O Brasil registrou 37 casos de raiva em humanos entre 2016 e 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. Todos os casos tiveram associação com variantes silvestres do vírus, e 22 envolveram morcegos. Apesar dos avanços no controle da transmissão relacionada a cães, a circulação do vírus entre animais silvestres mantém a necessidade de vigilância permanente.
O país também completa, em 2026, dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida pelas variantes de cães, conhecidas como AgV1 e AgV2. O Ministério da Saúde atribui esse avanço às ações de controle da raiva em cães e à profilaxia antirrábica oferecida à população.
Ao mesmo tempo, o cenário exige atenção para a circulação do vírus entre animais silvestres. Até junho de 2026, o Brasil registrou seis casos de raiva em cães, todos relacionados a variantes de animais silvestres. Além disso, entre 2015 e 2026, o país contabilizou 270 casos de raiva em cães e gatos, dos quais 205 ocorreram em cães domésticos.
Os números mostram que a redução da transmissão urbana relacionada às variantes caninas não elimina o risco de infecção entre animais. Por isso, vacinação, vigilância e identificação de situações de risco continuam importantes para evitar novos casos.
Circulação do vírus exige vigilância
A raiva é uma doença viral grave que afeta o sistema nervoso central. Segundo o Ministério da Saúde, a doença apresenta letalidade próxima de 100% depois da instalação do quadro clínico. Por isso, a prevenção e o atendimento rápido após uma possível exposição têm papel fundamental no controle da doença.
A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, sobretudo por meio de mordidas. Além disso, arranhaduras e lambeduras também podem transmitir o vírus quando há contato com a saliva do animal infectado.
Embora os cães tenham papel histórico importante na transmissão da raiva para seres humanos, o vírus também circula entre animais silvestres. Nesse cenário, morcegos estiveram envolvidos em 22 dos 37 casos humanos registrados entre 2016 e 2026.
De acordo com o médico-veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, a vacinação continua entre as principais estratégias de prevenção.
“A vacinação é fundamental, principalmente porque o vírus continua circulando em animais silvestres e exige atenção permanente.”
Além disso, o acompanhamento da circulação do vírus entre diferentes espécies reforça a necessidade de integração entre os setores de saúde humana, saúde animal e vigilância epidemiológica.

Registros em animais mantêm alerta
Os registros recentes mostram que a raiva continua presente entre animais no país. Até junho de 2026, o Brasil identificou seis casos em cães, todos relacionados a variantes de animais silvestres. O Ministério da Saúde também contabilizou 270 casos de raiva em cães e gatos entre 2015 e 2026.
Desse total, 205 casos ocorreram em cães domésticos. O levantamento federal também aponta que 75 casos corresponderam às variantes AgV1 ou AgV2, associadas à raiva canina.
Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado (CRMV-SP) informou 90 casos de raiva em animais em 2026.
Nesse contexto, a circulação do vírus em animais silvestres exige atenção principalmente quando esses animais entram em contato com pessoas ou animais domésticos. Por isso, morcegos encontrados no chão, em locais incomuns ou com comportamento alterado não devem ser manipulados diretamente.
Como a raiva é transmitida
A principal forma de transmissão ocorre por meio da saliva de animais infectados, especialmente em mordidas. No entanto, arranhaduras e lambeduras também podem representar situações de exposição quando existe contato da saliva com ferimentos ou mucosas.
Nos animais, alguns sinais podem indicar suspeita de raiva. Entre eles estão mudanças de comportamento, agressividade fora do habitual, salivação excessiva, dificuldade para engolir, alterações na coordenação motora e paralisia.
Além disso, a doença pode evoluir rapidamente depois do aparecimento dos sintomas. Portanto, uma possível exposição exige avaliação adequada, mesmo quando o animal envolvido não apresenta sinais aparentes no momento do contato.
O que fazer após uma mordida ou arranhão
Em caso de mordida, arranhão ou outro contato que possa representar exposição ao vírus, a orientação do Ministério da Saúde é procurar atendimento médico o mais rápido possível. Enquanto isso, a pessoa deve lavar o ferimento abundantemente com água e sabão.
Depois da avaliação, o profissional de saúde define a necessidade de profilaxia antirrábica, que pode envolver vacina e, conforme a situação, soro ou imunoglobulina.
Quando um cão ou gato entra em contato com um morcego ou outro animal silvestre, o responsável também deve buscar orientação de um médico-veterinário ou dos serviços de vigilância. Além disso, não deve manipular diretamente o animal silvestre.
Nos casos de agressão por cães ou gatos, o Ministério da Saúde orienta, quando possível, a observação do animal por dez dias. Se o animal adoecer, desaparecer ou morrer durante esse período, a pessoa deve comunicar imediatamente o serviço de saúde.
Vacinação ajuda a prevenir a doença
A vacinação de cães e gatos continua entre as principais medidas para prevenir a raiva e reduzir o risco de transmissão. O Ministério da Saúde destaca que a vacinação anual de cães e gatos ajuda a prevenir a raiva nesses animais e, consequentemente, a raiva humana.
Por isso, os responsáveis devem manter a imunização dos animais em dia, conforme as orientações das autoridades de saúde e do médico-veterinário.
Além da vacinação, evitar o contato direto com animais silvestres também reduz situações de risco. Dessa forma, pessoas não devem tocar em morcegos ou outros animais silvestres, principalmente quando estiverem caídos no chão ou apresentarem comportamento incomum.
Atualmente, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância e controle da raiva animal, acompanhando casos em cães, gatos e animais silvestres. O monitoramento ajuda a identificar as variantes do vírus e orientar medidas de prevenção e controle.
Saúde humana e animal precisam atuar juntas
A situação da raiva reforça o conceito de Saúde Única, que considera a relação entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.
Nesse contexto, a vigilância da circulação do vírus entre animais, a vacinação de cães e gatos, a orientação dos responsáveis e o atendimento adequado de pessoas expostas fazem parte de uma mesma estratégia de prevenção.
Além disso, a integração entre profissionais de saúde, responsáveis pelos animais e poder público permite identificar situações de risco e adotar medidas de controle.
Para Francis Flosi, a manutenção dessas ações continua necessária mesmo diante dos avanços obtidos no controle da doença.
“Manter a vacinação em dia, reconhecer situações de risco e buscar atendimento diante de uma possível exposição são atitudes que ajudam a proteger toda a comunidade. O controle da raiva depende de um trabalho contínuo e integrado entre profissionais de saúde, responsáveis pelos animais e poder público”, ressalta Flosi.
Assim, vacinação, vigilância, reconhecimento de situações de risco e atendimento após possíveis exposições formam uma rede de prevenção contra a raiva. Ao mesmo tempo, a circulação do vírus entre animais silvestres mantém a necessidade de acompanhamento contínuo no país.
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