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Foto: IA\ChatGPT

Ministério da Saúde suspende vacina contra dengue do Butantan

VACINA DA DENGUE

Medida é temporária e foi adotada após a investigação de eventos adversos graves registrados após a aplicação do imunizante. Especialistas vão analisar possíveis fatores de risco.

Tempo de Leitura: 4 minutos

Fonte: Agência Brasil

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de 42 eventos adversos graves em pessoas vacinadas, incluindo três internações e dois óbitos que estão sob investigação.

Segundo o MS, ainda não existe comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina. No entanto, a interrupção foi considerada necessária como medida de precaução enquanto especialistas aprofundam as investigações.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou a decisão.

“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”.

O ministro também reforçou a confiança do governo na instituição responsável pelo imunizante.

“O Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do Butantan”.

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Imagem: Magnific

O que foi suspenso?

A suspensão vale exclusivamente para a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A medida não afeta a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, que continua sendo utilizada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos grupos contemplados pela estratégia nacional de vacinação.

Quem recebeu a vacina deve se preocupar?

De acordo com o Ministério da Saúde, não.

A pasta ressalta que a suspensão não significa que a vacina perdeu sua eficácia ou que todas as pessoas vacinadas correm risco de apresentar reações graves.

Mais de 500 mil doses já haviam sido aplicadas até o final de maio. Entre os vacinados, cerca de 0,7% apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue. Já os chamados sinais de alarme ocorreram em apenas 42 pessoas, o equivalente a aproximadamente 0,008% dos imunizados.

Além disso, os estudos clínicos que embasaram a aprovação do imunizante demonstraram eficácia global de 79,6% contra a dengue e proteção de 89% contra formas graves da doença.

Quais foram os casos investigados?

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, três pessoas apresentaram quadros considerados graves após a vacinação:

• Uma mulher de 39 anos desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave e precisou de internação em UTI, recebendo alta posteriormente;
• Uma mulher de 48 anos apresentou comprometimento neurológico associado à dengue grave e evoluiu para óbito;
• Um homem de 58 anos desenvolveu quadro grave com choque refratário e também morreu.

As autoridades sanitárias destacam que os casos possuem associação temporal com a vacinação, mas ainda não existe confirmação de relação causal entre o imunizante e os desfechos observados.

O que será investigado?

A investigação envolve uma análise detalhada dos pacientes afetados.

Entre os fatores avaliados estão:
• Histórico clínico;
• Doenças preexistentes;
• Fatores individuais de risco;
• Possíveis infecções por dengue;
• Erros de imunização;
• Desvios de qualidade do produto;
• Outras causas que possam explicar os eventos observados.

A investigação será conduzida pelo sistema nacional de farmacovigilância, responsável por monitorar a segurança das vacinas após sua introdução na população.

Quais sintomas merecem atenção?

O Ministério da Saúde informou que pessoas vacinadas recentemente terão acompanhamento especial.

A orientação é procurar atendimento médico imediato caso ocorram:

• Febre persistente;
• Dor abdominal intensa e contínua;
• Vômitos frequentes;
• Tontura;
• Sangramentos;
• Sonolência excessiva;
• Irritabilidade;
• Sinais de desidratação;
• Piora do estado geral.

Esses sintomas também podem indicar dengue grave e exigem avaliação médica rápida.

Como surgiu a vacinação com a vacina do Butantan?

A vacina foi incorporada ao SUS em janeiro de 2026 como parte de uma estratégia piloto. A aplicação começou em municípios selecionados, incluindo Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de ações específicas em outras regiões do país.

O imunizante é considerado um marco para a saúde pública brasileira por ser a primeira vacina de dose única contra a dengue produzida integralmente no país.

O que acontece agora?

A vacinação permanecerá suspensa até a conclusão das análises de segurança.
Em nota, o Instituto Butantan informou que a interrupção é temporária e tem como objetivo garantir a máxima segurança da população.

A instituição afirmou que continuará colaborando com o Ministério da Saúde e com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esclarecer os casos investigados.

Enquanto isso, especialistas reforçam que o combate à dengue continua dependendo principalmente da eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti, da vigilância dos sintomas e da busca rápida por atendimento médico em caso de suspeita da doença.

 

O QUE O VOCÊ PRECISA SABER

A vacina foi cancelada?
Não. A vacinação foi suspensa temporariamente para investigação.

Quem já tomou a vacina perdeu a proteção?
Não. O Ministério da Saúde afirma que a proteção permanece.

A vacina causou as mortes?
Ainda não há comprovação científica dessa relação.

A vacina Qdenga continua disponível?
Sim. A suspensão envolve apenas a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A suspensão temporária da vacina contra a dengue do Instituto Butantan é uma medida preventiva adotada pelas autoridades sanitárias para investigar eventos adversos raros observados após a vacinação.

Até o momento, não existe comprovação de que os casos graves tenham sido provocados pelo imunizante. Enquanto a análise é conduzida, o Ministério da Saúde reforça que as pessoas já vacinadas continuam protegidas e devem apenas ficar atentas a sintomas de alerta, procurando assistência médica quando necessário.

 

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