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Foto: Divulgação / HMIJS

Hospital de Ilhéus amplia atendimento indígena na Bahia

SAÚDE INDÍGENA

Unidade já soma mais de 6 mil atendimentos e integra política nacional com financiamento específico

Tempo de Leitura: 3 minutos

Mais de 6 mil atendimentos e mais de 500 nascimentos de indígenas já foram registrados no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), em Ilhéus. A unidade é a única da Bahia habilitada pelo Ministério da Saúde para atender povos originários.

O volume de atendimentos representa um avanço após a habilitação federal em 2024, que ampliou o acesso de comunidades indígenas do sul e extremo sul da Bahia ao atendimento especializado. Os atendimentos envolvem, principalmente, indígenas das etnias Tupinambá, Pataxó e Pataxó Hã-Hã-Hãe.

Habilitação federal garante recursos e amplia assistência

Inaugurado em dezembro de 2021, o hospital recebeu habilitação federal em 2024. Com isso, passou a integrar uma política nacional voltada à atenção especializada à saúde indígena.

A habilitação permite que a unidade receba recursos específicos do Ministério da Saúde para custear o atendimento a povos originários. Os repasses são destinados à manutenção dos serviços e variam conforme a estrutura e a capacidade assistencial.

No entanto, esse modelo ainda é adotado de forma gradual no país. Em 2020, 17 hospitais foram habilitados em oito estados, segundo o Ministério da Saúde. Desde então, novos credenciamentos vêm sendo realizados por meio de portarias individuais, sem um número consolidado atualizado de unidades.

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Foto: Divulgação/HMIJS

Indicadores mostram desafios históricos na saúde indígena

Os avanços na assistência ocorrem em um cenário de desigualdades. Entre mulheres indígenas, a razão de mortalidade materna pode chegar a 115 mortes por 100 mil nascidos vivos, quase o dobro da registrada entre não indígenas, segundo levantamento citado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Além disso, a cobertura de pré-natal ainda é inferior à média nacional. Dados de estudos sobre saúde indígena indicam que pouco mais da metade das gestantes indígenas concluem o acompanhamento adequado durante a gravidez.
Esse contexto reforça a importância da ampliação do acesso a unidades especializadas, especialmente para reduzir complicações no parto e garantir acompanhamento seguro no pré-natal e no pós-parto.

Proposta busca reduzir barreiras históricas

O HMIJS integra a rede da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e é administrado pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). Segundo a diretora-geral, Renata Lordêlo, a proposta envolve reduzir desigualdades no acesso à saúde.

“O HMIJS se consolida como referência técnica e humana ao reduzir barreiras históricas de acesso e garantir um atendimento que respeita a identidade cultural dos povos indígenas“, afirma.

Ela também destaca o significado da habilitação no contexto do SUS. “Mais do que um reconhecimento administrativo, a habilitação representa uma reparação histórica e a afirmação do direito à diferença no SUS”, completa.

Estrutura e capacidade de atendimento

A unidade é a primeira maternidade 100% SUS da região. Ao todo, já ultrapassou 13 mil partos, incluindo mais de 500 de bebês indígenas.

O hospital conta com 105 leitos e oferece assistência em obstetrícia, com partos normais e de alto risco. Além disso, realiza atendimento em pediatria clínica e dispõe de UTIs pediátrica e neonatal.

Bahia concentra uma das maiores populações indígenas do país

A Bahia reúne 33 povos indígenas distribuídos em 245 comunidades. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado tem 229.443 indígenas declarados.

O número representa 13,5% da população indígena do Brasil, o terceiro maior contingente nacional. Nesse cenário, a ampliação de serviços especializados no SUS tem impacto direto na assistência a essas comunidades.

Entre o acesso e o desafio

Apesar dos avanços, o acesso à saúde ainda é um desafio para muitas comunidades indígenas, especialmente em regiões mais afastadas. Distância, dificuldade de transporte e barreiras culturais continuam influenciando o cuidado, desde o pré-natal até o momento do parto.

Nesse contexto, a ampliação de unidades habilitadas e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à saúde indígena se tornam estratégicos. Mais do que números, a assistência representa a possibilidade de reduzir desigualdades históricas e garantir um cuidado que respeite identidades, territórios e modos de vida.

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Foto: Divulgação/HMIJS
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