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O tabagismo pode comprometer a saúde da laringe e provocar alterações persistentes na voz. Rouquidão e outros sinais exigem investigação, enquanto a Fonoaudiologia auxilia na recuperação vocal e a interrupção do cigarro reduz os riscos à saúde.

Foto: Magnific

Tabagismo afeta a saúde da laringe e pode provocar alterações persistentes na voz

TABAGISMO E SAÚDE VOCAL

Fumo agride a laringe e pode provocar alterações vocais persistentes; avaliação precoce ajuda a identificar possíveis problemas

Resumo ComSaúde

O tabagismo pode comprometer a saúde da laringe e provocar alterações persistentes na voz. Rouquidão e outros sinais exigem investigação, enquanto a Fonoaudiologia auxilia na recuperação vocal e a interrupção do cigarro reduz os riscos à saúde.
Tempo de Leitura: 5 minutos

Aquela voz mais grave, áspera ou cansada pode parecer apenas uma característica de quem fuma há muitos anos. Porém, mudanças persistentes na voz podem indicar alterações na laringe e precisam de investigação, principalmente quando aparecem acompanhadas de pigarro, dor ou dificuldade para engolir.

O alerta ganha destaque neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Segundo dados do Vigitel 2024, divulgados pelo Ministério da Saúde e pelo INCA, 11,5% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal são fumantes. O percentual chega a 13,9% entre os homens e 9,5% entre as mulheres.

O impacto do tabagismo também aparece nos números do câncer. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 8.510 novos casos de câncer de laringe por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Desse total, 7.310 devem ocorrer em homens e 1.200 em mulheres. O próprio instituto aponta o tabagismo como o principal fator de risco para esse tipo de tumor.

Nesse cenário, a Fonoaudiologia pode participar da recuperação da função vocal, especialmente quando o paciente apresenta alterações decorrentes do uso prolongado da voz, do tabagismo ou após tratamentos na região da cabeça e do pescoço. O acompanhamento, porém, não substitui a investigação médica nem interrompe os danos provocados pelo cigarro.

“A terapia fonoaudiológica atua na reabilitação funcional, reduzindo a sobrecarga e ajudando a recuperar a potência vocal. Mas a Fonoaudiologia não ‘apaga’ os efeitos do fumo nem neutraliza o dano celular. A grande mensagem que precisa ser dita é: parar de fumar é insubstituível”, destaca a fonoaudióloga Carolina Pamponet, especialista em voz profissional

consulta com fono
Imagem: Magnific

Rouquidão não deve ser considerada normal

Um dos principais desafios no atendimento de pessoas que fumam é justamente a naturalização das alterações na voz. Como a mudança costuma acontecer aos poucos, o fumante pode se acostumar com a voz mais rouca, o pigarro ou a necessidade constante de limpar a garganta.

Com o tempo, o esforço para falar pode aumentar e o paciente passa a considerar o sintoma parte da rotina. No entanto, a persistência da alteração merece atenção.

O INCA lista entre os sinais relacionados ao câncer de laringe a rouquidão, a alteração na qualidade da voz, a dor de garganta, a dificuldade para engolir, a sensação de “caroço” na garganta e a presença de nódulo no pescoço.

O Ministério da Saúde também orienta a investigação de rouquidão persistente por mais de três semanas, principalmente quando o sintoma aparece junto a outras alterações.

Por isso, rouquidão prolongada não deve ser tratada apenas com pastilhas, sprays ou automedicação. O ideal é procurar um otorrinolaringologista para identificar a causa do problema. Dependendo da avaliação, exames como a laringoscopia podem ajudar a visualizar a região e identificar possíveis lesões.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • rouquidão constante ou que piora progressivamente;
  • alteração persistente no tom ou na qualidade da voz;
  • pigarro frequente;
  • sensação de corpo estranho ou “caroço” na garganta;
  • dor ou dificuldade para engolir;
  • perda de potência vocal;
  • cansaço ao falar;
  • presença de sangue na tosse ou no escarro;
  • dificuldade para respirar;
  • nódulos ou ínguas persistentes no pescoço.

A presença desses sintomas não significa, necessariamente, câncer. Infecções, refluxo, uso excessivo da voz e outras condições também podem provocar alterações. O problema está em ignorar um sintoma que não desaparece.

