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Hospital de Brotas, em Salvador, passa a contar com equipe multiprofissional dedicada à doação de órgãos e tecidos. O grupo acompanha potenciais doadores, orienta familiares e atua nas etapas do processo de transplante.
equipe médica

Foto: Marília Simões

Hospital de Brotas habilita equipe para doação de órgãos em Salvador

DOAÇÃO DE ORGÃOS

Equipe multiprofissional acompanha potenciais doadores e oferece acolhimento às famílias durante as etapas do processo de transplante.

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Hospital de Brotas, em Salvador, passa a contar com equipe multiprofissional dedicada à doação de órgãos e tecidos. O grupo acompanha potenciais doadores, orienta familiares e atua nas etapas do processo de transplante.
Tempo de Leitura: 5 minutos

O Hospital de Brotas, em Salvador, recebeu a habilitação de sua equipe e-DOT (Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes). O grupo organiza e acompanha o processo de doação de órgãos e tecidos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica. Com a nova habilitação, a unidade amplia sua participação na rede de doação de órgãos na Bahia e passa a oferecer mais esse serviço aos beneficiários do Planserv, sistema de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais.

De acordo com informações do hospital, a unidade é a primeira instituição privada a atender com 100% de exclusividade os beneficiários do Planserv, que reúne mais de 500 mil usuários. Além disso, o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) administra o Hospital de Brotas.

O coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, Dr. Leonardo Azevedo, que também integra a equipe e-DOT, destaca a importância da habilitação:

“Para mim, é uma imensa satisfação fazer parte da equipe de doação de órgãos e tecidos do hospital. Acredito que o transplante envolve um ato de generosidade e é fundamental que a gente incorpore, na cultura do nosso hospital, essa prática, para que ela se torne cada vez mais difundida no nosso Estado”, afirma.

A habilitação da e-DOT ocorreu em setembro de 2026, após um processo conduzido pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET). O procedimento inclui duas etapas principais: a análise da documentação apresentada pelo hospital e a capacitação dos profissionais que atuarão na doação, conforme as normas do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

equipe de doação de orgãos
Foto: Marília Simões

Segundo a SESAB, hospitais com atendimento de alta complexidade e leitos de terapia intensiva podem implantar uma equipe e-DOT, desde que cumpram os critérios estabelecidos pelo sistema. Nesse contexto, a enfermeira-coordenadora de Educação Permanente da COSET/SESAB, Carolina Sodré, acompanhou o planejamento para a habilitação do Hospital de Brotas.

O que é uma e-DOT?

A Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT) reúne profissionais de diferentes áreas da saúde para organizar e acompanhar as etapas da doação dentro de uma unidade hospitalar. Inicialmente, a equipe identifica potenciais doadores. Em seguida, articula o atendimento com as centrais de transplantes, acompanha o diagnóstico de morte encefálica e oferece acolhimento e orientação aos familiares.

No Hospital de Brotas, médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais integram a equipe. Dessa forma, os profissionais atuam em conjunto para garantir segurança, acolhimento e respeito às famílias durante todo o processo.

A enfermeira Gilca Cirne, integrante da e-DOT do Hospital de Brotas, ressalta a importância da enfermagem nessa atuação. “O enfermeiro pode participar de todas as etapas do processo de doação de órgãos e tecidos. Entre suas atribuições estão a identificação de potenciais doadores, a realização das notificações aos órgãos responsáveis pela regulação de transplantes, o acompanhamento do processo de diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento à família”, explica.

Além das atividades técnicas, a profissional destaca a importância do cuidado humanizado, especialmente no momento de abordar os familiares. “O apoio emocional precisa respeitar o sofrimento do momento, as crenças, os valores e o tempo de cada família”, afirma.

Nesse processo, a equipe fornece informações claras sobre as etapas da doação, facilita a comunicação entre os profissionais envolvidos e participa da entrevista familiar para solicitar a autorização. Ao mesmo tempo, respeita a autonomia e a decisão dos familiares. Já a equipe de enfermagem, em conjunto com os demais profissionais assistenciais, mantém os cuidados necessários à condição clínica do potencial doador e contribui para preservar os órgãos e tecidos.

