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Saúde ocular: como o excesso de telas pode prejudicar sua visão

SAÚDE DOS OLHOS

Especialistas explicam como o uso prolongado de celulares, computadores e tablets favorece o olho seco, a fadiga visual e outras doenças que podem comprometer a visão.

Tempo de Leitura: 6 minutos

O uso intenso de celulares, computadores, tablets e outros dispositivos eletrônicos têm aumentado as queixas relacionadas à saúde ocular em todas as idades. No Dia da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, especialistas reforçam que hábitos comuns da rotina moderna podem favorecer o ressecamento dos olhos, provocar fadiga visual e até contribuir para o agravamento de doenças que ameaçam a visão.

O alerta é importante porque muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2,2 bilhões de pessoas vivem com algum tipo de deficiência visual ou cegueira no mundo. Desse total, pelo menos 1 bilhão de casos poderia ter sido evitado ou tratado com diagnóstico e assistência adequados.

No Brasil, o Ministério da Saúde estima que milhões de pessoas convivam com doenças como catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade. Em muitos casos, os sintomas só são percebidos quando a visão já apresenta comprometimento.

Julho Turquesa chama atenção para o olho seco

Além do Dia da Saúde Ocular, o mês de julho também é marcado pelo Julho Turquesa, campanha nacional de conscientização sobre a síndrome do olho seco, promovida pela Sociedade Brasileira de Córnea e Banco de Tecidos (SBC).

Segundo a oftalmologista Patrícia Marback, membro da diretoria da SBC, a rotina cada vez mais digital tem contribuído diretamente para o aumento dos casos.

“O uso constante de telas, principalmente em ambientes com ar condicionado está associado com uma redução da frequência do piscar e aumento da evaporação da lágrima. Os sintomas são olhos vermelhos, visão turva, ardor e lacrimejamento reflexo.“, reforça Dra. Patrícia.

A especialista explica que, durante o uso de dispositivos eletrônicos, piscamos menos do que o necessário para manter a superfície ocular hidratada. Como consequência, a lágrima evapora mais rapidamente, favorecendo o ressecamento dos olhos.

Além disso, ambientes climatizados potencializam esse processo, tornando os sintomas ainda mais frequentes entre pessoas que trabalham diante do computador durante várias horas por dia.

Para reduzir esse desconforto, Dra. Patrícia recomenda algumas mudanças na rotina.

“Fazer pequenas pausas de poucos minutos, a cada 30-40 minutos e procurar orientação com o oftalmologista quanto ao uso de colírios lubrificantes pode ajudar a reduzir os sintomas.”

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Exposição às telas preocupa adultos, jovens e crianças

Na Bahia, esse cenário merece atenção especial. O envelhecimento da população e o crescimento das doenças crônicas aumentam o número de pessoas com risco de desenvolver problemas oculares. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população com 60 anos ou mais cresce de forma acelerada no estado, justamente a faixa etária mais vulnerável às doenças relacionadas ao envelhecimento dos olhos.

Embora o envelhecimento aumente o risco para diversas doenças oculares, os especialistas destacam que os impactos da exposição às telas já atingem pessoas de praticamente todas as idades.

Segundo a oftalmologista e professora da Afya, Daiane Gil, o número de pacientes que procuram atendimento devido à fadiga ocular tem aumentado de forma significativa nos últimos anos.

Ela reforça que permanecer muitas horas diante de celulares, computadores e tablets reduz o número de piscadas, favorecendo o ressecamento da superfície ocular e uma série de sintomas que comprometem o bem-estar e o desempenho nas atividades diárias.

“A intensa exposição às telas tem levado a um aumento na fadiga ocular no final do dia. Quando utilizamos dispositivos eletrônicos por períodos prolongados, reduzimos a frequência do piscar em até 50%, favorecendo a evaporação da lágrima e o ressecamento da superfície ocular. Nesses casos, os sintomas mais comuns incluem ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento excessivo, visão embaçada, dor de cabeça e sensibilidade à luz. Além disso, o uso excessivo de telas, especialmente em crianças e adolescentes, tem sido associado ao aumento da incidência e da progressão da miopia em todo o mundo”, enfatiza a professora.

Os especialistas ressaltam que crianças e adolescentes merecem atenção especial. Além da fadiga visual, estudos recentes mostram uma associação entre o tempo excessivo de exposição às telas, a redução das atividades ao ar livre e o crescimento da miopia em todo o mundo.

