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Estudos recentes apontam mudanças em indicadores de saúde cardiovascular durante a perimenopausa, especialmente em colesterol e glicemia. Os resultados reforçam a importância do acompanhamento preventivo da saúde do coração antes e durante a menopausa.
mulher madura

Foto: Imagem gerada por IA

Perimenopausa pode trazer mudanças na saúde cardiovascular e exige atenção a colesterol e glicemia

DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO

Estudo com mais de 9 mil mulheres identifica menor pontuação de saúde cardiovascular nessa fase e reforça a importância da prevenção

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Estudos recentes apontam mudanças em indicadores de saúde cardiovascular durante a perimenopausa, especialmente em colesterol e glicemia. Os resultados reforçam a importância do acompanhamento preventivo da saúde do coração antes e durante a menopausa.
Tempo de Leitura: 8 minutos

Embora muitas pessoas associem o risco cardiovascular das mulheres ao período após a menopausa, algumas mudanças podem aparecer antes. A perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa, pode apresentar alterações em indicadores relacionados à saúde do coração e dos vasos sanguíneos.

Os dados ganham destaque nesta terça-feira (29), Dia Mundial do Coração, data que mobiliza ações de conscientização sobre a prevenção das doenças cardiovasculares. Em 2026, a Federação Mundial do Coração mantém a campanha “Don’t Miss a Beat”, que chama atenção para sinais e sintomas que podem passar despercebidos e reforça a importância de proteger a saúde cardiovascular.

Um estudo divulgado pela American Heart Association (AHA) em 2026, com mais de 9 mil mulheres, encontrou uma associação entre a perimenopausa e uma menor pontuação geral de saúde cardiovascular. Os resultados chamam atenção principalmente para indicadores como colesterol e glicemia, que apresentaram resultados menos favoráveis entre as participantes na perimenopausa.

No entanto, os achados não significam que a perimenopausa, por si só, cause doenças cardiovasculares. A pesquisa avaliou indicadores de saúde cardiovascular e identificou uma associação com a fase reprodutiva. Portanto, os resultados reforçam a importância do acompanhamento preventivo, mas não estabelecem uma relação direta de causa e efeito.

Mulher praticando atividade física
Imagem: Magnific

Saúde cardiovascular pode mudar durante a perimenopausa

A pesquisa da American Heart Association analisou 9.248 mulheres entre 18 e 80 anos, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos (NHANES), referentes ao período de 2007 a 2020.

As participantes passaram por uma avaliação baseada no Life’s Essential 8, conjunto de oito fatores que a AHA utiliza para acompanhar a saúde cardiovascular. O modelo considera alimentação, atividade física, exposição ao tabaco, sono, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial.

Depois do ajuste pela idade, as mulheres na perimenopausa apresentaram duas vezes mais probabilidade de ter uma pontuação baixa de saúde cardiovascular em comparação com mulheres que ainda tinham ciclos menstruais regulares.

Além disso, a pontuação mediana do Life’s Essential 8 caiu conforme avançou a fase reprodutiva. O resultado foi de 73,3 pontos entre as mulheres na pré-menopausa, 69,1 entre aquelas na perimenopausa e 63,9 entre as participantes na pós-menopausa.

Entre os componentes avaliados, colesterol e glicemia tiveram participação importante na diferença encontrada. As mulheres na perimenopausa apresentaram 76% mais probabilidade de ter uma pontuação baixa relacionada ao colesterol e 83% mais probabilidade de apresentar uma pontuação baixa relacionada à glicemia, em comparação com as participantes na pré-menopausa.

A American Heart Association, portanto, aponta a perimenopausa como uma possível “janela de oportunidade” para a prevenção cardiovascular. Nesse período, a mulher pode conversar com sua equipe de saúde sobre mudanças no organismo e estabelecer parâmetros para acompanhar a saúde do coração ao longo dos anos.

Ainda assim, o estudo apresenta limitações. As próprias participantes informaram o histórico menstrual utilizado para determinar a fase reprodutiva, o que pode ter causado alguma classificação incorreta. Além disso, as participantes também forneceram informações sobre alguns hábitos de vida, como atividade física e tabagismo.

Os pesquisadores também não tinham informações completas sobre alguns fatores que podem influenciar os níveis hormonais e a saúde cardiovascular, como retirada dos ovários e uso de terapia hormonal. Por isso, os resultados precisam ser interpretados dentro das características e limitações do estudo.

Por que a perimenopausa merece atenção?

A perimenopausa corresponde ao período de transição entre a fase reprodutiva e a menopausa. Durante essa etapa, os níveis de estrogênio e progesterona sofrem oscilações, enquanto o ciclo menstrual pode ficar irregular. Alterações hormonais e metabólicas também podem acompanhar essa transição.

