A prática regular de atividade física ganhou espaço nas discussões sobre saúde mental. Nesse contexto, a corrida se destaca não apenas pelo impacto no condicionamento físico, mas também por sua relação com bem-estar, redução do estresse, qualidade do sono e disposição.
Além disso, a atividade física pode integrar a rotina de pessoas que enfrentam ansiedade ou depressão. No entanto, a corrida não substitui o acompanhamento médico ou psicológico. Ela pode funcionar como uma aliada dentro de um conjunto de cuidados voltados à saúde mental.
As orientações do Ministério da Saúde sobre depressão também destacam a importância de hábitos que favorecem a saúde e reforçam que o tratamento deve contar com acompanhamento adequado.

Corrida pode contribuir para o bem-estar
De acordo com Wagner Alves, professor de Educação Física e CEO da ComVidaFit, os benefícios da corrida vão além do condicionamento físico. Para ele, manter uma rotina de exercícios, superar desafios e perceber a própria evolução pode contribuir para a autoestima, a redução do estresse e o bem-estar.
Além disso, a prática pode ajudar a estabelecer uma rotina mais ativa. A atividade também permite que cada pessoa acompanhe sua própria evolução, estabeleça objetivos e reconheça conquistas ao longo do tempo.
Entretanto, Wagner reforça que a corrida deve atuar como uma aliada no cuidado com a saúde mental, e não como substituta do acompanhamento realizado por profissionais da área.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconhece a relação entre atividade física e saúde mental. Dessa forma, a prática regular de exercícios integra as recomendações relacionadas à promoção do bem-estar.
Experiência pessoal mostra impacto da prática
Para quem começa a correr, os efeitos percebidos podem ultrapassar os aspectos físicos. A experiência de Jéssica Lira, que atua nas redes sociais, mostra como a prática entrou em sua rotina após uma recomendação médica.
Jéssica conta que já fazia terapia por causa de ansiedade e questões familiares quando recebeu a indicação para praticar um esporte. Segundo ela, a corrida passou a fazer parte de seu processo de melhora.
“Eu não respirava pelo nariz e foi indicação do meu otorrino. Já fazia terapia nessa época por conta de ansiedade e questões familiares e aí foi quando o médico começou a indicar um esporte, foi então que comecei a correr. Reconheço que correr e praticar esporte foi o primeiro passo para melhoria. O bem-estar pós-corrida é sensacional, me sinto motivada, nunca me arrependo de ter entrado para corridas”, relata Jéssica.
Assim, o relato mostra uma experiência individual com a prática esportiva. A percepção de bem-estar após a corrida, porém, não significa que os mesmos efeitos ocorrerão da mesma forma para todas as pessoas.
Prática também favorece a convivência
Outro aspecto relacionado à corrida é a possibilidade de interação social. Segundo Wagner Alves, grupos de treinamento e provas podem criar oportunidades de convivência, amizade, incentivo e troca de experiências.
Nesse sentido, o sentimento de pertencimento pode contribuir para que a pessoa mantenha uma rotina mais ativa e saudável. Além disso, o contato com outras pessoas pode tornar a prática mais estimulante e ajudar na continuidade dos exercícios.
Por outro lado, a corrida não precisa acontecer necessariamente em grupo. Cada pessoa pode escolher a forma de atividade que melhor se adapta à sua rotina, às suas condições físicas e às suas preferências.

Começo deve respeitar os limites de cada pessoa
Apesar dos possíveis benefícios, a prática exige atenção às condições individuais. Por isso, quem deseja começar a correr deve iniciar de forma gradual e adaptar a atividade à própria realidade.
Da mesma maneira, pessoas que enfrentam ansiedade ou depressão precisam considerar o esporte como parte de um conjunto de cuidados. O acompanhamento com profissionais especializados continua sendo fundamental para avaliar cada caso e definir as estratégias mais adequadas.
O Ministério da Saúde reforça que a saúde mental envolve diferentes aspectos da vida. Portanto, atividade física, acompanhamento profissional e outras estratégias de cuidado podem assumir papéis diferentes de acordo com as necessidades de cada pessoa.
No caso da depressão, o Ministério da Saúde — informações sobre tratamento orienta que o cuidado pode envolver acompanhamento profissional, psicoterapia e, quando indicado, medicamentos. Por isso, a corrida deve ser entendida como um possível complemento, e não como tratamento isolado.
Dessa forma, incorporar a corrida à rotina pode trazer benefícios para o bem-estar e a disposição, especialmente quando a prática respeita os limites individuais. Ao mesmo tempo, diante de sintomas de ansiedade ou depressão, a orientação de profissionais de saúde permanece essencial.
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