O trabalho também envolve a articulação entre o hospital, a Central Estadual de Transplantes e as equipes responsáveis pela retirada e pelo transplante dos órgãos. Após identificar um potencial doador, os profissionais do hospital realizam as notificações necessárias e acompanham os procedimentos previstos no protocolo. Além disso, médicos seguem critérios específicos para confirmar a morte encefálica e avaliam as condições clínicas do paciente para verificar a possibilidade de doação.

Brasil registra recorde de transplantes em 2025

Em 2025, o Brasil registrou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos, segundo dados do Ministério da Saúde. O resultado representa um recorde histórico. No mesmo ano, o país contabilizou 4.335 doadores efetivos, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Entre os órgãos sólidos, o rim liderou o número de procedimentos, com 6.697 transplantes. Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda representa um dos principais desafios para ampliar as doações. De acordo com os dados da ABTO, em 2025, 45% das entrevistas realizadas com familiares de potenciais doadores terminaram em negativa à doação.

Os números constam no Registro Brasileiro de Transplantes de 2025, publicação da ABTO que reúne informações sobre doadores, transplantes e listas de espera no país.

“Podemos assegurar que o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. É um programa ético, seguro e transparente, que realiza transplantes de coração, fígado, rim, medula, córnea, ossos e pele. Porém, para que haja transplante, precisa haver doação. Por isso, as unidades hospitalares devem estar habilitadas para oferecer às famílias a oportunidade de doar e salvar vidas”, afirma a enfermeira Carolina Sodré.

Diante desse cenário, a participação da família representa uma etapa fundamental para a doação de órgãos no Brasil. Por isso, o Ministério da Saúde orienta que as pessoas conversem com seus familiares e comuniquem, ainda em vida, o desejo de serem doadoras. Assim, a família conhece essa vontade e pode considerá-la em um momento de grande dificuldade emocional.

O Sistema Nacional de Transplantes disponibiliza orientações sobre como manifestar o desejo de doar e explica a importância de conversar com os familiares.

Como formalizar a vontade de ser doador de órgãos e tecidos?

Além de conversar com a família, a pessoa pode registrar sua intenção de doar por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). O Colégio Notarial do Brasil disponibiliza gratuitamente a ferramenta em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou a iniciativa por meio do Provimento nº 164/2024.

equipe médica em cirugia
Foto: Marília Simões

Para solicitar o documento, o interessado pode acessar o site da AEDO ou utilizar o sistema e-Notariado. O procedimento exige identificação e assinatura digital. Na plataforma, a pessoa preenche o formulário, seleciona os órgãos que deseja doar e indica o cartório responsável pelo atendimento. Depois, o cartório agenda uma videoconferência para confirmar a identidade e a manifestação de vontade do solicitante. Por fim, o interessado e o tabelião assinam digitalmente a declaração.

A AEDO formaliza a manifestação de vontade e permite que profissionais de saúde credenciados no Sistema Nacional de Transplantes consultem a existência do documento. No entanto, conversar com os familiares continua sendo fundamental, pois a comunicação prévia permite que eles conheçam o desejo da pessoa e participem do processo de doação. O Conselho Nacional de Justiça também reforça a importância de abordar o assunto com a família.

Vale destacar que nem toda pessoa com diagnóstico de morte encefálica poderá doar órgãos. Para avaliar a possibilidade, os médicos consideram o histórico clínico, as condições dos órgãos e tecidos e a existência de eventuais contraindicações. Além disso, o Conselho Federal de Medicina estabelece critérios específicos para a confirmação da morte encefálica.

O Ministério da Saúde explica os procedimentos para confirmar a morte encefálica, etapa essencial para iniciar o processo de doação de órgãos.

Um único paciente com morte encefálica e em condições de doação pode salvar ou ajudar até oito vidas. Portanto, a doação representa um ato voluntário e solidário, que não gera custos materiais pessoais para a família do doador. Para ampliar essa prática, informação, consciência, atitude e comunicação prévia sobre o desejo de doar são fundamentais.

 

 

 

 

 

 

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