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O medo de ficar de fora, conhecido como FOMO, pode aumentar a comparação nas redes sociais e afetar autoestima, sono, bem-estar e qualidade de vida. Entenda os sinais de alerta e veja como estabelecer uma relação mais saudável com o ambiente digital.
Jovem sozinho olhando o celular enquanto amigos estão reunidos ao fundo

Foto: Magnific

FOMO cresce com redes sociais e pode afetar a qualidade de vida

MEDO DE FICAR DE FORA

Necessidade constante de acompanhar o que outras pessoas fazem pode aumentar comparações, ansiedade e insatisfação com a própria rotina

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O medo de ficar de fora, conhecido como FOMO, pode aumentar a comparação nas redes sociais e afetar autoestima, sono, bem-estar e qualidade de vida. Entenda os sinais de alerta e veja como estabelecer uma relação mais saudável com o ambiente digital.
Tempo de Leitura: 5 minutos

Uma viagem, a festa para a qual não foi convidado, o encontro dos amigos, uma conquista profissional ou aquela rotina aparentemente perfeita. Bastam alguns minutos nas redes sociais para surgir a impressão de que todo mundo está aproveitando mais a vida.

Esse incômodo pode estar relacionado à FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, expressão que significa “medo de ficar de fora” ou “medo de estar perdendo alguma coisa”, em tradução livre. O termo descreve a preocupação de que outras pessoas estejam vivendo experiências melhores, mais interessantes ou importantes sem a sua participação.

A FOMO não é uma doença nem corresponde, por si só, a um diagnóstico clínico. Trata-se de um fenômeno comportamental que ganhou espaço com a popularização das redes sociais e da conexão permanente. Quando essa necessidade de acompanhar o que acontece ao redor começa a provocar sofrimento ou interferir na rotina, porém, merece atenção.

Segundo a psicóloga, Verônica Lima, a sensação pode levar a ansiedade, insatisfação e necessidade excessiva de acompanhar as atividades de outras pessoas.

“É aquela sensação de que as outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes. Isso pode provocar ansiedade, insatisfação e uma necessidade excessiva de acompanhar o que os outros estão fazendo”, explica.

Pesquisas também apontam associações entre FOMO, uso problemático de redes sociais e sofrimento psicológico. Uma meta-análise publicada em 2023 identificou uma associação moderada entre componentes do chamado estresse digital, incluindo a FOMO, e sofrimento psicossocial.

amigos reunidos
Imagem: Magnific

A comparação nas redes pode distorcer a percepção da própria vida

As redes sociais podem intensificar esse comportamento porque apresentam, em grande parte, recortes selecionados da realidade. Viagens, festas, conquistas profissionais, relacionamentos, corpos e momentos de lazer costumam ganhar mais espaço do que dificuldades, conflitos ou situações comuns do cotidiano.

Com a exposição frequente a esse tipo de conteúdo, a comparação pode se tornar automática. A pessoa passa a observar a própria rotina diante de uma versão editada da vida dos outros.

“Quando comparamos a nossa vida inteira com os melhores momentos que alguém escolheu publicar, essa comparação torna-se injusta. A pessoa pode começar a acreditar que está ficando para trás ou que sua vida não é suficientemente interessante, mesmo que aquilo que é apresentado nas redes seja apenas uma pequena parte da realidade do outro”, destaca Verônica.

Essa dinâmica pode afetar a autoestima e a satisfação com a própria vida. Uma revisão sistemática publicada em 2025, que reuniu estudos de 21 países, encontrou associações entre uso frequente de redes sociais e fatores como ansiedade, estresse, pior qualidade do sono, menor autoestima e menor satisfação com a vida. Os autores, contudo, ressaltam que os estudos analisados apresentam diferentes métodos e que associação não significa necessariamente relação de causa e efeito.

Quando o medo de ficar de fora começa a afetar a saúde

O problema ganha maior dimensão quando acompanhar as redes deixa de ser uma escolha e passa a ocupar espaço excessivo na rotina. Nesse cenário, podem aparecer ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, frustração, baixa autoestima e sensação de inadequação.

A preocupação também pode se manifestar por meio de comportamentos repetitivos, como conferir notificações constantemente, atualizar aplicativos várias vezes ou interromper atividades para verificar o que está acontecendo online.