Essas mudanças podem ocorrer junto a alterações no colesterol, na sensibilidade à insulina, na pressão arterial e no controle do peso. Por isso, acompanhar diferentes indicadores ajuda a construir uma visão mais ampla da saúde cardiovascular.

Para a ginecologista e consultora médica do Sabin, Luciana de Paiva Nery, a perimenopausa representa uma oportunidade para antecipar os cuidados com a saúde.

“A perimenopausa deve ser vista como uma verdadeira janela de oportunidade para prevenção. Esperar a mulher chegar à menopausa para começar a cuidar da saúde cardiovascular pode significar perder anos importantes de prevenção”

Assim, o cuidado não precisa começar somente quando a mulher chega à menopausa. Durante a transição, o acompanhamento pode ajudar a identificar alterações e discutir medidas preventivas de acordo com o histórico individual.

Colesterol e glicemia estão entre os indicadores que merecem acompanhamento

O colesterol está entre os fatores que merecem atenção durante o acompanhamento da saúde cardiovascular. Conforme a avaliação clínica, o perfil lipídico pode incluir LDL, HDL, triglicerídeos e colesterol total.

A glicemia também integra esse acompanhamento. Alterações na regulação da glicose podem estar relacionadas à resistência à insulina e a outros fatores metabólicos associados à saúde cardiovascular.

Da mesma forma, a pressão arterial merece acompanhamento. Como a hipertensão pode não provocar sintomas perceptíveis, a medição ajuda a identificar alterações que poderiam passar despercebidas.

Além desses indicadores, o acompanhamento pode considerar peso, índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal, sempre de acordo com a avaliação individual.

Luciana de Paiva Nery destaca a importância de acompanhar esses parâmetros ao longo do tempo:

“O mais importante é estabelecer um ponto de base ainda na perimenopausa e acompanhar esses parâmetros ao longo do tempo”

No entanto, os estudos citados não estabelecem uma frequência única de exames para todas as mulheres. A necessidade e o intervalo das avaliações dependem do histórico, da idade, das condições de saúde e dos fatores de risco de cada pessoa.

Histórico familiar e outras condições também influenciam

A avaliação da saúde cardiovascular não depende de um único indicador. Histórico familiar de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, hipertensão e alterações no colesterol podem influenciar a necessidade de acompanhamento.

Além disso, o sedentarismo e outros hábitos de vida também entram nessa avaliação. Por isso, profissionais de saúde podem considerar diferentes aspectos antes de definir quais medidas preventivas são necessárias.

Mulheres que já apresentam alterações metabólicas ou cardiovasculares, histórico familiar relevante ou outras condições associadas podem precisar de acompanhamento mais próximo, conforme avaliação profissional.

Da mesma forma, a transição menopausal não acontece de maneira igual para todas as mulheres. O histórico reprodutivo, as condições de saúde e os hábitos de vida podem influenciar o perfil cardiovascular de cada pessoa.

Outro estudo relaciona síndrome ovariana a eventos cardiovasculares

Outro estudo publicado em 2026 analisou uma condição específica relacionada à saúde metabólica e reprodutiva feminina. A pesquisa avaliou a associação entre a chamada síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP/PMOS) e eventos cardiovasculares ateroscleróticos.

A denominação SOMP/PMOS corresponde a uma proposta internacional de atualização do nome utilizado para a síndrome dos ovários policísticos (SOP). Um consenso global publicado em 2026 propôs o termo polyendocrine metabolic ovarian syndrome, destacando as características metabólicas e endócrinas da condição.

O estudo sobre eventos cardiovasculares utilizou dados de registros de saúde dos Estados Unidos e analisou mulheres de 18 a 50 anos sem histórico anterior de doença cardiovascular aterosclerótica.

Ao todo, os pesquisadores compararam 413.450 mulheres com SOMP/PMOS e 2.067.250 mulheres no grupo de referência, em uma análise retrospectiva e longitudinal. As participantes tinham idade média de 31,1 anos.

Depois dos ajustes realizados pelos pesquisadores, o estudo encontrou uma associação entre a SOMP/PMOS e uma maior ocorrência de eventos cardiovasculares ateroscleróticos.

A medida estatística utilizada na pesquisa foi um hazard ratio ajustado de 4,40, com intervalo de confiança de 95% entre 4,23 e 4,58.

Esse resultado representa uma associação estatística observada na população analisada. Ele não significa que toda mulher com SOMP/PMOS terá um evento cardiovascular nem que o risco individual de cada paciente seja exatamente 4,4 vezes maior.

