A entrada na vida adulta costuma mudar a relação dos jovens com os cuidados de saúde. A partir dos 18 anos, consultas que antes eram organizadas ou acompanhadas pelos pais passam a depender cada vez mais da iniciativa do próprio paciente. Com estudos, trabalho, vida social e outras responsabilidades, a prevenção pode acabar ficando em segundo plano.
Um levantamento do Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, apontou que 71% dos adultos de 18 a 29 anos afirmaram ter um médico de atenção primária. Assim, cerca de três em cada dez não tinham esse profissional de referência. Entre os jovens dessa faixa etária, 47% disseram ter feito uma consulta de rotina no último ano.
Embora o levantamento tenha sido realizado nos Estados Unidos, os números ajudam a discutir um desafio da transição para a vida adulta: manter uma rotina de acompanhamento mesmo quando não há sintomas.
Sentir-se bem não significa que está tudo bem
A ausência de sintomas pode dar a impressão de que uma consulta médica não é necessária. No entanto, segundo a clínica geral Stephanie Nastas, da Hapvida, algumas alterações podem surgir sem sinais perceptíveis.
“Algumas doenças podem começar de forma silenciosa, como hipertensão, alterações de colesterol e glicemia”, explica.
Além disso, a médica destaca a importância de conhecer o histórico familiar. A predisposição genética e casos de determinadas doenças na família podem influenciar a avaliação individual. Nesse sentido, essas informações ajudam o profissional a definir quais cuidados merecem atenção.
Por isso, a consulta preventiva não deve ocorrer apenas quando algum problema aparece. Ela também pode ajudar a acompanhar fatores de risco e discutir hábitos relacionados à saúde.

O que pode ser avaliado em uma consulta?
O acompanhamento de um jovem adulto não precisa se resumir a uma lista de exames. Na prática, o profissional pode avaliar diferentes aspectos da rotina e do histórico de cada pessoa.
Entre os pontos que podem entrar na conversa estão:
- pressão arterial;
- alimentação;
- prática de atividade física;
- qualidade do sono;
- vacinação;
- saúde mental;
- histórico familiar;
- fatores de risco individuais.
Além disso, o profissional pode definir a necessidade de exames de acordo com as características de cada paciente. Segundo Stephanie Nastas, idade, histórico familiar e fatores de risco devem orientar essa decisão.
“Eles devem ser solicitados de acordo com idade, histórico familiar e fatores de risco, evitando exames desnecessários”, afirma.
Dessa forma, prevenção não significa fazer todos os exames disponíveis. As recomendações de rastreamento consideram idade, sexo, fatores de risco e condição de saúde.
Nem todo exame começa aos 18 anos
Completar 18 anos não significa que todos os exames preventivos precisam começar automaticamente. Na realidade, diferentes rastreamentos possuem faixas etárias e critérios específicos.
Como exemplo, a U.S. Preventive Services Task Force recomenda o rastreamento do câncer do colo do útero em mulheres de 21 a 29 anos por meio de citologia a cada três anos.
Já o rastreamento de pré-diabetes e diabetes tipo 2, segundo a mesma entidade, é recomendado para adultos de 35 a 70 anos com sobrepeso ou obesidade.
Esses exemplos mostram, portanto, que não existe uma lista única de exames obrigatórios para todas as pessoas aos 18 anos. A indicação depende do contexto individual.
A vacinação também faz parte da prevenção
A prevenção inclui ainda o acompanhamento da vacinação. Nesse caso, as recomendações para adultos consideram idade, histórico vacinal e outras características individuais.
Para o jovem adulto, a consulta pode ser uma oportunidade para verificar se a vacinação está atualizada e identificar eventuais necessidades de acordo com seu histórico.
Além disso, manter as informações sobre as vacinas recebidas facilita o acompanhamento ao longo dos anos.
Saúde mental também merece atenção
A entrada na vida adulta envolve mudanças na rotina, autonomia e responsabilidades. Por isso, a saúde mental também pode fazer parte da avaliação.
Questões relacionadas ao sono, alimentação, atividade física, humor e outros aspectos da rotina podem ser discutidas durante o acompanhamento.
A U.S. Preventive Services Task Force recomenda o rastreamento de depressão na população adulta.
Assim, a consulta não precisa se limitar à investigação de doenças físicas. Ela também pode abrir espaço para conversar sobre aspectos emocionais e comportamentais que interferem na qualidade de vida.
Hábitos construídos na juventude podem acompanhar a vida adulta
Além das consultas, a prevenção também inclui cuidados adotados no dia a dia.
Para Stephanie Nastas, alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, não fumar, controle do peso e cuidados com a saúde mental são hábitos importantes para a saúde ao longo do tempo.
“Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, não fumar, controlar o peso e cuidar da saúde mental são hábitos que fazem diferença não só agora, mas também nas próximas décadas”, explica.
Nesse sentido, o jovem passa a participar de forma mais ativa das próprias decisões de saúde. Isso inclui conhecer o histórico familiar, saber quais vacinas recebeu, informar os medicamentos utilizados e conversar com o profissional sobre hábitos, sintomas ou fatores de risco.
Quando procurar atendimento?
A consulta preventiva não substitui a procura por atendimento quando surgem sintomas ou mudanças no estado de saúde.
Além disso, pessoas com doenças já diagnosticadas, histórico familiar relevante ou fatores de risco podem precisar de acompanhamento diferente daquele indicado para alguém sem essas condições.
Por isso, não existe uma frequência ou uma lista de exames que sirva igualmente para todos os jovens adultos. O profissional deve considerar as características de cada pessoa.
Segundo Stephanie Nastas, para um jovem saudável, uma avaliação preventiva periódica, geralmente anual, pode ser uma oportunidade de acompanhar a saúde.

O que muda, na prática, depois dos 18 anos?
A principal mudança não é uma lista universal de exames que precisa ser feita ao completar 18 anos. Na prática, o jovem passa a assumir maior autonomia sobre o próprio cuidado.
Entre as responsabilidades estão:
- marcar e acompanhar consultas;
- conhecer o próprio histórico de saúde;
- informar antecedentes familiares;
- acompanhar a vacinação;
- conversar sobre hábitos e fatores de risco;
- buscar atendimento quando necessário;
- manter cuidados preventivos mesmo na ausência de sintomas.
Ao mesmo tempo, o levantamento realizado nos Estados Unidos mostra que a transição para a vida adulta pode vir acompanhada de menor frequência de consultas de rotina entre jovens. As recomendações de prevenção, por sua vez, indicam que os cuidados devem considerar as características de cada pessoa, e não apenas a idade.
Ter 18 anos não significa que todos os exames precisam começar imediatamente. Em vez disso, a idade representa apenas um dos fatores considerados na prevenção. Histórico familiar, fatores de risco, vacinação, hábitos, saúde mental e necessidades individuais também fazem parte do acompanhamento.