Fumo agride diretamente a saúde vocal

A fumaça do cigarro entra em contato direto com as estruturas responsáveis pela produção da voz. A exposição contínua pode irritar a mucosa das vias respiratórias e favorecer alterações na laringe.

Além disso, o tabagismo está associado ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. No caso da laringe, o risco merece atenção especial porque o órgão participa diretamente da produção da voz.

O INCA destaca ainda que tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas podem atuar juntos e aumentar o risco de câncer de laringe.

Por isso, cuidar da voz não significa apenas controlar o volume ou beber mais água. Para quem fuma, a principal medida envolve interromper a exposição ao tabaco.

Vape também oferece riscos

Os cigarros eletrônicos, vapes e pods ganharam espaço principalmente entre pessoas que acreditam que esses dispositivos seriam uma alternativa menos prejudicial ao cigarro convencional. Mas a ausência da fumaça tradicional não significa ausência de riscos.

Segundo o INCA, os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) podem conter nicotina, substâncias tóxicas e aditivos. A nicotina, por exemplo, é responsável pela dependência.

No Brasil, a Anvisa mantém proibidas a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses dispositivos, conforme a RDC nº 855/2024. A norma também reforça a proibição do uso em recintos coletivos fechados.

“A ideia de que o vape é inofensivo para a voz é uma armadilha perigosa. A inalação contínua dessas substâncias gera agressão direta ao aparelho fonador. O paciente que troca o cigarro pelo dispositivo eletrônico continua exposto a riscos sérios”, alerta Carolina Pamponet.

Fonoaudiologia auxilia na recuperação da voz

Quando o paciente apresenta uma alteração vocal, a Fonoaudiologia pode contribuir para recuperar a eficiência da comunicação e reduzir o esforço durante a fala. O tratamento varia de acordo com a causa e as necessidades de cada pessoa.

Entre as estratégias utilizadas estão exercícios para o trato vocal, treinamento de ressonância, adequação do fluxo de ar e técnicas para diminuir a tensão e o esforço durante a produção da voz.

Em pacientes que passaram por tratamentos de câncer de cabeça e pescoço, por exemplo, a Fonoaudiologia também pode desempenhar um papel importante na reabilitação da comunicação. Cirurgias e outros tratamentos podem provocar diferentes graus de alteração vocal, dependendo da região afetada e do procedimento realizado.

No entanto, a terapia não elimina a exposição ao cigarro.

“Não existe exercício mágico nem equipamento que torne o hábito de fumar seguro. O objetivo da Fonoaudiologia é devolver a função vocal e melhorar a qualidade de vida, mas a única medida capaz de cessar a agressão contínua aos tecidos da laringe é parar de fumar. E os benefícios dessa decisão ocorrem em qualquer idade ou tempo de vício”, explica a fonoaudióloga.

Cantor ou jornalista diante de um microfone segurando a garganta
Imagem: Magnific

Profissionais da voz precisam de atenção redobrada

Para professores, cantores, jornalistas, radialistas, locutores, palestrantes e outros profissionais que dependem da voz diariamente, qualquer alteração pode interferir diretamente no trabalho.

A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde destaca que comportamentos como falar em excesso, gritar, pigarrear e não manter uma boa hidratação podem prejudicar a saúde vocal. Alterações como cansaço, ardor, dor ao falar, falhas na voz, mudança de tom, pigarro e rouquidão por mais de duas ou três semanas merecem avaliação profissional.

Nesse grupo, os cuidados incluem manter a hidratação, fazer pausas durante o uso prolongado da voz, evitar esforço excessivo e procurar atendimento diante de alterações persistentes.

Ainda assim, nenhum cuidado vocal compensa os danos provocados pelo tabagismo. Parar de fumar continua sendo a principal forma de reduzir a agressão à laringe e prevenir doenças relacionadas ao tabaco.

Quem deseja abandonar o cigarro também pode buscar orientação na rede pública de saúde. O Ministério da Saúde informa que o SUS oferece tratamento para pessoas que querem parar de fumar, com acompanhamento nas unidades de saúde. Em 2025, mais de 2,1 milhões de pessoas receberam atendimento para esse objetivo na rede pública.

A voz pode mudar por diferentes motivos, mas quando a alteração persiste, ela merece atenção. Em vez de se acostumar com a rouquidão, o melhor caminho é investigar a causa e buscar ajuda para preservar a saúde vocal.

 

 

 

 

 

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