Além disso, esse estudo apresenta uma população e uma pergunta de pesquisa diferentes daquela utilizada pela American Heart Association. A pesquisa da AHA avaliou indicadores de saúde cardiovascular em diferentes fases reprodutivas. Já o estudo sobre SOMP/PMOS investigou a ocorrência de eventos cardiovasculares em uma população específica de mulheres com a condição.

Por isso, o resultado de 4,40 não deve ser utilizado para afirmar que a perimenopausa, de maneira geral, aumenta em 4,4 vezes o risco de infarto ou acidente vascular cerebral.

O que são eventos cardiovasculares ateroscleróticos?

Os eventos cardiovasculares ateroscleróticos estão relacionados ao acúmulo de placas nas artérias. Esse processo pode comprometer o fluxo sanguíneo e está associado a doenças como doença arterial coronariana, doenças cerebrovasculares e doença arterial periférica.

No estudo sobre SOMP/PMOS, os pesquisadores consideraram esses diferentes tipos de eventos de forma conjunta na análise.

Como a pesquisa utilizou dados retrospectivos de registros de saúde, os resultados mostram uma associação observada na população estudada. Esse desenho permite identificar relações entre condições de saúde e determinados desfechos, mas não estabelece sozinho uma relação causal para cada indivíduo.

Além disso, o grupo com SOMP/PMOS apresentava maior presença de alguns fatores tradicionais de risco cardiovascular, como obesidade e diabetes. Os pesquisadores realizaram ajustes estatísticos para esses e outros fatores, mas a interpretação continua dependendo das características do desenho observacional.

Cuidados devem ser individualizados

A prevenção cardiovascular durante a perimenopausa deve considerar o conjunto de fatores de risco e o histórico de cada mulher. A avaliação pode incluir pressão arterial, perfil lipídico, glicemia, peso e medidas corporais, além da investigação de condições já diagnosticadas e do histórico familiar.

Também entram nessa análise hábitos relacionados à alimentação, atividade física, sono, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Quando a mulher apresenta obesidade, diabetes, hipertensão ou alterações persistentes no colesterol, o acompanhamento profissional pode ganhar importância. O mesmo vale para quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares ou outros fatores que possam modificar o risco individual.

Nesse contexto, a proposta não é esperar o aparecimento de sintomas ou a chegada da menopausa para iniciar os cuidados. Durante a transição, o acompanhamento permite observar mudanças e discutir estratégias preventivas conforme as necessidades de cada mulher.

Hábitos também fazem parte da prevenção

Além do acompanhamento dos indicadores cardiovasculares, os hábitos cotidianos também contribuem para a manutenção da saúde do coração.

A prática regular de atividade física, quando adequada às condições de saúde da pessoa, contribui para o controle de diferentes fatores de risco. Da mesma forma, uma alimentação equilibrada pode ajudar na manutenção de um peso saudável e no controle de parâmetros metabólicos.

Outros cuidados incluem não fumar, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e manter uma rotina adequada de sono.

Essas medidas não substituem a avaliação profissional. Quando já existem alterações de pressão arterial, colesterol, glicemia ou outras condições de saúde, a orientação individual ajuda a definir quais estratégias fazem sentido para cada situação.

Além disso, a Federação Mundial do Coração incentiva, durante a campanha de 2026, pequenas mudanças relacionadas a movimento, alimentação e outros hábitos como parte da iniciativa “Keep the Beat”.

mulher em consulta médica
Imagem: Magnific

Dia Mundial do Coração chama atenção para a prevenção

Hoje, 29 de setembro, é o Dia Mundial do Coração, data que reúne organizações e iniciativas de diferentes países para ampliar a conscientização sobre as doenças cardiovasculares.

Em 2026, a Federação Mundial do Coração mantém a campanha “Don’t Miss a Beat”, que chama atenção para sinais de doenças cardiovasculares que podem passar despercebidos. A entidade também reforça a importância de proteger a saúde do coração e reconhecer sintomas que precisam de atenção.

No caso das mulheres, o cuidado cardiovascular não precisa começar somente depois da menopausa. A perimenopausa pode representar um período importante para avaliar hábitos, identificar fatores de risco e estabelecer parâmetros que permitam acompanhar mudanças ao longo dos anos.

Como destaca Luciana de Paiva Nery:

“A perimenopausa e a menopausa não devem ser encaradas apenas como fases de sintomas, mas como oportunidades de rever hábitos e investir na saúde cardiovascular para as próximas décadas”

Assim, os estudos recentes reforçam a importância de observar a saúde cardiovascular ao longo das diferentes fases da vida. Os resultados não indicam que todas as mulheres terão o mesmo perfil de risco. Eles mostram, porém, que colesterol, glicemia, pressão arterial, peso, hábitos de vida e histórico de saúde merecem atenção também durante a transição para a menopausa.

 

 

 

 

 

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