua sendo uma das principais alternativas para aumento glúteo.

O enxerto de gordura utiliza um material do próprio paciente, o que reduz riscos de reação imunológica e proporciona um comportamento mais natural no organismo. Parte dessa gordura pode ser absorvida, por isso, em alguns casos, fazemos hipercorreção ou sessões complementares para alcançar o resultado ideal”, explica.

Por fim, o especialista reforça que qualquer procedimento corporal deve ser realizado com avaliação individualizada, indicação adequada e acompanhamento de profissionais habilitados.

Quando falamos de substâncias permanentes, não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de saúde”, conclui.

Em janeiro de 2025, o próprio CFM já havia solicitado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição do PMMA como substância preenchedora no Brasil, alegando preocupação com o aumento de lesões graves, deformidades permanentes e mortes relacionadas ao produto. A nova resolução consolida esse posicionamento e marca uma mudança importante nas regras para procedimentos estéticos e reparadores no país.

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