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Muitas doenças só apresentam sintomas quando já estão avançadas

Um dos maiores desafios da saúde ocular é que diversas doenças evoluem de forma silenciosa durante anos.

Por isso, enxergar bem não significa, necessariamente, que os olhos estejam saudáveis. Muitas alterações só são identificadas durante exames oftalmológicos de rotina, antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.

É justamente essa característica que torna o acompanhamento periódico tão importante para pessoas de todas as idades, especialmente aquelas que convivem com diabetes, hipertensão arterial, histórico familiar de glaucoma ou idade acima dos 60 anos.

Glaucoma, catarata e retinopatia diabética exigem diagnóstico precoce

Além dos problemas relacionados ao uso excessivo de telas, outras doenças oculares continuam sendo importantes causas de perda da visão no Brasil. Muitas delas evoluem lentamente e não provocam sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância das consultas periódicas com o oftalmologista.

A catarata é a principal causa de cegueira reversível em todo o mundo, que acontece gradualmente, mas possui tratamento cirúrgico. A retinopatia diabética também pode causar uma baixa visual importante e merece total destaque em nossa população, pois pode evoluir para a perda visual severa se não tratada precocemente. Já o glaucoma, não costuma provocar dor ou perda visual relevante nas fases iniciais, mas, infelizmente, com a progressão da doença, o comprometimento é irreversível.” Explica Dra. Daiane.

A especialista lembra que o glaucoma está entre as principais causas de cegueira irreversível no mundo justamente porque, na maioria dos casos, evolui sem sinais perceptíveis. Da mesma forma, doenças relacionadas ao diabetes e à hipertensão arterial podem provocar lesões progressivas na retina e comprometer definitivamente a visão quando não são acompanhadas.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) mostram que uma parcela significativa da população procura atendimento apenas quando já apresenta dificuldade para enxergar ou para realizar atividades do dia a dia. Nessa fase, as possibilidades de preservar totalmente a visão podem ser menores.

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Exames preventivos fazem a diferença

Esperar o aparecimento de sintomas não é uma boa estratégia quando se trata da saúde dos olhos.

Os exames preventivos permitem identificar alterações precoces na pressão ocular, na retina, no cristalino, na córnea e no nervo óptico, possibilitando intervenções antes que ocorra perda visual significativa. Em doenças como o glaucoma e a retinopatia diabética, o diagnóstico precoce é, frequentemente, o principal fator que determina o prognóstico visual do paciente.

Portanto, a consulta oftalmológica pode revelar sinais de descompensação de doenças sistêmicas, como diabetes, hipertensão arterial e doenças autoimunes, por exemplo, sendo aliada na detecção de complicações dessas patologias.

Como proteger a saúde ocular no dia a dia

Algumas atitudes simples ajudam a reduzir os efeitos da exposição prolongada às telas e contribuem para preservar a visão.

Cuidados recomendados pelos especialistas

• Faça pequenas pausas a cada 30 a 40 minutos de uso contínuo de telas.
• Pisque conscientemente durante o uso de computadores e celulares.
• Evite permanecer muitas horas seguidas diante dos dispositivos eletrônicos.
• Sempre que possível, aumente o tempo de atividades ao ar livre, especialmente para crianças e adolescentes.
• Mantenha boa hidratação e procure ambientes menos secos.
• Utilize colírios lubrificantes apenas com orientação do oftalmologista.
• Pessoas com diabetes, hipertensão, glaucoma na família ou idade acima de 60 anos devem realizar acompanhamento oftalmológico periódico.

Quando procurar um oftalmologista?

Procure avaliação médica se você apresentar:

• visão embaçada;
• olhos vermelhos frequentes;
• sensação de areia nos olhos;
• ardor ou queimação;
• dor de cabeça associada ao esforço visual;
• sensibilidade à luz;
• lacrimejamento excessivo;
• dificuldade para enxergar de longe ou de perto.

Mesmo sem sintomas, a recomendação é manter consultas periódicas, pois diversas doenças oculares permanecem silenciosas durante anos.

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A prevenção ainda é a melhor forma de preservar a visão

O Dia da Saúde Ocular reforça um alerta importante: cuidar dos olhos vai muito além de enxergar bem. Em uma rotina cada vez mais conectada, reduzir o tempo de exposição às telas, fazer pausas durante o trabalho e realizar exames oftalmológicos regulares são medidas que ajudam a prevenir doenças e preservar a qualidade de vida.

Quanto mais cedo alterações forem identificadas, maiores são as chances de tratamento e de manutenção da visão ao longo da vida.
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