Verônica alerta para situações em que a pessoa está em uma confraternização, com a família ou simplesmente descansando, mas não consegue se desconectar do celular para acompanhar outros acontecimentos.

“É importante observar quando estar conectado deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade que gera angústia. Conferir o celular repetidamente, sentir ansiedade quando não consegue acessar as redes ou perceber prejuízos no sono, nos relacionamentos, no trabalho ou nos estudos são sinais que merecem atenção”, orienta.

Além dos efeitos emocionais e comportamentais, a FOMO pode estar relacionada à piora do sono. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 analisou 22 estudos, com mais de 12 mil participantes, e encontrou associação entre FOMO e diferentes dimensões da saúde do sono, incluindo pior qualidade do sono, procrastinação na hora de dormir e hábitos de sono menos saudáveis.

O sono pode ser prejudicado pelo hábito de permanecer conectado

A necessidade de acompanhar as redes pode fazer com que o celular permaneça presente até os últimos minutos antes de dormir. Em alguns casos, a pessoa continua rolando o feed ou verificando notificações mesmo quando já deveria estar descansando.

O resultado pode ser o adiamento do horário de dormir e a redução do tempo disponível para o descanso. No dia seguinte, cansaço, sonolência e dificuldade de concentração podem aparecer.

Uma revisão com meta-análise publicada em 2024 também encontrou associações entre uso problemático de redes sociais, problemas de sono, ansiedade e depressão em jovens, além de relação negativa com o bem-estar. Os pesquisadores destacam, porém, que os resultados variam entre os estudos e que ainda são necessárias pesquisas longitudinais para compreender melhor a relação entre esses fatores.

Por isso, não é apenas o tempo total passado nas redes que merece atenção, mas também a forma como a pessoa utiliza essas plataformas e o impacto desse comportamento na rotina.

Como reduzir a FOMO e ter uma relação mais saudável com as redes

Diminuir a FOMO não significa necessariamente abandonar as redes sociais. A proposta é estabelecer limites que permitam recuperar o controle sobre o uso das plataformas.

Entre as estratégias sugeridas pela psicóloga estão:

  • estabelecer períodos do dia longe das telas;
  • evitar o uso do celular próximo ao horário de dormir;
  • silenciar notificações que não sejam necessárias;
  • reduzir a exposição a perfis que estimulam comparações negativas;
  • reservar momentos para atividades fora das telas;
  • valorizar encontros e experiências presenciais;
  • lembrar que as redes mostram apenas uma parcela da vida de cada pessoa;
  • perceber quais conteúdos provocam ansiedade, frustração ou sensação de inadequação.

A revisão de 2025 sobre FOMO e sono também reforça a importância de compreender o comportamento digital dentro de uma perspectiva mais ampla de hábitos e saúde do sono.

Verônica ressalta ainda que estar informado ou conectado não significa precisar acompanhar tudo em tempo real.

“Não precisamos participar nem saber de tudo ou estar disponíveis o tempo inteiro. É importante reconhecer os próprios limites e entender que não estar em determinado lugar ou não acompanhar tudo o que acontece não significa estar perdendo algo”, completa a psicóloga.

Celular iluminando o rosto de uma pessoa
Imagem: Magnific

Quando buscar ajuda profissional

Sentir curiosidade sobre o que outras pessoas estão fazendo ou ter vontade de conferir as redes ocasionalmente não significa, por si só, que exista um problema. O sinal de alerta aparece quando esse comportamento começa a causar sofrimento ou prejudicar outras áreas da vida.

Alterações no sono, ansiedade frequente, dificuldade de se concentrar, queda na autoestima, isolamento, prejuízos nos estudos ou no trabalho e incapacidade de ficar longe das redes são situações que justificam atenção.

Nesses casos, conversar com um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o que está por trás da necessidade de estar constantemente conectado e a desenvolver estratégias para estabelecer uma relação mais equilibrada com a tecnologia.

Afinal, estar por dentro de tudo não é sinônimo de viver melhor. Em muitos momentos, permitir-se ficar de fora de uma experiência, não responder imediatamente ou simplesmente deixar o celular de lado também pode fazer parte de uma rotina mais saudável.

 

 

 

 

 

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